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Agente da Providência abril 29, 2008

Posted by Ramon Barbosa in Amor, Momento Espírita, Sabedoria.
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A oração constitui um hábito da maior parte das pessoas. Conscientes de sua fragilidade, elas buscam manter contato com o Ser Supremo. Muitas pedem auxílio em questões materiais, como a conquista de um emprego ou a cura de uma enfermidade. Outras rogam por forças em momentos difíceis. Há quem busque junto ao Alto inspiração para bem conduzir sua existência, em um contexto de dignidade. Também não falta quem se lembre de orar em agradecimento por dádivas recebidas. Ou apenas como forma de entrar em contato com as esferas superiores da Espiritualidade.

O Evangelho relata diversas passagens nas quais o Cristo orou. Jesus era puro e sábio e mesmo assim não desdenhou o recurso da oração. Trata-se de um eloqüente sinal de que orar é imprescindível ao viver humano. Ao compor a oração dominical, o Mestre salientou que o homem deve perdoar, a fim de ser perdoado. Em outro momento, afirmou que o homem deve fazer ao próximo o que gostaria que ele lhe fizesse. Conclui-se que sempre se deve estar disposto a dar o que se deseja receber, em termos de auxílio e compreensão.

O Espiritismo ensina que os Espíritos são agentes da Criação. Eles encarnam com a finalidade de evoluir e amealhar conhecimentos e virtudes. Assim, adquirem condições de fazer a parte que lhes cabe na obra da Criação. Os Espíritos fazem parte da natureza. A inteligência humana integra o Plano Divino. Todo homem tem a missão de colaborar no aperfeiçoamento do mundo em que vive. Os projetos da Divindade se realizam pela ação de Suas criaturas.

Minúsculos animais, ao atuarem de forma inconsciente, auxiliam na elaboração de arquipélagos. A luta de incontáveis homens levou à supressão de práticas injustas, como a escravidão e a tortura. Cientistas estão sempre a descobrir a cura de doenças que infelicitam a Humanidade. As inovações tecnológicas, fruto do labor humano, tornam a vida mais fácil e interessante. Assim, a Providência Divina manifesta-se por intermédio do homem. Certamente, a tal não se circunscrevem os recursos divinos. Mas o atuar humano insere-se na forma natural pela qual as bênçãos do Criador atingem a Terra. A sua tarefa é tornar melhor o Mundo em que habita. E sempre deve fazer ao próximo o que deseja que lhe façam.

A resposta a suas orações habitualmente não vem de forma retumbante e mística. Ela, em regra, assume o contorno de pequenos acontecimentos que o auxiliam e esclarecem, pela atuação de terceiros. Desse modo, você pode e deve ser a resposta à prece que seus semelhantes dirigem ao alto. Preste atenção nas dificuldades dos homens que o rodeiam. Muitos precisam de um conselho prudente e sensato, a fim de não cometerem desatinos. Outros necessitam de uma palavra de compreensão, após errarem gravemente. Alguns estão em vias de desistir, após alguma derrota, e carecem de incentivo e esperança.

Você tem tanto para dar!

Conte seus tesouros e alegre-se em reparti-los. Deixe que o bem se manifeste por suas mãos. Seja um agente da Providência. Esta é a sua missão. Ao realizá-la, você alcançará paz e plenitude.

Pense nisso.

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Aja enquanto é tempo abril 26, 2008

Posted by Ramon Barbosa in Amor, Motivação, Sabedoria, Trabalho.
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Os homens são os artífices de seu destino. Essa verdade é constatada mediante singela observação do mundo que o cerca.

O aluno estudioso tira boas notas, passa por média e não se angustia com exames e repetências.Já o estudante preguiçoso está sempre envolto com notas baixas e reprovações. O profissional competente costuma ter mais clientes do que consegue atender. Vagas que exigem maiores qualificações permanecem abertas por longos períodos, embora haja muitos desempregados.

Sem dúvida, ninguém está livre de percalços. Uma pessoa inteligente e preparada pode ser surpreendida com desemprego ou momentos profissionais difíceis. Mas as crises são mais freqüentes para aquele que não tem formação sólida e fama de profissional competente. Assim, quem opta por assistir novelas em vez de estudar não pode reclamar se o sucesso não bater em sua porta.

