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A indulgência junho 24, 2008

Posted by Ramon Barbosa in Amor, Reflexão, Reforma Íntima, Sabedoria.
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A indulgência é esse sentimento doce e fraternal que todo homem deve alimentar para com seus irmãos, mas do qual bem poucos fazem uso.

A indulgência não vê os defeitos de outrem, ou, se os vê, evita falar deles, divulgá-los. Ao contrário, oculta-os, a fim de que se não tornem conhecidos senão dela unicamente. E, se a malevolência os descobre, tem sempre pronta uma escusa para eles, escusa plausível, séria, não das que, com aparência de atenuar a falta, mais a evidenciam com pérfida intenção.

A indulgência jamais se ocupa com os maus atos de outrem, a menos que seja para prestar um serviço. Mas, mesmo neste caso, tem o cuidado de os atenuar tanto quanto possível.

Não faz observações chocantes, não tem nos lábios censuras. Apenas conselhos e, as mais das vezes, velados.

Ao fazer uma crítica qualquer, ela sempre irá pensar antes: que conseqüência se há de tirar destas palavras?

Homens! Quando será que julgareis os vossos próprios corações, os vossos próprios atos, sem vos ocupardes com o que fazem vossos irmãos? Quando só tereis olhares severos sobre vós mesmos? Sede severos para convosco, indulgentes para com os outros. Lembrai-vos de que, talvez, tenhais cometido faltas mais graves. Sede indulgentes, meus amigos, porquanto a indulgência atrai, acalma, ergue, ao passo que o rigor desanima, afasta e irrita. Eis mais uma virtude fundamental para aqueles de nós que desejamos viver a Nova Era, a era do bem.

A indulgência não se entende por conivência com a coisa errada, de forma alguma, mas, de uma forma benevolente, de tratar a alma equivocada. Nossa severidade excessiva com os outros pouco resolve. E, pelo contrário, esta ferocidade em nosso julgamento só nos tem trazido prejuízos morais.

Quase sempre nossa crítica, nossa condenação, não visa o bem do outro, mas sim uma satisfação desequilibrada em simplesmente falar mal, ou condenar. Mecanismo psicológico de projeção, muitas vezes nos mostra no outro aquilo que detestamos em nós, e como fuga desastrosa, ao acusar, imaginamos que podemos nos livrar do mal intrínseco à nossa alma enferma. Acusar por acusar nunca nos trará o bem que desejamos, a paz que anelamos tanto. A maledicência é provocadora de prazer mórbido que atesta deficiência de caráter humano.

Sejamos assim, indulgentes, da mesma forma que o Criador o é sempre conosco, vendo o que temos de bom, e sempre nos dando novas chances de acertar após nossos erros.

Reforçar o erro de outrem é valorizar o negativo. É dar-lhe um destaque maior do que o necessário.

A indulgência é caridade, é compreensão e perdão.

*   *   *

O verdadeiro caráter da caridade é a modéstia e a humildade, que consistem em ver cada um apenas superficialmente os defeitos de outrem, e esforçar-se por fazer que prevaleça o que nele há de bom e virtuoso.

Embora o coração humano seja um abismo de corrupção, sempre há, nalgumas de suas dobras mais ocultas, o gérmen de bons sentimentos, centelha vivaz da essência espiritual.

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O jugo suave junho 22, 2008

Posted by Ramon Barbosa in Momento Espírita.
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Em conhecida passagem do Evangelho, Jesus afirma:

Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração e achareis repouso para vossas almas, pois é suave o meu jugo e leve o meu fardo.

O convite é tentador, pois o Mestre promete alívio para as dores humanas. Também garante repouso para as almas, ao afirmar que Seu jugo é suave e Seu fardo é leve.

Em um mundo turbulento, alívio, repouso, suavidade e leveza são autênticos tesouros. Em meio à correria da vida moderna, é possível ser rico de tudo, menos de paz. Por vezes, as tarefas e os compromissos surgem esmagadores. Na busca de sucesso e de bens materiais, as pessoas perdem a noção do que realmente importa. As horas de trabalho são multiplicadas, talvez desnecessariamente. Para comprar um carro mais novo ou uma casa maior, abre-se mão de um precioso tempo de repouso ou meditação. A convivência familiar torna-se algo secundário. Garante-se que os filhos tenham acesso às melhores escolas, mas se abre mão de transmitir-lhes valores. Os jovens são instruídos, mas não educados.

