O que te faz melhor Julho 2, 2008
Posted by Ramon Silva in Reflexão, Reforma Íntima, Sabedoria.Tags: budismo, dalai lama, religião
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Narra-se que Leonardo Boff, num intervalo de uma conversa de mesa-redonda sobre religião e paz entre os povos, perguntou ao Dalai Lama:
Santidade, qual a melhor religião?
O teólogo confessa que esperava que ele dissesse: É o budismo tibetano. Ou são as religiões orientais, muito mais antigas que o cristianismo.
O Dalai Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso, olhou seu inquiridor bem nos olhos, desconcertando-o um pouco, como se soubesse da certa dose de malícia na pergunta, e afirmou:
A melhor religião é a que mais te aproxima de Deus. É aquela que te faz melhor.
Para quem sabe sair da perplexidade diante de tão sábia resposta, Boff voltou a perguntar:
O que me faz melhor?
Aquilo que te faz mais compassivo; aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável… A religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião…
Boff confessa que calou, maravilhado, e até os dias de hoje ainda rumina a resposta recebida, sábia e irrefutável. O Dalai Lama foi ao cerne da questão: a religião deve nos ser útil para a vida, como promotora de melhorias em nossa alma.
Não haverá religião mais certa, mais errada, mas sim aquela que é mais adequada para as necessidades deste ou daquele povo, desta ou daquela pessoa. Se ela estiver promovendo o Espírito, impulsionando-o à evolução moral e estabelecendo este laço fundamental da criatura com o Criador – independente do nome que este leve – ela será uma ótima religião. Ao contrário, se ela prega o sectarismo, a intolerância e a violência, é óbvio que ainda não cumpre adequadamente sua missão como religião.
O eminente Codificador do Espiritismo, Allan Kardec, quando analisou esta questão, recebeu a seguinte resposta dos Espíritos de luz:
Toda crença é respeitável quando sincera, e conduz à prática do bem. As crenças censuráveis são as que conduzem ao mal.
Desta forma, fica claro mais uma vez que a religião, por buscar nos aproximar de Deus, deve, da mesma forma, nos aproximar do bem, e da sua prática cotidiana.
Nenhum ritual, sacrifício, nenhuma prática externa será proveitosa, se não nos fizer melhores. Deveríamos empreender nossos esforços na vida para nos tornarmos melhores. Investir em tudo aquilo que nos faz mais compreensivos, mais sensíveis, mais amorosos, mais responsáveis.
A melhor Doutrina é a que melhor satisfaz ao coração e à razão, e que mais elementos tem para conduzir o homem ao bem.
***
Gandhi afirmava que uma vida sem religião é como um barco sem leme. Certamente todos precisamos de um instrumento que nos dirija. Assim, procuremos aquela religião que nos fale à alma, que nos console e que nos promova como Espíritos imortais que somos.
Transmitamos às nossas crianças, desde cedo, esta importância de manter contato com o Criador, e de praticar o bem, acima de tudo.
A indulgência Junho 24, 2008
Posted by Ramon Silva in Amor, Reflexão, Reforma Íntima, Sabedoria.Tags: indulgência
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A indulgência é esse sentimento doce e fraternal que todo homem deve alimentar para com seus irmãos, mas do qual bem poucos fazem uso.
A indulgência não vê os defeitos de outrem, ou, se os vê, evita falar deles, divulgá-los. Ao contrário, oculta-os, a fim de que se não tornem conhecidos senão dela unicamente. E, se a malevolência os descobre, tem sempre pronta uma escusa para eles, escusa plausível, séria, não das que, com aparência de atenuar a falta, mais a evidenciam com pérfida intenção.
A indulgência jamais se ocupa com os maus atos de outrem, a menos que seja para prestar um serviço. Mas, mesmo neste caso, tem o cuidado de os atenuar tanto quanto possível.
Não faz observações chocantes, não tem nos lábios censuras. Apenas conselhos e, as mais das vezes, velados.
