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A opção da simplicidade setembro 30, 2008

Posted by Ramon Barbosa in Motivação, Reflexão, Sabedoria, Tempo.
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Muitas pessoas reclamam da correria de suas vidas. Acham que têm compromissos demais e culpam a complexidade do mundo moderno. Entretanto, inúmeras delas multiplicam suas tarefas sem real necessidade.

Viver com simplicidade é uma opção que se faz. Muitas das coisas consideradas imprescindíveis à vida, na realidade, são supérfluas. A rigor, enquanto buscam coisas, as criaturas se esquecem da vida em si.

Angustiadas por múltiplos compromissos, não refletem sobre sua realidade íntima. Olvidam do que gostam, não pensam no que lhes traz paz, enquanto sufocam em buscas vãs. De que adianta ganhar o mundo e perder-se a si próprio? Se a criatura não tomar cuidado, ter e parecer podem tomar o lugar do ser.

Ninguém necessita trocar de carro constantemente, ter incontáveis sapatos, sair todo final de semana. É possível reduzir a própria agitação, conter o consumismo e redescobrir a simplicidade. O simples é aquele que não simula ser o que não é, que não dá demasiada importância a sua imagem, ao que os outros dizem ou pensam dele.

A pessoa simples não calcula os resultados de cada gesto, não tem artimanhas e nem segundas intenções. Ela experiencia a alegria de ser, apenas. Não se trata de levar uma vida inconsciente, mas de reencontrar a própria infância. Mas uma infância como virtude, não como estágio da vida.

Uma infância que não se angustia com as dúvidas de quem ainda tem tudo por fazer e conhecer.

A simplicidade não ignora, apenas aprendeu a valorizar o essencial.

Os pequenos prazeres da vida, uma conversa interessante, olhar as estrelas, andar de mãos dadas, tomar sorvete… Tudo isso compõe a simplicidade do existir.

Não é necessário ter muito dinheiro ou ser importante para ser feliz.  Mas é difícil ter felicidade sem tempo para fazer o que se gosta. Não há nada de errado com o dinheiro ou o sucesso. É bom e importante trabalhar, estudar e aperfeiçoar-se.  Progredir sempre é uma necessidade humana.  Mas isso não implica viver angustiado, enquanto se tenta dar cabo de infinitas atividades. Se o preço do sucesso for ausência de paz, talvez ele não valha a pena.  As coisas sempre ficam para trás, mais cedo ou mais tarde.  Mas há tesouros imateriais que jamais se esgotam. As amizades genuínas, um amor cultivado, a serenidade e a paz de espírito são alguns deles.

Preste atenção em como você gasta seu tempo. Analise as coisas que valoriza e veja se muitas delas não são apenas um peso desnecessário em sua existência. Experimente desapegar-se dos excessos.  Ao optar pela simplicidade, talvez redescubra a alegria de viver.

Pense nisso.

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Um amor além do tempo setembro 24, 2008

Posted by Ramon Barbosa in Amor, Família, Perseverança, Reflexão.
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Até onde vai a sua capacidade de amar? Por quanto tempo você continuaria a amar alguém que desaparecesse de sua vida?

Foi a inimaginável condição de amar daquela mulher chinesa que chamou a atenção da jornalista. Quando entrou em sua sala, para a entrevista, as roupas tibetanas que portava exalavam um cheiro forte de pele de animal, leite azedo e esterco. Era uma indumentária, ao mesmo tempo vestuário, mochila, esteira e travesseiro.

A túnica era provida de bolsos internos para livros e dinheiro. O lado de dentro da cintura da túnica escondia dois grandes sacos de couro, destinados a acondicionar comida para as viagens. Para dormir, a túnica servia de esteira e os grandes sacos de couro de coberta.

Ela havia se casado nos idos de 1958. Menos de 100 dias depois, seu marido, um médico do exército chinês de libertação do povo, foi mandado para o Tibete. Dois meses depois, ele foi dado como perdido. A jovem esposa de 26 anos se recusou a aceitar a sua perda daquela forma e decidiu partir à sua procura.