Mesmo no âmbito das relações pessoais, cada um vive as conseqüências de seus atos. Alguém prudente no falar jamais se envolve nos transtornos que a maledicência provoca. Contudo, o tagarela sempre corre o risco de amealhar inimizades. A pessoa generosa suscita simpatias por onde passa. Quando necessita de ajuda, muitas mãos se movimentam em seu favor. Mas a criatura mesquinha e implacável está sujeita a ficar desamparada, pela antipatia que seu agir provoca.

Não é difícil verificar a Lei de causa e efeito atuando. Comportamento digno e sensato traz tranqüilidade e boa reputação. Desonestidade, preguiça e leviandade causam infinitos transtornos. Certamente há eventos que superam qualquer expectativa e semeiam dores na vida de pessoas honradas e previdentes. Mas aí em geral se tem o efeito de causas remotas. As grandes dores que nada pode evitar e não são causadas pelo agir atual refletem o acertamento de antigos equívocos.

A Justiça Divina reina soberana no Universo. Ela propicia liberdade para os Espíritos viverem conforme seus gostos e opções. Mas cada qual é estritamente responsável pelo que faz. Muitas vezes, a conseqüência do agir equivocado não se produz rapidamente e nem na mesma existência. A Lei Divina não se engana e nunca perde o endereço de quem a ofendeu. Mas ela não se mostra apenas como justiça, mas também como misericórdia. Por isso dá tempo para o calceta adquirir forças para os resgates necessários. E principalmente aguarda que ele se resolva a quitar os equívocos do passado com a moeda boa do amor.

Como afirmou o apóstolo Pedro, o amor cobre a multidão de pecados. Não é preciso sofrer para recompor o passado de erros. Mas é imperioso resgatar todo o mal feito.

Ciente dessa realidade e de seu viver milenar, dedique-se a fazer o bem. Viva de forma honrada. Trabalhe, estude, amealhe recursos intelectuais e morais. Seja um bom exemplo para todos que convivem com você. Mas vá um pouco além disso. Dedique-se a uma causa, ampare os necessitados, eduque os ignorantes. Em seu passado espiritual há certamente muitos erros. Antes que o resultado deles o atinja, gere causas de felicidade ao agir de modo altruísta.

Aja enquanto é tempo.

A rigor, o bem é sempre possível, agora ou mais tarde. Mas é uma tolice aguardar a dor cobrar a conta que o amor pode pagar.

Pense nisso.

Ante os que partiram abril 23, 2008

Posted by Ramon Barbosa in Amor, Família, Momento Espírita, Paciência, Tempo.
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É possível que nenhum sofrimento na terra seja comparável ao daquele coração que se debruça sobre outro coração enregelado e querido que o ataúde transporta para o grande silêncio. Ver a névoa da morte estampar-se, inevitável, na fisionomia daqueles que mais amamos, e cerrar-lhes os olhos no aDeus indescritível, é como despedaçar a própria alma e prosseguir vivendo. Digam aqueles que já apertaram contra o peito o corpo inerte de um ser amado, consumidos pela dor e pela angústia da separação. Falem aqueles que varados de saudade, inclinaram-se, esmagados de solidão, à frente de um túmulo, perguntando em vão pela presença dos que partiram.

Todavia, quando semelhante provação te bater à porta, reprime o desespero e dilui a corrente de mágoa na fonte viva da oração, porque os chamados “mortos” são apenas ausentes e as gotas de teu pranto amargo e revoltado lhes fustigam a alma. Também eles pensam e lutam, sentem e choram. Atravessaram a faixa do sepulcro como quem se desvencilha da noite, mas, na madrugada do novo dia, inquietam-se pelos que ficaram. Ouvem-lhes as lamúrias e as súplicas e sofrem cada vez que os afetos deste plano da vida se rendem à inconformação ou ao desânimo. Lamentam-se pelos erros praticados e trabalham, com afinco, na regeneração que lhes diz respeito. Estimulam-te à prática do bem, compartilhando contigo de dores e de alegrias. Rejubilam-se com tuas vitórias e consolam-te nas horas amargas para que não te percas no frio do desencanto.