Ao fazer uma crítica qualquer, ela sempre irá pensar antes: que conseqüência se há de tirar destas palavras?
Homens! Quando será que julgareis os vossos próprios corações, os vossos próprios atos, sem vos ocupardes com o que fazem vossos irmãos? Quando só tereis olhares severos sobre vós mesmos? Sede severos para convosco, indulgentes para com os outros. Lembrai-vos de que, talvez, tenhais cometido faltas mais graves. Sede indulgentes, meus amigos, porquanto a indulgência atrai, acalma, ergue, ao passo que o rigor desanima, afasta e irrita. Eis mais uma virtude fundamental para aqueles de nós que desejamos viver a Nova Era, a era do bem.
A indulgência não se entende por conivência com a coisa errada, de forma alguma, mas, de uma forma benevolente, de tratar a alma equivocada. Nossa severidade excessiva com os outros pouco resolve. E, pelo contrário, esta ferocidade em nosso julgamento só nos tem trazido prejuízos morais.
Quase sempre nossa crítica, nossa condenação, não visa o bem do outro, mas sim uma satisfação desequilibrada em simplesmente falar mal, ou condenar. Mecanismo psicológico de projeção, muitas vezes nos mostra no outro aquilo que detestamos em nós, e como fuga desastrosa, ao acusar, imaginamos que podemos nos livrar do mal intrínseco à nossa alma enferma. Acusar por acusar nunca nos trará o bem que desejamos, a paz que anelamos tanto. A maledicência é provocadora de prazer mórbido que atesta deficiência de caráter humano.
Sejamos assim, indulgentes, da mesma forma que o Criador o é sempre conosco, vendo o que temos de bom, e sempre nos dando novas chances de acertar após nossos erros.
Reforçar o erro de outrem é valorizar o negativo. É dar-lhe um destaque maior do que o necessário.
A indulgência é caridade, é compreensão e perdão.
* * *
O verdadeiro caráter da caridade é a modéstia e a humildade, que consistem em ver cada um apenas superficialmente os defeitos de outrem, e esforçar-se por fazer que prevaleça o que nele há de bom e virtuoso.
Embora o coração humano seja um abismo de corrupção, sempre há, nalgumas de suas dobras mais ocultas, o gérmen de bons sentimentos, centelha vivaz da essência espiritual.
Se Jesus vivesse nos dias de hoje Junho 19, 2008
Posted by Ramon Silva in Amor, Reflexão, Reforma Íntima, Sabedoria.Tags: Bom Samaritano, jesus
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Se Jesus vivesse nos dias de hoje, no Brasil, e Lucas tivesse que narrar através da escrita a Parábola do
Bom Samaritano, quem sabe a contaria assim:
Uma dessas pessoas bem de vida, e com uma considerável cultura, curtindo um som no seu carro, parado, a espera quem sabe de uma paquera, de repente vê Jesus na praça, rodeado de pessoas, onde conversava ensinando sobre o que seria a vida eterna. Curioso - essa pessoa que aparentava ter uns 38 anos de idade - desligou o som, fechou a porta do carro, se aproximou também daquela roda de gente para ouvir Jesus.
Jesus falava da eternidade da vida, quando esse homem demonstrando possuir boa cultura bolou uma maneira de fazer Jesus cair em contradição, para que pudesse se mostrar superior. E olhando para Jesus com um sorriso sarcástico perguntou:
- Hei, professor, o que devo fazer para entrar na posse dessa vida eterna?
Jesus, sem se abalar, olha para o seu inquiridor e diz:
- Pelo que eu posso verificar e perceber, você deve ter sido educado em alguma religião, e eu lhe pergunto: Como foi que você aprendeu a maneira de um homem viver bem na vida, através da tua religião?
o homem sem titbear respondeu sorrindo:
- É que eu deveria amar a Deus de todo o meu coração, de toda a minha alma, com todas as minhas forças, e de todo o meu entendimento e ao próximo como a mim mesmo.
Jesus então lhe disse:
- Respondeste otimamente, então faça isso, e viverás bem.
