jump to navigation

Enquanto os ventos sopram agosto 27, 2008

Posted by Ramon Barbosa in Sabedoria, Tempo, Trabalho.
Tags:
add a comment

Conta-se que, há muito tempo, um fazendeiro possuía muitas terras ao longo do litoral do Atlântico.

Horrorosas tempestades varriam aquela região extensa, fazendo estragos nas construções e nas plantações. Por esse motivo, o rico fazendeiro estava, constantemente, a braços com o problema de falta de empregados. A maioria das pessoas estava pouco disposta a trabalhar naquela localidade.

As recusas eram muitas, a cada tentativa de conseguir novos auxiliares. Finalmente, um homem baixo e magro, de meia-idade, se apresentou.

Você é um bom lavrador? Perguntou o fazendeiro.
Bom, respondeu o pequeno homem, eu posso dormir enquanto os ventos sopram.

Embora confuso com a resposta, o fazendeiro, desesperado por ajuda, o empregou.

O pequeno homem trabalhou bem ao redor da fazenda, mantendo-se ocupado do alvorecer ao anoitecer. O fazendeiro deu um suspiro de alívio, satisfeito com o trabalho do homem.

Então, numa noite, o vento uivou ruidosamente, anunciando que sua passagem pelas propriedades seria arrasadora. O fazendeiro pulou da cama, agarrou um lampião e correu até o alojamento dos empregados. O pequeno homem dormia serenamente. O patrão o sacudiu e gritou:

Levante depressa! Uma tempestade está chegando. Vá amarrar as coisas antes que sejam arrastadas.

O empregado se virou na cama e calmo, mas firme, disse:

Não, senhor. Eu não vou me levantar. Eu lhe falei: posso dormir enquanto os ventos sopram.

A resposta enfureceu o empregador. Não estivesse tão desesperado com a tempestade que se aproximava, ele despediria naquela hora o mau funcionário. Apressou-se a sair para preparar, ele mesmo, o terreno para a tormenta sempre mais próxima. Para seu assombro, ele descobriu que todos os montes de feno tinham sido cobertos com lonas firmemente presas ao solo. As vacas estavam bem protegidas no celeiro, os frangos estavam nos viveiros e todas as portas muito bem trancadas. As janelas estavam bem fechadas e seguras. Tudo estava amarrado. Nada poderia ser arrastado. Então, o fazendeiro entendeu o que seu empregado quis dizer. Retornou ele mesmo para sua cama para também dormir, enquanto o vento soprava.

* * *

Se os ventos gélidos da morte lhe viessem, hoje, arrebatar um ser querido, você estaria preparado? Se reveses financeiros, instabilidade econômica levassem seus bens de rompante, você estaria preparado? A religião que professamos, a fé que abraçamos devem nos preparar o Espírito, a mente e o corpo para os momentos de solidão, pranto e dor. Enquanto o dia sorri, faz sol em sua vida, fortifique-se, prepare-se de tal forma que, ao chegarem as tsunamis, soprarem os ventos e a borrasca lhe castigar, você continue firme, sereno.

Pense nisso e comece hoje a sua preparação.

Anúncios

Os pedidos da infância agosto 26, 2008

Posted by Ramon Barbosa in Reflexão, Reforma Íntima, Sabedoria.
Tags:
1 comment so far

O mundo adulto é, por vezes, sombrio. Envoltos na capa das preocupações, os homens se permitem a depressão, o estresse, o cansaço da vida. Nesse ritmo, os dias se sucedem aos dias, enquanto o entusiasmo fica depauperado e as horas se arrastam, pesadas.

Há quem, tendo vencido uma etapa maior de anos, se mostre totalmente em desalento, com a certeza de que dias melhores não virão jamais. E dizem: Ainda bem que não tenho mais tantos anos para viver. Ainda bem que não verei os anos futuros. Pobres de meus netos que terão que agüentar isso tudo!

Ao lado desses que já desistiram de viver, apenas sobrevivendo a cada dia, existe uma outra classe de pessoas bem diferente. Essa é entusiasta, alegre e tem a certeza absoluta de que o céu é azul, os sonhos são cor-de-rosa e o mundo é uma rica promessa de venturas. Essa classe é composta pelas crianças das mais variadas idades. Desde os bebês, que estão descobrindo o mundo e que riem por tudo e por nada. Riem porque o cachorro lhes lambe o rosto; porque o brinquedo caiu e fez um barulho esquisito; porque alguém lhes faz cócegas. Essa classe sabe viver cada dia com intensidade. Quando vai a uma festa, não se importa com a roupa, nem com o que será servido. O que deseja é estar com os amigos e brincar. Amigos que podem ser de longa data. Amigos que pode fazer na hora, simplesmente a partir de um convite tentador: Quer brincar comigo?