Por onde andaria seu amor? Teria ela que resgatá-lo de alguma condição muito ruim?

Decidida, se juntou ao exército, na qualidade de médica. Era a única forma de viajar para o Tibete, naqueles anos difíceis.

Andou por terras montanhosas, habitadas por uma mistura de mongóis, tibetanos e chineses.

Shu Wen se tornou budista tibetana e procurou seu amor, durante 30 anos. Experimentou o que era viver em silêncio, experienciou severas condições de vida, sentiu-se esmagar pela altitude, pelo vazio da paisagem…

O que terá sofrido aquela jovem, enquanto os anos lhe amadureciam a personalidade e lhe deixavam áspera a pele e trêmulas as mãos?

Ela testemunhou a incrível engenhosidade do povo tibetano, que consegue viver com escassos recursos. Viu comida escondida na terra congelada para ser recolhida depois, madeira armazenada embaixo de pedras para servir de combustível, pedras empilhadas para indicar direções. Conheceu homens que costuravam e mulheres multicoloridas que tilintam.

Porque as roupas tibetanas são feitas à base de couro e metal, costurá-las é um trabalho fisicamente pesado, pelo que é, principalmente, uma ocupação masculina. E as mulheres tibetanas, não importa quão pobres sejam, dão grande importância às suas jóias. Por isso, onde quer que vão, quando se movem, lá está o tilintar de sininhos e guizos.

Trinta anos de peregrinação por regiões inóspitas, enfrentando frio, fome, solidão. Sempre adiante. Uma mulher que aprendeu a se defender do tempo, da maldade e alimentou a sua busca com a doçura do amor reservado para quem era o objeto de todas suas andanças: o marido.

* * *

Nesses dias, em que os relacionamentos conjugais parecem tão frágeis, em que os consórcios se desfazem por tudo e por nada, o exemplo dessa mulher leva a concluir que o verdadeiro amor não morre nunca. O verdadeiro amor tudo vence, porque guarda a certeza de que o ser amado é credor inconteste de sua dedicação, paixão, luta e esperança.

Pensemos nisso.

A tarefa dos pais setembro 23, 2008

Posted by Ramon Barbosa in Amor, Família, Reflexão, Reforma Íntima, Sabedoria.
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Quando se anuncia a chegada de um novo membro na família, há grande alegria. Os pais se desdobram em complexos preparativos. Por ocasião do nascimento, há arroubos de ternura. A Sabedoria Divina veste os Espíritos que retornam à carne com encantadora roupagem.

Frágeis e graciosos, eles inspiram cuidados e afeto. É com enternecimento que os pais acompanham o crescimento de seus pequenos rebentos. Desejosos de que sejam muito felizes, tomam inúmeras providências. Colocam-nos nas melhores escolas, cuidam de sua saúde, os defendem de tudo e de todos.

É bom e natural que seja assim, pois a tarefa dos pais envolve o cuidado e o preparo de seus filhos para os afazeres da vida. Entretanto, essa tarefa é muito mais vasta.

Todo bebê que nasce representa um antigo Espírito que retorna ao cenário terrestre. Como terá de viver em um mundo materializado, ele precisa receber educação formal e todos os demais cuidados que essa circunstância inspira. Entretanto, como Espírito imortal, não renasce na carne para vencer os outros e brilhar em questões mundanas. Todo Espírito precisa crescer em intelecto e em moralidade.

No atual estágio da evolução humana, há um certo descompasso entre esses dois aspectos. A busca pelo bem-estar e mesmo o egoísmo fazem com que a criatura procure modos de viver o melhor possível.

Ao cuidar de seus interesses, ela exercita naturalmente a inteligência. Entretanto, sob o prisma ético, a evolução costuma ocorrer de forma algo mais vagarosa. Um contingente muito significativo dos Espíritos demora bastante para sentir o próximo como um semelhante. Surge tardiamente a compreensão de que o outro também tem sonhos, sofre, chora e merece respeito e amparo.