Agora, o homem tentado se justificar, perguntou:
- E quem é o meu próximo?
E Jesus olhando-o aproximou-se dele, colocou a mão esquerda em seu ombro, e apontando com a mão direita para qualquer direção disse:
- Um homem, metalúrgico que trabalhou a noite inteira, ou seja, até a uma hora da manhã em uma fábrica situada em São Bernardo, saindo do serviço pegou o seu carro e se dirigia para o seu lar localizado em São Paulo. Cansado, dirigia numa velocidade um pouco acima do normal, porém sem ultrapassar o limite exigido por lei, já que essa pessoa da qual estou falando é respeitador das leis de trânsito. Pois bem, esse metalúrgico dirigindo-se para a sua residência parou normalmente em todos os faróis que sinalizavam luz vermelha, e foi numa dessas paradas que ladrões o assaltaram e levaram tudo o que tinha, inclusive o carro, e o largaram bastante ferido estendido à beira da calçada. Já era hora das pessoas que iriam fazer turno diurno se dirigirem para as empresas onde trabalhavam. Assim passavam com bastante intensidade por aquele local. Contudo até àquela hora o homem não fora socorrido por nenhum daqueles transeuntes. Todos passavam por ele, viam-no estendido no solo, gemendo de dor, mas com medo de se comprometerem não havia ninguém que o socorresse de maneira nenhuma.
- O olhavam penalizados, até comentavam sobre ele, mas iam embora sem fazer absolutamente nada. De repente uma pessoa com um fusquinha bem surrado, de aparência comum e de pouca cultura, passando pelo local, olhou para aquela criatura a gemer de dor. Teve compaixão, estacionou o carro, verificou o estado da vitima, pediu ajuda a Deus, procurou um telefone rapidamente para chamar o Corpo de Bombeiros, e enquanto aguardava o resgate tentava ajudar a vítima com preces e palavras de ânimo. Com um pano de flanela umedecida levemente com água, que carregava numa garrafa de refrigerante de plástico tipo pet, retirava o suor da criatura estendida ao solo, devido às dores causadas pelos ferimentos. Mesmo cansado e com sono, após uma jornada, ou melhor, uma noitada de trabalho fatigante, continuou ali, firme, limpando os ferimentos que se apresentavam mais expostos, e até a chegada do socorro ficou ao lado do ferido fazendo tudo o que podia para ajudá-lo. Quem é que lhe parece ter sido o próximo daquele que foi vítima dos ladrões? - pergunta Jesus.
O homem respondeu:
- Foi aquele que auxiliou o metalúrgico, vítima dos ladrões, dando-lhe toda a ajuda possível.
- Então - disse Jesus -, se você ajudar a todos aqueles que se apresentarem no teu caminho, como verdadeiros necessitados, não demonstrando indiferença e lhes dirigir uma palavra de conforto, oferecer um prato de comida, der um copo de água, oferecer o devido auxílio quando se apresentarem diante de ti com qualquer tipo de deficiência, der informações adequadas quando te solicitarem, der toda a ajuda possível quando te pedirem socorro por causa de algum acidente, etc., é construir um mundo melhor. Tem mais: dar um bom dia às pessoas que são teus vizinhos e companheiros de serviço; visitar um asilo ou um hospital, de vez em quando, levando uma palavrinha de ânimo e ou ser todo ouvidos aos que desejarem conversar um pouco contigo, e por aí vai, é receber de presente à amizade. Enfim, fazer estas coisas é contribuir para a tua felicidade íntima, colher um futuro pleno de amor, e entrar na posse da vida eterna.
(Autor: Élio Miolo)
Três Imperativos Junho 14, 2008
Posted by Ramon Silva in Perseverança, Reforma Íntima, Sabedoria, Trabalho.Tags: jesus
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Em uma conhecida passagem evangélica, Jesus afirma: Pedi e recebereis, buscai e achareis, batei e se abrirá.