Tranqüiliza, desse modo, aqueles que te antecederam no regresso à pátria espiritual, suportando corajosamente a despedida temporária, e honra-lhes a memória, abraçando com nobreza os deveres que te legaram. Recorda que, em futuro mais próximo que imaginas, respirarás entre eles, dividindo outra vez necessidades e problemas, porque terminarás tu também a própria viagem no mar das provas redentoras.

Pára e pensa, pois, nessas questões.

Não obstante a morte imponha amargura e dor, frustração e lágrimas naqueles que ficam, vale a pena permaneças vigilante, a fim de evitar excessos que te impeçam de pensar com clareza. A morte não é o fim absoluto da querida convivência dos que se prezam, dos que se amam. Cultiva, então, o bom senso.

Sofre e chora sem que o teu sofrimento perturbe os outros, sem que tuas lágrimas tragam desequilíbrio para tua intimidade. Retira o bom aproveitamento do padecer, amadurecendo, superando-te, para que as tuas provações ou expiações humanas, de fato, façam-te avançar para Deus.

Chora teus mortos?

Então faze desse pranto um aceno de ternura e um bilhete de paz, onde tu digas aos amores desencarnados: Permitiu Deus que te libertasses antes de mim, e eu disso queixo-me por egoísmo, porque preferiria verte ainda sujeito às penas e sofrimentos da vida. Espero, pois, resignado, o momento de nos reunirmos de novo no mundo mais venturoso no qual me precedeste. Até breve e que Deus te abençoe, ser querido!

Dedico este texto à minha amada esposa e a sua família, que no sábado passado contemplaram o seu avô partindo rumo à pátria espiritual nos braços de sua filha, minha sogra.

Onde mora a paz? abril 17, 2008

Posted by Ramon Barbosa in Paciência, Reforma Íntima.
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Pedro mora próximo à Rua 23 de Maio há 15 anos. Nos últimos tempos, está à beira de um ataque de nervos, pois não consegue mais suportar o barulho ininterrupto dos carros. Ele tem algumas escolhas: trabalhar pelo fechamento da avenida – ao menos à noite; pela modificação da legislação de poluição sonora ou uso de automóveis; ou ainda, mudar-se.

É importante, porém, comentar também sobre seu vizinho, Bernardo. Bernardo vive ao lado de Pedro, também de frente para a Rua 23 de Maio. Perguntado a ele o que achava de viver naquele apartamento, a resposta foi surpreendente. Revelou que adora viver ali. Ele acha linda a vista que tem do apartamento. Disse que pode ver o maravilhoso nascer do sol de sua janela. Adora observar a cidade. Perceber os habitantes caminhando ou em seus carros, e os resistentes passarinhos que aprenderam a viver com a civilização. Numa conversa entre os dois, Pedro não agüentou, e questionou: Mas e o barulho? Você não se incomoda com toda esta barulheira que não tem fim? Bernardo respondeu: Olhe, fico tão concentrado nos meus afazeres, que eu nem percebo o barulho. Pedro não podia acreditar. Achou, por um instante, que o vizinho tinha problemas auditivos, e falando bem baixo, tentou descobrir se ele era surdo. Mas não era. Ouvia muito bem.

Como explicar isso? Ele ouvia muito bem e não se incomodava com o barulho? E à noite? – perguntou ainda Pedro, indignado – Como você faz para dormir?

Vou ser bem sincero, caro amigo – respondeu Bernardo – à noite, ao deitar, sinto-me tão feliz com o dia vivido e com as coisas que tenho feito, que também não me incomodo com barulho algum.

Pedro pôde ver sinceridade e pureza nos olhos e nas palavras do contérmino morador. Naquele momento ele percebeu a razão de se incomodar tanto com aquelas coisas: ele não era feliz com o dia que tinha, e nem com as coisas que fazia.


Um outro personagem também ilustra bem a reflexão proposta:

Trata-se de Daniel. Jovem, de família abastada, casado, e morador de um condomínio fechado. Daniel foi presenteado por seus pais com uma casa no litoral. Ficou, a princípio, muito animado com a mudança. Afinal, haveria lugar mais tranqüilo e pacífico do que próximo ao mar?

Os dias passaram, e ele percebeu, pouco a pouco, que não seria capaz de suportar aquele estilo de vida. Aquele barulho constante de ondas quebrando; gaivotas gritando logo cedo; aquela umidade de maresia; a areia que insistia em acompanhá-lo em seu carro e em sua casa.