O aspecto moral é atualmente deveras crítico. Para as criaturas em geral não falta capacidade de raciocínio. Falta-lhes retidão de caráter, compaixão e pureza. Conseqüentemente, a desenvolver tais qualidades é que os pais precisam se dedicar. Se apenas cuidarem para que os filhos sejam felizes, sob o prisma mundano, falirão em sua tarefa. Os filhos terão nascido para buscar uma coisa, mas os pais os direcionarão a conquistar outras. Isso implicará a perda de uma preciosa oportunidade.

Então, é necessário cuidar da instrução formal das crianças e adolescentes. Mas é primordial ensinar-lhes respeito ao próximo. Os jovens precisam aprender que a família e os bens dos outros são sagrados. Que a tolerância é uma virtude preciosa em um mundo cheio de facetas. Que a consciência tranqüila constitui o maior tesouro que se pode possuir.

Mas, para que a lição não seja hipócrita, os pais devem exemplificar, e não apenas falar.

Pense nisso.

Nossos Pressentimentos setembro 22, 2008

Posted by Ramon Barbosa in Reflexão, Reforma Íntima, Tempo.
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No jardim, na camaradagem do silêncio, Tammy pensava. Como eram diferentes os dias de agora. Diferentes porque seu amado não estava com ela. Rustom, com sua risada franca, sua confiança ilimitada. Rustom que era capaz de entrar em qualquer lugar e, em poucos minutos, se pôr imediatamente à vontade, deixando as pessoas ao seu redor também à vontade. Rustom, seu amado marido, que era capaz de fazer rir à sua nora, ao seu filho.

As folhas das árvores farfalharam, trazendo mais lembranças para Tammy. Ano anterior. Seu marido e o filho na piscina do hotel. Ambos com água pelos joelhos, brincavam. E Rustom gritou para a esposa e a nora:

Vocês sabem o que estamos fazendo? Estamos criando lembranças para o futuro. Uma coisa alegre para vocês recordarem, quando os velhos já não estivermos por perto.

O filho puxara a cabeça do pai para perto de si, apertando-a contra o peito e argumentara que, rijo como era seu pai, com certeza ele sobreviveria a todos eles.

Rustom respondera com um sorriso e versos do poeta Omar Khayyam: Quando a hora chega, chega. Move-se a mão que escreve e, tendo escrito, segue adiante.

Tammy agora pensava se o marido tivera uma intuição de que ia morrer. E lembrava dos dias seguintes, de ternuras redobradas, atenções multiplicadas, sorrisos explodindo a toda hora. Seu marido estava lhe ofertando momentos de alegria para recordar depois, quando a saudade vibrasse forte?

Fora um choque ter a notícia de que aquele coração generoso parara de bater. Sístoles, diástoles, tudo cessara. A bomba cardíaca deixara de operar e logo a morte enrijecia aquele corpo, cuja ausência ela sentia tanto.

Será, continuava a pensar Tammy, será que podemos saber o momento de nossa morte?

* * *

Ninguém avança pela estrada do progresso espiritual sem o auxílio da Divindade, por intermédio dos nobres Espíritos que se transformam em guias da Humanidade. São eles que assessoram os homens, zelando por eles, na qualidade de anjos guardiães. São essas almas excelsas que, conhecendo as ocorrências que, de forma geral, estão delineadas para os seus pupilos vivenciarem, os inspiram ou guiam pela senda mais apropriada. Através dessa inspiração é que acontece o chamado pressentimento.

Também acontece que o próprio Espírito reencarnado recorda, de forma espontânea, da programação que para si traçou, antes de reencarnar. Dessa forma, pode ter, como intuição, a advertência de que seus dias na Terra estão finalizando. Por isso, idealiza passeios, diligencia providências que evitarão transtornos para sua família, torna-se mais alegre ou mais introspectivo.