Pedir, buscar e bater são os três imperativos da recomendação do Cristo. O problema consiste em aplicar sabiamente esses comandos. A existência humana nem sempre é tranqüila. Freqüentemente não é fácil identificar a conduta correta.
Perante os reclamos e os valores do mundo, a fronteira entre o certo e o errado se esfumaça. Os convites mundanos são muito sedutores e se apresentam como algo razoável. Negá-los, às vezes, parece uma insensata submissão a hábitos demasiado rígidos. Fica-se entre o dever e a vontade. Nesse embate, a razão não raro se impressiona com os exemplos alheios e apresenta o dever como conduta antiquada.
Surge a idéia de que, se todos fazem algo, isso deve ser normal. O problema é que ninguém nasce na Terra para seguir exemplos desvirtuados e viver exóticas fantasias. Todos os homens são Espíritos e sua morada natural é no Plano Espiritual. Quando aqui renascem é para cumprir programas de superação de velhos vícios e desenvolvimento de variadas virtudes. A finalidade do existir terreno é a transcendência, jamais a adoção de comportamento mais apropriado aos animais irracionais. Embora as conveniências mundanas figurem determinados hábitos como aceitáveis, nem por isso eles deixam de comprometer espiritualmente quem os adota.
Os exemplos de condutas desvirtuadas são os mais diversos. Tem-se a vivência sexual apartada de vínculos afetivos e de uma proposta de vida em comum.Há também a desonestidade de qualquer ordem, a indiferença perante os miseráveis, o abandono moral ou material de pais idosos ou enfermos. Embora se tente justificar com novos valores, com a correria da vida moderna, não há argumento que converta atos levianos e indignos em conduta louvável.
Nesse emaranhado de lutas e dúvidas, convém refletir sobre os três imperativos da exortação do Cristo.
É preciso aprender a pedir caminhos de libertação da antiga cadeia de maus hábitos.
É necessário desejar com força a saída do escuro círculo no qual a maioria das criaturas perde a visão dos interesses eternos.
Após pedir com correção, impõe-se o buscar. O ato de buscar constitui um esforço seletivo. O mundo segue pleno de solicitações inferiores, mas urge localizar a ação digna e libertadora. Muitos perseguem miragens perigosas, como mariposas que se apaixonam pela claridade de um incêndio. Convém aprender a buscar o bem legítimo, o desejo de ser melhor, de superar-se, de transcender.
Estabelecido o roteiro edificante, chega o momento de bater à porta da edificação. Bater tem o sentido de esforço metódico e contínuo. Sem persistência, é difícil transformar as experiências humanas em fatores de libertação para a eternidade. Não basta, pois, pedir sem rumo, procurar sem análise e agir sem objetivo elevado. Urge pedir ao Pai Celestial a libertação do passado de equívocos. Mas também é preciso buscar atividades nobres e nelas localizar o próprio esforço de redenção.
Pedir, buscar e bater.
Esses três verbos contêm um roteiro de libertação, com destino a vivências sublimes. É necessário apenas bem utilizá-los.
Pense nisso.
Valorize o bem Maio 31, 2008
Posted by Ramon Silva in Reflexão, Reforma Íntima, Sabedoria, Tempo.1 comment so far
Estranhas ocorrências periodicamente chamam a atenção. A natureza parece convulsionar-se. Ondas imensas devastam grandes áreas habitadas. O aquecimento global provoca devastadores fenômenos climáticos. Chove em excesso em alguns lugares, enquanto noutros faz-se desesperadora seca
Ao lado dos fenômenos da natureza, há também tristes espetáculos produzidos pelos homens. Atos terroristas causam vítimas incontáveis. Guerras surgem em vários locais do planeta. Notícias sobre corrupção não param de eclodir. A cada dia são divulgadas notícias sobre cruéis atos de violência. Crianças são brutalmente assassinadas, idosos são logrados, jovens são corrompidos. No âmbito sexual, liberdade facilmente degenera em libertinagem.