Daniel entrou em crise. Variava entre estados de irritação e depressão. Começou a tomar remédios, e decidiu: iria se mudar dali.


Onde mora a paz? Será que a paz está na ausência de ruídos externos? Será que para dormir em paz precisamos apenas de silêncio?

A paz tem moradia em nosso íntimo, e enquanto não formos felizes com nossos dias, com as coisas que fazemos, não a encontraremos. Não basta mudar deste para aquele local. Faz-se necessário mudar-se na intimidade. Deixar para trás o lar das atividades fúteis, das conquistas passageiras, e fixar morada na casinha aconchegante da alegria de viver, do amor à família, do prazer de servir.

Diante das adversidades da vida abril 10, 2008

Posted by Ramon Barbosa in Motivação, Perseverança.
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Recuperar-se de um tombo não é uma tarefa das mais fáceis, devemos concordar. Não são todos que conseguem colocar em prática o refrão popular: Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima, criado na música de Paulo Vanzolini. Muitas vezes, quando caímos, por qualquer motivo, como seja o fim de um relacionamento; a perda de um emprego; um acidente, ou até mesmo a pressão do dia a dia, tendemos a ficar estatelados no chão. Como continuar? Como seguir adiante? Vale a pena todo esforço novamente?

Felizmente existem pessoas que conseguem contornar tudo isso com maior facilidade. Mesmo quando tudo parece conspirar negativamente, elas vão em frente, com um sorriso no rosto e dispostas a enfrentar o que for preciso. Intrigados em descobrir o que levava algumas pessoas a enfrentar tão bem esses contratempos da vida, especialistas em comportamento humano passaram a estudar os traços desses sobreviventes.

Os primeiros chegaram a concluir que se tratava de uma invulnerabilidade inata, algo como um verdadeiro dom com o qual as pessoas já nasciam. Porém, parece que isso não respondia tudo, e há pouco mais de uma década começou-se a investigar o termo invulnerabilidade. Este parecia sugerir que as pessoas seriam 100% imunes  a qualquer tipo de adversidade – o que não seria a realidade. Embora sejam pessoas que passem pelos problemas com maior facilidade, isso não quer dizer que saiam dessas experiências totalmente ilesas. Os estudiosos passaram a buscar um termo mais adequado, e foi então que emprestaram uma terminologia da física: resiliência.

Resiliência é uma propriedade de alguns materiais, que mostra sua capacidade em retornar ao seu estado original, após sofrer grande pressão. Assim seriam as pessoas com alto grau de resiliência: teriam capacidade de encarar as adversidades como oportunidade de mostrar e aprimorar sua competência, seu entusiasmo. Tais pessoas encontram também soluções criativas e determinadas para se levantar do chão.

Neste instante você poderá estar imaginando qual o seu grau de resiliência, certo? Cabe destacar aqui que ser resiliente não é ser indiferente, insensível. Não se trata de sentir ou não sentir, mas sim de como atravessar as experiências. Seria uma habilidade, que todos podemos adquirir, de suportar o sofrimento, extraindo dele tudo que tem para nos ensinar. Aí está a chave de tudo.

Léon Denis afirma com propriedade, que se, nas horas de provação, soubéssemos observar o trabalho interno, a ação misteriosa da dor em nós, compreenderíamos melhor sua obra sublime de educação e aperfeiçoamento.

A razão da dor humana procede da proteção divina. Os povos são famílias de Deus que, à maneira de grandes rebanhos, são chamados ao aprisco do Alto. A Terra é o caminho. A luta que ensina e edifica é a marcha. O sofrimento é sempre o aguilhão que desperta as ovelhas distraídas à margem da senda verdadeira.

Salvação abril 8, 2008

Posted by Ramon Barbosa in Amor, Momento Espírita, Sabedoria, Trabalho.
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A idéia de salvação há muito ocupa o pensamento da Humanidade. Contudo, o conceito permanece indefinido. Afinal, em que consiste exatamente a salvação? Será um processo mágico que transmuda de repente um ser egoísta e falho em um anjo de amor e misericórdia?