Em uma palavra, ele se vai despedindo da vida, deixando um rastro de bondade, de alegria para que os seus amores tenham recordações positivas para alimentar a imensa saudade dos dias da sua ausência.

* * *

Fiquemos atentos aos pressentimentos, analisando-os de forma clara e tranqüila, quando ocorram. Avaliemos qual a mensagem de advertência ou socorro de que se fazem portadores. Apuremos nossa sintonia com os Espíritos guias, a fim de que com maior facilidade possamos registrar e direcionar de forma saudável e proveitosa os pressentimentos.

O país que eu quero setembro 8, 2008

Posted by Ramon Barbosa in Motivação, Perseverança, Trabalho.
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Foi num dia 7 de setembro, no século XIX. A História encheu de magia o gesto espontâneo de um imperador amante do Brasil. 

E Laços fora! EI Independência ou morte! são frases repetidas, dramatizadas, recordadas a cada novo Sete de Setembro. Desfiles militares, hasteamento da bandeira, execução do hino nacional se sucedem em rememoração à Independência do Brasil.

Olhando para as ruas do meu país, nesse festejar de 186 anos de independência, me surpreendo com os desejos de minha alma patriota. Da alma que assiste o pavilhão nacional tremular ao vento, mostrando as cores vibrantes que falam de verdura, riqueza, um céu de estrelas, ordem e progresso.

Quero um país independente, uma nação livre. Livre da corrupção, da desonestidade e do compadrio. Livre das drogas, das armas de guerra e dos discursos vazios, da violência de todas as cores. Quero um país onde as crianças possam sair à rua, para suas brincadeiras, sem medo de seqüestros. Possam ir à praia, ao campo, jogar futebol na quadra da esquina, sem que tenham de se esquivar de balas perdidas.

Eu quero um país onde se respeite o idoso, não porque ele não tenha a destreza da juventude, mas porque nele se reconheça a experiência dos anos vividos e das contribuições à sociedade por largos anos de trabalho.

Eu quero um país sem medo do amanhã. Um país que tenha os olhos no futuro e, por isso, invista na formação do cidadão. Um país com escolas, bibliotecas e museus, franqueadas a todos. Um país que preze seu passado e nunca esqueça dos seus heróis. Dos heróis que defenderam suas fronteiras, com armas, com leis, com a vida e com a voz. Dos heróis de todos os dias, de todas as raças, que deixaram seu torrão natal e adotaram uma nova pátria. Dos heróis que suaram sangue, trabalharam duro, desbravaram matas, criaram filhos. Dos heróis que a História venera. Dos heróis que deram sua vida pelo ideal de uma nação sem escravidão. Uma nação de irmãos.

Eu quero um país responsável, onde os governantes sejam conscientes de seus deveres. E onde o povo eleja seus representantes, não iludidos por promessas utópicas, mas porque conhecem a vida honrada do candidato e suas propostas maduras, coerentes, viáveis de aplicação a curto, médio e longo prazos.

Eu quero um país justo, que ampare a quem trabalhe, não àquele que somente sabe enumerar pretensos direitos. Um país que proteja seus filhos, preserve suas riquezas, distribua seus bens.

Um país de paz. Um país de luz.

O país que eu quero não é irreal, nem impossível. Ele somente depende de mim, de você, de cada um dos seus mais de 180 milhões de habitantes.


Pensemos nisso, hoje, agora, enquanto os versos do hino pátrio nos exortam a agradecer a Deus por um país tão vasto, tão rico, tão maravilhosamente pleno de belezas naturais e oportunidades de progresso.

Um homem diferente setembro 6, 2008

Posted by Ramon Barbosa in Reflexão, Reforma Íntima, Revolução, Sabedoria.
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O que faz que uma pessoa se destaque, no contexto social?

Dirão alguns, talvez, que a soma dos valores que detém em contas bancárias, aplicações, rendas, bens móveis e imóveis. Poderão pensar outros que o destaque se pode dar no ambiente artístico, cultural, político. A pessoa também poderá se destacar pela inteligência, pela visão de mundo, adiante de seu próprio tempo. Ou pela beleza, pelo porte, pelo discurso fácil, ágil, atilado. No entanto, o maior destaque, com certeza, é no campo moral. A intimidade do ser.