Ante esse estranho contexto, não falta quem diga que a Humanidade está perdida. Entretanto, o bem nunca foi tão operante no mundo. A ciência descobre sem cessar a cura para enfermidades que, por longo tempo, infelicitaram a raça humana. A tecnologia torna o viver mais suave, sob o aspecto material. Há inúmeras organizações voltadas para a promoção do ser humano. Incessantemente surgem leis que asseguram direitos para as minorias. Organizações internacionais procuram interferir em países nos quais os direitos humanos são desrespeitados. A prática do serviço voluntário dissemina-se pelo corpo social. Há belíssimos exemplos de devotamento e abnegação.
A rigor, vive-se uma época de transição e pujança. Sob uma atividade febril, a grandeza e a miséria humanas tornam-se visíveis. Os meios de comunicação trazem a público o que por muito tempo foi dissimulado. A partir das informações disponíveis, cada qual escolhe o que deseja valorizar. Alguns se encantam com os progressos tecnológicos e científicos. Outros valorizam as conquistas dos atletas e a abnegação dos voluntários de diversas áreas. Mas há quem tome gosto por notícias de violência, corrupção e tragédia.
Por certo não é possível e nem desejável ignorar o mal ainda existente no mundo. Ele deve ser identificado e combatido, com serenidade e competência. Mas não é viável centrar no mal toda a atenção, em detrimento do bem que também se desenvolve. A Humanidade é hoje muito melhor do que jamais o foi.
Há pouco mais de um século, havia escravos no Brasil. Eram seres humanos que podiam ser chicoteados, vendidos e assassinados por seus donos. Eles eram considerados apenas coisas, bens materiais de que se dispunha livremente. Hoje a própria idéia parece escandalosa. Mas por muito tempo ela foi considerada absolutamente natural.
A sensibilidade humana está se sofisticando. Algumas práticas admitidas no passado hoje causam estarrecimento e revolta. Trata-se do progresso modelando os costumes e os sentimentos. A Humanidade está sendo preparada para uma fase mais sublime de sua existência imortal. Nela, a fraternidade, o mérito e a justiça devem reinar soberanos.
Apresse a depuração de seu mundo íntimo vivendo, valorizando e refletindo sobre o bem.
É uma questão de escolha.
Pense nisso.
Saindo do poço Maio 27, 2008
Posted by Ramon Silva in Momento Espírita, Motivação, Paciência, Perseverança, Reforma Íntima, Revolução, Sabedoria, Tempo, Trabalho.1 comment so far
Narra uma lenda chinesa que no fundo de um poço pequeno, mas muito fundo, vivia um sapo. O que ele sabia do mundo era o poço e o pedaço de céu que conseguia ver pela abertura, bem no alto. Certo dia, um outro sapo se abeirou da boca do poço.
Por que não desce e vem brincar comigo? É divertido aqui. – Convidou o sapo lá embaixo.
O que tem aí? – perguntou o de cima.
Tudo: água, correntes subterrâneas, estrelas, a luz e até objetos voadores que vêm do céu.
O sapo da terra suspirou.
Amigo, você não sabe nada. Você não tem idéia do que é o mundo.
O sapo do poço não gostou daquela observação.
Quer dizer que existe um mundo maior do que o meu? Aqui vemos, sentimos e temos tudo o que existe no mundo.
Aí é que você se engana, falou o outro. Você só está vendo o mundo a partir da abertura do poço. O mundo aqui fora é enorme.
O sapo do poço ficou muito chateado e foi perguntar a seu pai se aquilo era verdade.
Haveria um mundo maior lá em cima?
O pai confirmou: Sim, havia um outro mundo, com muito mais estrelas do que se podia ver dali debaixo.
Por que nunca me disse? – perguntou o sapinho, desapontado.
Para quê? O seu destino é aqui embaixo, neste poço. Não há como sair.
Eu posso! Eu consigo sair! – falou o sapinho.
E pulou, saltou, se esforçou. O poço era muito fundo, a terra longe demais e ele foi se cansando.