Os homens sempre têm buscado gurus e salvadores. Não no sentido de um mestre cujos exemplos devam ser imitados e os ensinamentos, seguidos. Mas sim como alguém que faça o trabalho duro. Há um certo gosto pelo maravilhoso, por soluções fáceis e rápidas. Conforme algumas concepções, basta crer em um Ser Superior para ser salvo ou redimido. Pela obra e graça de um terceiro, os problemas da criatura somem e ela se transporta a um mundo ideal. Aí, então, tudo é descanso e ócio. As fissuras morais desaparecem e não há mais dúvidas ou desafios. A rigor, nem se tem mais o mesmo ser, mas outro totalmente diferente, sem qualquer vínculo com o primeiro.

Há quem confira a alguns ritos o poder de provocar essa surpreendente transformação. Entretanto, no âmbito cristão, não é possível olvidar o princípio evangélico que diz: A cada um segundo suas obras.

No livro O Consolador, o Espírito Emmanuel, mediante a psicografia do médium Francisco Cândido Xavier, trata do tema. Segundo ele, a salvação da alma deve ser entendida como auto-iluminação, a caminho das mais elevadas realizações. Ou seja, o próprio ser se ilumina. Não se trata de mero aproveitamento do esforço de terceiro. Emmanuel afirma que o Evangelho é o roteiro para a ascensão de todos os Espíritos.

Conclui-se que a salvação é o resultado de um trabalhoso processo de auto-iluminação. O candidato deve esforçar-se em seguir os exemplos e os ensinamentos do Cristo. Necessita abandonar tendências inferiores e vícios. Romper com velhos hábitos e assumir o compromisso de ser melhor a cada dia. Cessar com maledicência, pornografia, preguiça, desonestidade e tudo o mais que seja incompatível com o título de cristão. Da vivência do Evangelho decorre a luz espiritual.

A salvação é um compromisso que o homem assume com sua consciência. É uma questão de maturidade, de assumir a responsabilidade pela própria existência imortal. Não há milagres e nem solução fácil. Um não faz o trabalho árduo pelo outro. A redenção é o resultado de muito esforço e disciplina. O ser surge redimido quando está pronto para a vivência da mais pura fraternidade. Quando realmente internalizou a idéia de que deve tratar o próximo como gostaria de ser tratado. Quando não mais se permite baixezas e deslealdades. Quando a dor do próximo toca fundo em seu coração. Ao redimir-se, o Espírito se liberta do mal. Por entender as dificuldades alheias, perdoa com facilidade e não permite que o mal do mundo o contamine. Por saber o quão difícil e trabalhoso é purificar-se, torna-se indulgente com as imperfeições alheias. E faz todo o bem possível, pois sente intensa compaixão pelos semelhantes. Tal estado d’alma liberta o Espírito dos círculos do sofrimento e o habilita a vivências sublimes em mundos depurados.

Esse é o significado da salvação.

Pense nisso.

Atitude cristã abril 5, 2008

Posted by Ramon Barbosa in Amor, Momento Espírita, Sabedoria.
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A imensa maioria das pessoas sabe que Jesus sintetizou na prática do amor todos os deveres dos homens. Ele afirmou que no amor a Deus e ao próximo estão contidas todas as Leis Divinas.

Assim, quem se afirma cristão, para ser coerente com sua fé, necessita amar a Deus e ao próximo. Relativamente ao amor ao próximo, há um complicador, pois ele simboliza o conjunto das criaturas humanas. Não se trata apenas da namorada, do irmão ou do amigo querido, mas de todo ser humano, incluindo os inimigos. Mesmo os corruptos e os criminosos estão incluídos no conceito de próximo, de semelhante.

Surge então a dúvida: não é possível distinguir entre pessoas queridas e completamente desconhecidas? Para cumprir a Lei de amor é necessário sentir carinho por quem rouba meu carro ou me machuca?

No âmbito da legislação humana, sabe-se que uma lei não pode impor deveres muito artificiais. Se uma determinação for muito difícil de ser cumprida, nunca será eficaz. Por exemplo, um limite de velocidade de 5 km por hora jamais será respeitado. Esse limite é muito artificial e impossível de ser cumprido. Não importa a sanção que se aplique, as pessoas o burlarão tanto quanto possível.