Porque alguém pode ser muito rico, belo, de discurso impecável, um cientista, uma alta inteligência e ser moralmente pobre. Na atualidade, o tom dominante parece ser o de fazer o que todos fazem. Assim, os homens desejam mostrar virilidade, sendo comandantes de sua própria casa. As mulheres desejam demonstrar que são belas e desejadas, que jamais a solidão as haverá de abraçar. E assim por diante…

Dizemos que isso faz parte da cultura do país onde se vive, do mundo onde nos movemos. Será que não podemos destoar do comum? Será que não podemos nos destacar, exatamente por sermos diferentes?

Na Índia, entre os parses, a mulher é educada para servir ao homem. Ela deve lhe dar muitos filhos, pois se assim não for, significa que algo errado existe na relação matrimonial. Ela deve ser-lhe a servidora, preparando-lhe os pratos de arroz, lentilhas, carnes, a cada dia. Deve zelar pela sua roupa, porque ele precisa parecer impecável aos olhos do mundo. 

Pois aquela mulher nascida em Calcutá se apaixonara por um jovem de Bombaim. Conhecera-o em casa de uma amiga, em uma festa. Pouco mais de 4 meses depois, estava casada. Logo que os dois se casaram, ela havia insistido em passar a ferro as camisetas finas para ele. Ele, no entanto, fincara pé e lhe dissera que se casara com ela por amor e para ter a sua companhia. Se desejasse simplesmente alguém que lavasse e passasse a sua roupa teria se casado com quem trabalhava exatamente para cuidar do seu vestuário.

Seu senso de justiça, sua indignação moral diante do status inferior das mulheres, entre os seus, era inigualável. Mais de uma vez a jovem sentira a inveja das amigas. Qual é o segredo? Lhe indagavam. Como foi que você o treinou tão bem? Mas ela dizia que nada tinha a ver com isso. Ele chegara a ela desse jeito. Ele é a pessoa mais justa que eu conheço. Acredita na igualdade de direitos para as mulheres.


Um homem diferente, destoando entre os de sua estirpe. Dentro de sua própria comunidade. Isso nos diz que não importa onde vivamos, a cultura que se nos impõe. Cada qual pode, dentro de seus parâmetros de justiça e moral, ser diferente. Destoar para melhor. Ser uma flor perfumada, colorida, num campo cinzento de erva seca e dura.

Pensemos nisso!

A resposta de Deus setembro 5, 2008

Posted by Ramon Barbosa in Amor, Reflexão.
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É como mergulhar em um mar de águas geladas. Por toda parte o frio, o abandono. Ninguém à vista, nada de sorrisos calorosos, mãos amigas, solidariedade.

É assim quando o mundo nos vira as costas, os amigos fogem, e nada parece dar certo. Nesses momentos temos vontade de perguntar: Onde estão as pessoas gentis, os bons sentimentos? Onde se escondeu o amor, que todos louvamos?

Nos escaninhos da alma então cresce um sentimento infeliz: O de que não somos dignos de ser amados. E queremos tanto ser amados! Queremos alegrias, carícias, gentilezas e sorrisos. Se isso nos falta, resta uma sombra cinzenta, um coração partido.

E é assim que da garganta parte um pedido de socorro, um grito que corta os céus e chega a Deus. E que diz, entre soluços: Meu Pai, será que podes me ouvir? Estás aí? Deixa-me sentir Tua mão por um só instante. E se a alma está atenta, o coração aberto, a luz abre caminho entre as sombras. É como o sol surgindo após a chuva, seus raios dissipando nuvens pesadas, seu calor se espalhando pela Terra.

É a resposta de Deus. Sua voz soa nos nossos ouvidos, sussurrando: Sim, Meu filho, estou aqui. Confia, espera, supera, aguarda. Estou aqui. Somente essa voz divina tem o poder de restaurar nossa alma, de tornar cálida a água gelada que nos cerca.