Não adianta, filho. – tornou o pai a dizer. Eu tentei a vida toda. Seus avós fizeram o mesmo. Esqueça o mundo lá em cima. Contente-se com o que tem ou vai viver sempre infeliz.
Quero sair! Quero ver o mundo lá fora! – chorava o filhote.
E passou o resto da vida tentando escapar do poço escuro e frio. O grande mundo lá em cima era o seu sonho.
***
Um pobre camponês de apenas 8 anos de idade não se cansava de ouvir esta lenda dos lábios de seu pai. Vivendo a época da revolução cultural na China de Mao Tsé Tung, o menino passava fome, frio e toda sorte de privações.
Pai, estamos em um poço? – perguntava.
Depende do ponto de vista. – respondia o pai.
Mais de uma vez o garoto se sentia como o sapo no poço, sem saída. Mas ele enviava mensagens aos Espíritos. Pedia vida longa e felicidade para sua mãe. Pedia pela saúde de seu pai, mas, mais que tudo, ele pedia para sair do poço escuro e profundo. Ele sonhava com coisas lindas que não possuía. Pedia comida para sua família. Pedia que o tirassem do poço para que ele pudesse ajudar seus pais e irmãos.e Ele pedia, e sonhava, e deixava sua imaginação levá-lo para bem longe.
Um dia, a possibilidade mais remota mudou de modo total o curso da sua vida. Ele foi escolhido entre centenas de camponeses e foi fazer parte de algumas das maiores companhias de balé do Mundo. Um dia, ele se tornaria amigo do Presidente e da Primeira-dama, de astros do cinema e das pessoas mais influentes dos Estados Unidos. Seria uma estrela: o último bailarino de Mao Tsé Tung.
Li Cunxin saiu do poço.
***
Nunca deixe de sonhar! Nunca abandone seus ideais. Mantenha aquecido o seu coração e vivas as suas esperanças. O amanhã é sempre um dia a ser conquistado!
Pense nisso!
O amor perante a indignidade Maio 17, 2008
Posted by Ramon Silva in Amor, Momento Espírita, Paciência, Perseverança, Reforma Íntima, Sabedoria.Tags: jesus
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É comum o cristão experimentar a angustiante sensação de que não está à altura da crença que esposa. Ele pensa que não se esforça o bastante para viver o que acredita. Ou que seus esforços não dão os resultados que gostaria. Uma triste dúvida por vezes lhe baila na mente:
Será que ele é apenas um hipócrita, enamorado de belos ideais, mas sem colocá-los em prática?
O modelo cristão é bastante elevado. Trata-se da figura do Cristo, sublime sob todos os aspectos. Embora em constante contato com seres ignorantes e transviados, preservou Sua pureza. Ensinou, curou e exemplificou as mais excelsas virtudes. Submetido às maiores violências, perdoou imediatamente.
Rigorosamente paciente com os simples e ignorantes, soube usar de energia ao tratar com os poderosos e os sábios de coração vazio. Jesus alterou a História e os valores da Humanidade. Com ele, a palavra amor ganhou uma nova acepção. Não mais se tratava apenas de erotismo ou de amizade, conforme o legado dos filósofos gregos. Tinha-se doação incondicional, sem qualquer expectativa de retorno.
Surgiu a concepção de que o semelhante deve ser amado apenas porque existe, independentemente de seus valores e de seus atos. Aí reside um fator de dificuldade para uma boa parte dos cristãos.
A figura de Jesus cintila em Suas perfeições. O relato de Seus feitos provoca um intenso desejo de segui-Lo, de imitar-Lhe a conduta. Mas para isso é preciso desenvolver um amor desinteressado e abrangente. Entretanto, a Humanidade parece tão lamentável e suscita tão pouca simpatia!
Pessoas genuinamente boas são raras no Mundo. Já os desonestos são tão abundantes e ardilosos! As notícias sobre políticos corruptos não colocam o coração humano em disposição amorosa. Os criminosos sempre estão a conseguir um modo de sair da cadeia.