Ao final do dia, depois das brincadeiras, das risadas, o estômago diz que é preciso comer. E todos os que fazem parte dessa privilegiada faixa etária chamada infância vão à mesa. Com gosto e com vontade. Cachorro-quente, brigadeiro, bolo, suco. Tudo serve para se deliciar. E todos eles comem com os olhos, com as mãos, antes mesmo de levarem à boca o alimento.

Criança é assim. Faz cada coisa a seu tempo e com prazer. Brinca, come, descobre as mil delícias de viver cada momento. Essa classe dá lições de vida todos os dias. Não foi por outro motivo que a sabedoria nazarena afirmou que todo aquele que desejasse entrar no Reino dos Céus deveria se assemelhar a um menino. É porque a infância enfrenta os perigos, os desafios, com a certeza da vitória. Criança não pensa que será um fracasso. Ela joga para ganhar, ela canta para agradar, ela busca a proteção dos braços do amor para se abrigar e se entrega, em totalidade. Adormece nos braços do aconchego, sem se preocupar se o hotel tem três ou cinco estrelas, se o quarto que lhe foi dado é pequeno ou grande. E quando se entrega ao sono, faz a sua prece:

Deus, obrigado pela vida.

Espero que ela tenha mais coisas boas do que ruins. Que todas as crianças tenham pais, que os pais sejam bons e as crianças, felizes. Que sempre haja bastante brincadeira, festa, desenho animado, sorvete de chocolate e bolo na mesa de todas as crianças. Agora eu vou dormir, Deus. Quando eu acordar, espero que o Senhor tenha já ouvido e atendido os meus pedidos.

Aprendamos com as crianças.

Meu filho e as manhãs agosto 16, 2008

Posted by Ramon Barbosa in Amor, Família.
Tags: ,
add a comment

Hoje pela manhã, como de costume, antes de sair para trabalhar, visitei o quarto de meu filho.

Considero uma espécie de ritual sagrado de todas as manhãs: chegar bem perto de seu berço, ajeitar sua coberta com cuidado, aninhá-lo com carinho para que não se descubra. Passo então minhas mãos, algumas vezes, sobre seus cabelos macios, e digo em pensamento: “Como eu te amo!”

Ele normalmente se move com suavidade, como se reagisse de alguma forma ao estímulo externo durante o sono. Continua ali, em silêncio, em paz, preparando seu corpinho e sua alma para mais um dia de descobertas felizes.

Despeço-me, procurando não fazer ruídos, e saio porta afora com a alma leve, pronto para enfrentar mais um dia no mundo.

Da próxima vez que o vir, mais tarde, ele já estará desperto, correndo pela casa, brincando com seus carrinhos, e irá me conceder mais uma alegria: a de receber seu sorriso, que sem dizer nada, diz tudo.

Por mais que alguns dias sejam difíceis, por mais que as batalhas sejam ferrenhas e desgastantes, tudo se acalma, tudo se conforta naquele sorriso. Os sorrisos de criança têm um poder quase mágico, e os de nossos filhos mais ainda. Eles parecem querer nos fazer perceber que, por mais que a vida seja tormentosa, cheia de pequenos e grandes espinhos que provocam dor, muita alegria ainda existe.

Por mais que neste exato instante existam “n” pessoas desejando não mais viver, se enfraquecendo nas lutas, desejando desistir, existem outras tantas almas agradecendo pela vida, num júbilo contagiante.

E tenho certeza de que “ser pai” é mais um desses motivos de alegria plena, de gratidão a Deus, e mais uma das muitas razões que temos para continuar sempre, sem desistir.

Meu filho e as manhãs me ensinam sempre esta lição preciosa, a da renovação, do renascimento da água e do Espírito.

* * *

Muitos pais se queixam de não terem visto seus filhos crescerem. Passa tão rápido! Não me lembro mais! – são expressões que ouvimos com freqüência.

Será que estamos atentos aos nossos filhos como deveríamos estar? Será que passa tão rápido assim, a ponto de guardarmos tão poucas lembranças? Ou há alguma coisa errada com o tempo, ou há alguma coisa errada conosco.

Seria tão bom poder ouvir de um pai, de uma mãe: Lembro-me de cada nova conquista, de cada dia da infância, de cada nova palavra… Seria tão bom poder ouvir: Curti cada dia ao seu lado, meu filho, quando você era pequenino, como se fosse o último. Não perdi oportunidade alguma junto a você.

Aproveitemos o tempo junto a eles, em qualquer idade, em qualquer condição de vida. Curtamos a existência ao seu lado, anotando no coração cada beleza, cada nova descoberta, tirando fotografias com a alma – registrando no íntimo do ser cada sorriso em seu rosto.