Deus é alegria. Estar unido a Ele é alcançar o permanente contentamento, Sua voz ecoando no coração, consolando, explicando. É como música feliz que leva para longe as mágoas, restaura a paz e devolve o sorriso. Por isso, nas horas árduas, quando a solidão se instalar e as lágrimas chegarem, apenas silencie a voz na garganta. Deixe apenas a alma falar. E em vez de queixas, permita que a voz secreta busque Aquele que criou todas as coisas. Dirija ao Pai Divino uma oração de reconhecimento e amor.  Algo mais ou menos assim: 

Na caminhada dos dias, nos caminhos do Mundo, na humildade de minha alma, eis-me aqui, meu Amigo, meu Amado. Faz da minha vida o que for melhor para mim. Mesmo que meus pés sangrem, mesmo que meus lábios só emitam gemidos, confio em Ti.

Ouvir Tua voz na natureza é como recordar uma canção de infância. Violões em notas claras traduzindo brisas e risadas de criança. À Tua sombra existe serenidade e paz. A paz que sempre busquei.

És minha água, meu sol, o ar mais puro. Por isso meu único pedido é que me deixes apenas Te amar.

* * *

Deus está em toda parte, e, obviamente, em ti e contigo também. Procura encontrá-Lo, não somente nas ocorrências ditosas, senão em todos os fatos e lugares. Reserva-te a satisfação de ser cada dia melhor do que no anterior, de forma que Ele em ti habite e, sentindo-O, conscientemente, facultes que outros também O encontrem.

O que fica oculto setembro 5, 2008

Posted by Ramon Barbosa in Justiça.
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Atualmente, todos clamam contra a impunidade. Os meios de comunicação desvendam, sem cessar, variados tipos de ilícito e causa indignação constatar como o processo de punição é moroso e falho.

Muitos corruptos encontram brechas no sistema legal e escapam ilesos. Grandes criminosos persistem livres, enquanto lançam mão de incontáveis recursos judiciais. O dinheiro público some sem que ninguém seja responsabilizado. Obras são superfaturadas e os encarregados afirmam total ignorância do ocorrido.

Enquanto isso, a sociedade brada indignada e pede providências. Entretanto, a justiça humana reprime apenas as condutas mais escandalosas.

O legislador terreno elege alguns dos comportamentos mais deletérios ao convívio social e os proíbe mediante punições. Ainda assim, os responsáveis, não raro, logram burlar as conseqüências legais. Ocorre que, acima e além dos regramentos humanos, pairam soberanos os Códigos Divinos.

Eles estabelecem a fraternidade, a pureza, o trabalho e a honestidade como deveres incontornáveis. Para estar em harmonia com o estatuto divino não basta parecer levar uma vida reta. De pouco adianta cumprir ritos ou ofertar ao mundo uma aparência de recato e sobriedade.

Inúmeros pequenos gestos implicam violação à lei de harmonia que rege a vida. Os pais que não educam seus filhos violam uma missão sagrada que lhes foi confiada. Ao não dedicar tempo ao burilamento moral de seus rebentos, desdenham a Lei de Trabalho. Conseqüentemente, respondem pelos desvios causados por sua inércia.

Cônjuges que se infelicitam, por palavras e gestos, desconsideram o mandamento da fraternidade.  Comentários cruéis a respeito do próximo igualmente vibram negativamente perante a Consciência Cósmica.

A vivência de tumultuosas paixões, atos que maculam a inocência alheia, o desamparo material ou moral de parentes necessitados ou enfermos…

Muitos são os exemplos de condutas não reprimidas pela legislação humana, mas incompatíveis com a Lei Divina e Natural.

Convém refletir sobre isso, sempre que surgir forte o desejo de bradar contra a impunidade do próximo.  Ninguém advoga que atos desonestos persistam isentos de conseqüências.