Vê-se por todo lado a esperteza, a desonestidade e o egoísmo. Parece que todo mundo está à cata de vantagens e de privilégios. Fala-se mais em greves do que em serviços eficientemente prestados. Amar uma Humanidade assim parece uma tarefa bem difícil, quase impossível… Entretanto, Jesus é o Modelo e conviveu com homens ainda mais rudes e os amou.
Um fator importante a considerar é que cada qual recebe conforme suas obras. A Justiça Divina preside a harmonia universal. Não é necessário gastar tempo com atitudes de revolta e inconformismo. As leis humanas são falhas e freqüentemente são burladas. Mas as Leis Divinas são incorruptíveis e infalíveis.
Todo ato, seja digno ou indigno, tem naturais e automáticas repercussões. Assim, os que se permitem viver no mal devem apenas ser lamentados. Eles estão semeando dores em seus destinos. Conforme afirmou o Mestre na cruz, eles não sabem o que fazem.
Ciente dessa realidade, não deixe que a miséria moral alheia seja um obstáculo à sua piedade e ao seu amor. Mesmo que você não consiga fazê-lo com perfeição, esforce-se em amar seu semelhante.
Os ignorantes e indignos são apenas os mais necessitados de compreensão e auxílio.
Pense nisso.
Sabedoria na doação Maio 2, 2008
Posted by Ramon Silva in Paciência, Reforma Íntima, Sabedoria, Tempo.add a comment
Não é raro que, na ânsia de fazer o bem, nos disponhamos a dar coisas, distribuir alimentos. Não é raro também se ouvir frases de decepção, do tipo: As pessoas nunca estão satisfeitas. Se ofereço sopa, elas perguntam se não há algo mais. Se distribuo roupas, reclamam da cor e do modelo. Ou ainda: Acredita que o andarilho falou que não queria o cobertor?
Essas situações nos remetem a uma outra, vivida no século passado, durante a revolução cultural da China.
Fang era uma pessoa compreensiva e receptiva a novas idéias. Uma das grandes realizações dos Guardas Vermelhos fora a criação de escolas noturnas, cujo objetivo era transmitir aos camponeses as idéias comunistas de Mao. Todos recebiam cópias do Livro Vermelho.
Fang era analfabeta. Por isso, dois jovens e entusiasmados Guardas Vermelhos decidiram ensiná-la a ler. Ela nunca chegou a reconhecer palavras isoladas. Mas, conseguiu memorizar parágrafos inteiros dos ensinamentos de Mao. Enquanto lavava a roupa, limpava a casa, costurava ou cozinhava, seus lábios se moviam. Ela recitava, em silêncio, passagens do Livro Vermelho. Por isso, foi considerada uma aluna-modelo.
Pouco tempo passado, duas jovens da Brigada Vermelha foram visitá-la. Desejavam verificar seus progressos na leitura. Fang disse que estava ocupada, que elas voltassem depois. Naquela manhã, o carvão usado se recusava a acender e o pequeno cômodo estava tomado pela fumaça. As moças se foram, mas, voltaram logo depois, insistindo que era preciso verificar se a senhora entendera os ensinamentos do Livro Vermelho de Mao. Tinham de entregar, naquela noite, um relatório ao líder do grupo. Fang ficou impaciente. Ela pediu que uma das moças assumisse seu lugar na cozinha, que a outra tentasse acender o fogo. Elas se entreolharam confusas. Então, a camponesa desabafou:
Eu poderia passar todos os dias, por todo o resto da minha vida, decorando os ensinamentos de Mao. Mas quero saber: Quem vai arrumar, limpar e cozinhar? Quem vai dar banho nos meus sete filhos, costurar as roupas deles, preparar três refeições por dia, todo santo dia? Quem vai fazer mágica para conseguir cozinhar? Vocês pensam que as palavras do Presidente Mao enchem barriga? Se vocês vierem aqui todos os dias para me ajudar nas minhas tarefas, eu aprendo o que quer que queiram me ensinar. E muito mais.
As moças foram embora, sem dizer nada. E nunca mais voltaram àquela casa.