Certamente Deus não é menos sábio do que o legislador humano. A amizade é uma questão de afinidade de almas, somente possível entre iguais. O afeto costuma originar-se de similitude de valores e de gostos. Não é possível gostar do mesmo modo de um amigo e de um cruel criminoso.

Então, amar, no contexto das Leis Divinas, não implica necessariamente sentir afeto e externar ternura. Em relação a desconhecidos ou desafetos, o amor é principalmente uma questão de atitude, de respeito.

O cumprimento da lei de amor pressupõe que o homem se coloque mentalmente no lugar do próximo. E imagine como gostaria de ser tratado, se estivesse no lugar dele. Identificado esse desejo, ele deve agir desse modo.

Amar o próximo é tratá-lo como eu gostaria de ser tratado se fosse ele. Como sempre quero o melhor para mim, tenho o dever de dar ao próximo o melhor tratamento possível. Talvez eu ainda não consiga gostar dele. Mas sempre devo tratá-lo com correção e generosidade. Trata-se do amor como uma atitude. Não é necessário ser santo para amar os inimigos e os malfeitores. Basta ter o firme propósito de viver como cristão. O amor é uma proposta de vida, um compromisso com a própria consciência. No fundo é algo simples e com profundo potencial transformador da sociedade.

Se cada homem adotar o hábito de imaginar-se no lugar do outro antes de agir ou falar, certamente o padrão de relacionamento humano melhorará muito. Não importa se o próximo é mesquinho, viciado ou corrupto. Não se trata de gostar ou não, mas de agir corretamente. Isso não implica um viver irreal, no qual não se tome cuidado com os indivíduos perigosos. É preciso ser manso como as pombas e prudente como as serpentes, conforme o dizer de Jesus. É necessário perceber o mal onde ele existe, para viabilizar a defesa. Mas não valorizar o mal na pessoa do próximo e nem desprezá-lo por suas falhas. Ajudá-lo a recuperar-se, sempre tendo em mente o próprio desejo de auxílio, caso o corrupto ou o viciado fosse eu.

Pense nisso.

Fragilidade abril 3, 2008

Posted by Ramon Barbosa in Amor, Momento Espírita, Sabedoria.
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Deixai vir a mim as criancinhas é uma célebre frase de Jesus. Dela podem ser extraídas inúmeras lições. Por vezes, se identifica na passagem evangélica a necessidade de abordar o sagrado com simplicidade e sem afetação. Afinal, as crianças são espontâneas e singelas em suas manifestações.

Outra lição possível é a de que se deve manter a capacidade de encantamento perante a vida. Assim são as crianças, que lançam olhares deslumbrados ao mundo que principiam a descobrir. Um enfoque igualmente interessante é sobre a necessidade de proteger as criaturas frágeis.

Jesus era forte em todos os sentidos. Possuía infinita sabedoria, que impressionava e confundia os sábios e os grandes da época. Sua autoridade moral era incontestável, a ponto de dominar as massas com Sua simples presença.

Há relatos espirituais de pessoas que, frente ao Mestre, caíram ajoelhadas, sem poder dominar a sensação de estar na presença de alguém superior. Foi esse homem, entre todos, forte que abriu os braços à própria imagem da fragilidade: as crianças.

A Sabedoria Divina veste a infância com encantadora roupagem para despertar o instinto protetor dos adultos. A violência contra a criança sempre parece a mais repulsiva de todas. A graciosidade dos pequenos seres enternece os mais rudes corações. Ocorre que a fragilidade nem sempre se apresenta encantadora. A velhice é um bom exemplo. Os idosos gradualmente perdem as forças físicas e passam a depender da paciência e do auxílio alheio.

Do mesmo modo, os enfermos carecem de socorro. A imagem do sofrimento e da miséria humana não costuma ser agradável. É mais fácil ter arroubos de ternura com uma criança rosada e risonha do que com um adulto definhante.

Mas há um gênero de fragilidade ainda mais carente de compreensão e auxílio. Trata-se dos homens moralmente frágeis. Ninguém é mais necessitado de compaixão do que os viciosos do corpo e da alma. Curiosamente, eles costumam suscitar apenas reprovação e desprezo. Suas dificuldades são vistas como falta de vergonha ou de vontade. Não raro, tem-se um sentimento de rejúbilo quando algo mau ocorre com alguém de hábitos corrompidos. Por exemplo, há muito pouca preocupação com as condições de vida dos detentos no Brasil. Sabe-se que vivem em celas superlotadas e sem higiene, mas isso não incomoda.