A sociedade necessita de regras para que o convívio de seus membros siga harmônico. O desrespeito a essas regras precisa ser reprimido, sob pena de se instaurar a anarquia. Mas, se o equívoco deve ser combatido, isso não pode implicar odiar os equivocados. É preciso medir a própria fraqueza antes de lapidar os outros.

As Leis Divinas jamais são enganadas. Embora certas baixezas permaneçam ocultas, ainda assim elas têm conseqüências impostas pelas Leis Divinas.

Por ora, a maioria dos habitantes da Terra ainda foge de algum modo de seu dever. Assim, importa lançar um olhar generoso ao próximo, enquanto se cuida de corrigir o próprio comportamento.

Urge gradualmente passar a não apenas afetar pureza, mas a vivê-la em plenitude.

Se você é a favor da responsabilização pelos atos praticados, veja como age em todos os setores de sua vida.

Cuide para que o que fica oculto não o condene perante sua consciência.

Você jamais poderá enganá-la.

Pense nisso.

Escândalo setembro 4, 2008

Posted by Ramon Barbosa in Perdão, Reflexão, Reforma Íntima, Revolução, Sabedoria.
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Em determinada passagem do Evangelho, Jesus afirma serem os escândalos necessários no Mundo, mas ai de quem os provoca.

No sentido vulgar do termo, escândalo significa evento ruidoso, que causa alvoroço ou estrépito.

Nessa linha, o problema residiria não no conteúdo da conduta, mas na sua repercussão. Desde que uma ação má não gerasse alarde, não haveria maiores problemas. Ocorre que esse sentido valoriza as aparências e a hipocrisia, em franco desacordo com as lições do Cristo.

Jesus afirmou, ao tratar do adultério, por exemplo, que o mero pensar com impureza já era condenável. Que se dirá então de ações francamente nefastas, apenas cometidas na surdina?

Parece possível interpretar a palavra escândalo, na acepção evangélica, como tudo o que causa tropeço ou embaraço nos caminhos próprio ou alheio. Tudo o que resulta dos vícios e imperfeições humanas, tudo o que viola os deveres de pureza e fraternidade, isso é um escândalo perante as Leis Divinas.

Mas qual a razão para os escândalos serem necessários?

O cerne da questão reside na evolução ainda incipiente dos habitantes da Terra, mormente no que diz respeito à moral. O planeta, ainda por um tempo, será morada de Espíritos rebeldes às Leis Divinas.

Mais do que em decorrência das condições materiais da Terra, a vida aqui é difícil por conta dos nossos inúmeros vícios. Violência, corrupção, promiscuidade, tudo isso gera infelicidade e transtornos.

Muitos são os escândalos produzidos diariamente pelos homens, em sua imperfeição. Salvo o caso das almas missionárias, os Espíritos radicados na Terra têm afinidade de sentimentos e valores, em maior e menor grau. O contato recíproco de criaturas viciosas tem variados efeitos. Ele provoca inevitável sofrimento pelo contínuo entrechoque de interesses. É cansativo defender-se cotidianamente da maldade alheia e conviver com esperteza e deslealdade. Esse contato também propicia o acertamento de dívidas cósmicas.

No longo processo de aprendizado da vida, o Espírito comete equívocos que precisa reparar. Ele necessita acertar-se com sua consciência, a fim de habilitar-se para estágios superiores da vida imortal. Também precisa adquirir paciência e generosidade e isso apenas se consegue perante criaturas falhas. Afinal, os anjos não desafiam a paciência de ninguém e nem necessitam de favores ou clemência.

Finalmente, o contato com o vício faz com que os homens lentamente se desgostem dele. O espetáculo das baixezas humanas é triste. Com o transcorrer do tempo faz surgir o ideal de vivências diferentes, plenas de pureza e compaixão.

Assim, nos estágios ainda inferiores da vida moral, o escândalo é infelizmente necessário. Mas ai do escandaloso, pois responde por todo o mal que causa, ainda que deste surja indiretamente o bem. Quando os homens se depurarem, o escândalo se tornará desnecessário e desaparecerá.