Desejando fazer o bem, analise o que especialmente as pessoas que você pensa auxiliar, necessitam. Algumas carecem de pão, outras necessitarão agasalho. Alguém pedirá que você lhe decifre o alfabeto. Outro mais desejará dinheiro para se locomover a determinado local. Aquele sonha em freqüentar bancos escolares.
Pense nisso: o importante não é dar. É dar com sabedoria a cada um aquilo de que carece e anseia. Desta forma, o seu benefício alcançará superiores objetivos, suprindo a real necessidade.
Onde mora a paz? Abril 17, 2008
Posted by Ramon Silva in Paciência, Reforma Íntima.Tags: Paz, Silêncio
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Pedro mora próximo à Rua 23 de Maio há 15 anos. Nos últimos tempos, está à beira de um ataque de nervos, pois não consegue mais suportar o barulho ininterrupto dos carros. Ele tem algumas escolhas: trabalhar pelo fechamento da avenida – ao menos à noite; pela modificação da legislação de poluição sonora ou uso de automóveis; ou ainda, mudar-se.
É importante, porém, comentar também sobre seu vizinho, Bernardo. Bernardo vive ao lado de Pedro, também de frente para a Rua 23 de Maio. Perguntado a ele o que achava de viver naquele apartamento, a resposta foi surpreendente. Revelou que adora viver ali. Ele acha linda a vista que tem do apartamento. Disse que pode ver o maravilhoso nascer do sol de sua janela. Adora observar a cidade. Perceber os habitantes caminhando ou em seus carros, e os resistentes passarinhos que aprenderam a viver com a civilização. Numa conversa entre os dois, Pedro não agüentou, e questionou: Mas e o barulho? Você não se incomoda com toda esta barulheira que não tem fim? Bernardo respondeu: Olhe, fico tão concentrado nos meus afazeres, que eu nem percebo o barulho. Pedro não podia acreditar. Achou, por um instante, que o vizinho tinha problemas auditivos, e falando bem baixo, tentou descobrir se ele era surdo. Mas não era. Ouvia muito bem.
Como explicar isso? Ele ouvia muito bem e não se incomodava com o barulho? E à noite? – perguntou ainda Pedro, indignado – Como você faz para dormir?
Vou ser bem sincero, caro amigo – respondeu Bernardo – à noite, ao deitar, sinto-me tão feliz com o dia vivido e com as coisas que tenho feito, que também não me incomodo com barulho algum.
Pedro pôde ver sinceridade e pureza nos olhos e nas palavras do contérmino morador. Naquele momento ele percebeu a razão de se incomodar tanto com aquelas coisas: ele não era feliz com o dia que tinha, e nem com as coisas que fazia.
Um outro personagem também ilustra bem a reflexão proposta:
Trata-se de Daniel. Jovem, de família abastada, casado, e morador de um condomínio fechado. Daniel foi presenteado por seus pais com uma casa no litoral. Ficou, a princípio, muito animado com a mudança. Afinal, haveria lugar mais tranqüilo e pacífico do que próximo ao mar?
Os dias passaram, e ele percebeu, pouco a pouco, que não seria capaz de suportar aquele estilo de vida. Aquele barulho constante de ondas quebrando; gaivotas gritando logo cedo; aquela umidade de maresia; a areia que insistia em acompanhá-lo em seu carro e em sua casa.
Daniel entrou em crise. Variava entre estados de irritação e depressão. Começou a tomar remédios, e decidiu: iria se mudar dali.
Onde mora a paz? Será que a paz está na ausência de ruídos externos? Será que para dormir em paz precisamos apenas de silêncio?
A paz tem moradia em nosso íntimo, e enquanto não formos felizes com nossos dias, com as coisas que fazemos, não a encontraremos. Não basta mudar deste para aquele local. Faz-se necessário mudar-se na intimidade. Deixar para trás o lar das atividades fúteis, das conquistas passageiras, e fixar morada na casinha aconchegante da alegria de viver, do amor à família, do prazer de servir.