Não é possível ser ingênuo e abolir os modos pelos quais a sociedade se protege de seus elementos perigosos. Mas é necessário lembrar que se trata de seres humanos. Embora por vezes truculentos, os criminosos são frágeis em sua rebeldia para com as Leis Divinas. Trilham caminhos tortuosos que lhes preparam grandes dores. Cedo ou tarde, terão de reparar todos os males que causaram. Contudo, permanecem irmãos na infinita caminhada da Humanidade rumo à plenitude.

Importa, pois, adotar uma postura cristã, em especial quanto aos seres moralmente débeis. Reprovar seus erros e prevenir os abusos, mas sem se tomar de ódio e sem embrutecê-los com maus tratos. Educá-los e auxiliá-los, a fim de que se recuperem. Afinal, quem se diz cristão tem o dever de tornar-se amparo dos irmãos de jornada.

Pense nisso.

A última corda abril 1, 2008

Posted by Ramon Barbosa in Momento Espírita, Motivação, Perseverança.
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Era uma vez um grande violinista chamado Paganini. Alguns diziam que ele era muito estranho, outros, que ele era sobrenatural. As notas mágicas que saíam de seu violino tinham um som diferente, por isso ninguém queria perder a oportunidade de assistir seu espetáculo.

Certa noite, o palco de um auditório repleto de admiradores estava preparado para recebê-lo. A orquestra entrou e foi aplaudida. O maestro, ovacionado. Mas quando surgiu a figura de Paganini, triunfante, o público delirou. Nicolo Paganini colocou seu violino no ombro, e o que se assistiu em seguida foi indescritível. Breves e semibreves, fusas e semifusas, colcheias e semicolcheias, pareciam ter asas e voar com o delicado toque daqueles dedos virtuosos.

De repente, porém, um som estranho interrompe o devaneio da platéia: uma das cordas do violino de Paganini arrebentara. O maestro parou. A orquestra parou. Mas Paganini não parou. Olhando para sua partitura ele continuava a tirar sons deliciosos de um violino com problemas. O maestro e a orquestra, empolgados, voltam a tocar.

Mal o público se acalmou quando, de repente, um outro som perturbador: uma outra corda do violino do virtuose se rompe. O maestro parou de novo. A orquestra parou de novo. Paganini não parou. Como se nada tivesse acontecido, ele esqueceu as dificuldades e avançou, tirando sons do impossível. O maestro e a orquestra, impressionados, voltam a tocar.

Mas o público não poderia imaginar o que aconteceria a seguir: todas as pessoas, pasmas, gritaram: Oohhh! Uma terceira corda do instrumento de Paganini se quebra. O maestro pára. A orquestra pára. A respiração do público pára. Mas Paganini… Paganini não pára. Como se fosse um contorcionista musical, ele tira todos os sons da única corda que sobrara daquele violino destruído. Paganini atinge a glória.

Seu nome corre através do tempo. Ele não é apenas um violinista genial, mas o símbolo do ser humano que continua diante do impossível.

* * *

Este é o espírito da perseverança, da criatividade e habilidade perante os obstáculos naturais da vida no Mundo. Lembremos desta história, todas as vezes que as cordas de nossos instrumentos se romperem. Afirmemos no íntimo: Eu sei que posso continuar! Afirmemos para a alma: Não é qualquer adversidade que irá me derrubar, que irá me fazer desistir!

Perceberemos então, com encanto, que muitas vezes nossas mãos calejadas, obrigadas a retirar sons de uma única corda, estão sendo amparadas por mãos invisíveis de Misericórdia. Nunca estamos sozinhos no concerto da vida na Terra.

À maneira de um público empolgado que incentiva o artista, o Invisível nos dá forças, nos alimenta o ânimo, e nos aplaude cada vez que nos superamos.

Continuemos… Sem medo, sem hesitação. Toquemos nossa música da alma para o céu azul ou para as estrelas. Contando com as quatro cordas de nossa rabeca, ou apenas com uma delas.

Não deixemos de tocar.