Eventuais acertos com a Justiça Cósmica se processarão na forma de efetivo trabalho no bem, a consubstanciar o amor que cobre a multidão de pecados, no dizer evangélico.

Assim, para alcançar a libertação de injunções dolorosas, cuide para não causar escândalo. Se alguém lhe fizer o mal, saiba que o verdadeiro prejudicado é o escandaloso. Ele desafia as Leis Divinas e desencadeia graves conseqüências na própria vida.

Quanto a você, perdoe e siga adiante.

O mundo através das lentes de consumo setembro 3, 2008

Posted by Ramon Barbosa in Reflexão.
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A realidade do consumir tem influenciado nossas vidas, mais do que podemos imaginar. Ver o mundo através das lentes do consumo nos faz exigir sempre o melhor, não importa se de um produto, de um relacionamento, de um emprego ou das pessoas que amamos. Buscar o melhor, procurar crescer, anelar excelência na vida, é certamente salutar.

Progresso, evolução, deve ser objetivo de todos na Terra. Porém, os excessos, os desequilíbrios de tais posturas é que nos trazem grandes problemas.

Exigir em demasia, tanto da vida, dos outros, e muitas vezes – por conseqüência – de si mesmo, traz-nos distúrbios de comportamento seríssimos. A questão é tão grave que já existe catalogação para este tipo de fobia: a atelofobia, que se constitui no medo da imperfeição. Sem falar na ansiedade crônica, que hoje já faz adoecer o mundo com seus venenos potentes.

Tudo parece dar a entender que se faz difícil viver numa sociedade onde o sofrimento, a tristeza, os defeitos e as fraquezas não são mais tolerados.  A indústria oferece soluções para qualquer tipo de problema, e para todos os tipos de bolso. São receitas de sucesso nas prateleiras das livrarias; pílulas da felicidade na farmácia da esquina; o corpo dos sonhos em troca de cheques a perder de vista… Criamos uma era da perfeição de massa, onde os defeitos são vistos como erros da natureza que podem ser corrigidos, deletados, deixados para trás.

O corpo parece deixar de ser determinado e passa a ser inventado. Um corpo fabricado pelas nossas escolhas, baseadas nos padrões vigentes da época. Padrões, muitas vezes, altamente questionáveis. Corremos o risco de deixar de ser aquilo que somos para nos transformarmos em um corpo sem marcas, sem história, sem humores. Em mera imagem.

Mas se não é bem essa sua intenção, experimente olhar o mundo através de lentes não viciadas em cânones ou padrões. Este olhar o mundo passa por olhar-se, em primeiro lugar.

Carl Gustav Jung, psiquiatra suíço, foi muito lúcido ao dizer: Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta.

Este é o momento de despertar. Despertar para os valores mais nobres da vida, e finalmente colocar nossa embarcação alma no rumo da felicidade verdadeira.

Nestes valores fundamentais estão a paciência, a compreensão das dificuldades e limitações do outro e nossas.

Está a compaixão – virtude de vivência dinâmica – que estende a mão ao próximo, para que cresça junto.

Está a resignação – virtude que aprende com a dor, retirando dela as lições preciosas que sempre traz, evitando a revolta e a negação.

A lei maior do progresso nos coloca na direção da perfeição, naturalmente, mas dessa perfeição que vem sendo construída de forma gradual no imo do Espírito.

Desejá-la de forma fácil, conveniente, e da maneira com que nós anelamos e achamos que deva ser, sempre será perigoso e próximo do desastre.

* * *

Evite o excesso de exigência para com os outros. Somos seres diferentes, pensamos diferente em muitas ocasiões, e por isso, exigir que as pessoas tenham o mesmo ângulo de visão que o nosso, para tudo, é absurdo.

O diferente está ao nosso lado por razões especiais. É com ele que aprendemos inúmeras virtudes, é com ele que crescemos e alcançamos a nossa gradual e certa perfeição.