Para lucrar bastante, profissionais deixam de lado a ética. Passam a ter vergonha de si próprios, enquanto ganham muito dinheiro. Com o objetivo de terem companhia, ainda que temporária, muitas mulheres abdicam de sua dignidade feminina. Para parecerem modernos, jovens aceitam experimentar cigarros, bebidas e drogas. Tudo parece valer a pena, desde que seja possível surgir aos olhos alheios como bem-sucedido. Entretanto, a alma permanece carente de paz.

As conquistas materiais cintilam, mas os seus possuidores  adoecem, desenvolvem problemas de sono e distúrbios psicológicos os mais diversos. São ricos de coisas e de distrações, mas lamentáveis em seu desequilíbrio. Estão conquistando o mundo, mas perdendo a si próprios.

Nesse contexto turbulento, convém recordar as palavras do Cristo. Ele ofereceu alívio, repouso, suavidade e leveza. São genuínos tesouros, que ninguém pode roubar.

Oscilações da Bolsa de Valores, desemprego, doenças e traições, nada consegue afetar o verdadeiro equilíbrio espiritual. Quem adquire paz de espírito jamais a perde. Mas é importante observar que Jesus não apenas fez o oferecimento. Também recomendou que se aprendesse com Ele, que é brando e humilde de coração. Ou seja, é preciso seguir os exemplos do Cristo, a fim de se viver em paz. Ele enfatizou a importância da brandura e da humildade. Assim, para não se perder nas ilusões mundanas, importa manter-se humilde.

Igualmente convém desenvolver brandura, não se imaginar em combate feroz com os semelhantes. Não é preciso vencer ninguém para ser feliz. Instruir-se e trabalhar, pois isso é necessário à vida. Mas não gastar tempo em disputas vãs ou ilusões passageiras. Jamais admitir corromper a própria essência, mesmo diante das maiores tentações.

Havendo dúvida sobre a conduta correta, recordar a figura digna e sábia de Jesus. Ter em mente os sublimes exemplos do Cristo é o melhor antídoto contra ilusões que apenas causam sofrimentos. Segui-los pode não ser fácil, mas eles constituem um jugo suave, na medida em que propiciam a verdadeira paz.

Pense nisso.

Se Jesus vivesse nos dias de hoje junho 19, 2008

Posted by Ramon Barbosa in Amor, Reflexão, Reforma Íntima, Sabedoria.
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Se Jesus vivesse nos dias de hoje, no Brasil, e Lucas tivesse que narrar através da escrita a Parábola do
Bom Samaritano, quem sabe a contaria assim:

Uma dessas pessoas bem de vida, e com uma considerável cultura, curtindo um som no seu carro, parado, a espera quem sabe de uma paquera, de repente vê Jesus na praça, rodeado de pessoas, onde conversava ensinando sobre o que seria a vida eterna. Curioso – essa pessoa que aparentava ter uns 38 anos de idade – desligou o som, fechou a porta do carro, se aproximou também daquela roda de gente para ouvir Jesus.

Jesus falava da eternidade da vida, quando esse homem demonstrando possuir boa cultura bolou uma maneira de fazer Jesus cair em contradição, para que pudesse se mostrar superior. E olhando para Jesus com um sorriso sarcástico perguntou:

– Hei, professor, o que devo fazer para entrar na posse dessa vida eterna?

Jesus, sem se abalar, olha para o seu inquiridor e diz:

– Pelo que eu posso verificar e perceber, você deve ter sido educado em alguma religião, e eu lhe pergunto: Como foi que você aprendeu a maneira de um homem viver bem na vida, através da tua religião?

o homem sem titbear respondeu sorrindo:

– É que eu deveria amar a Deus de todo o meu coração, de toda a minha alma, com todas as minhas forças, e de todo o meu entendimento e ao próximo como a mim mesmo.

Jesus então lhe disse:

– Respondeste otimamente, então faça isso, e viverás bem.

Agora, o homem tentado se justificar, perguntou:

– E quem é o meu próximo?

E Jesus olhando-o aproximou-se dele, colocou a mão esquerda em seu ombro, e apontando com a mão direita para qualquer direção disse:

– Um homem, metalúrgico que trabalhou a noite inteira, ou seja, até a uma hora da manhã em uma fábrica situada em São Bernardo, saindo do serviço pegou o seu carro e se dirigia para o seu lar localizado em São Paulo. Cansado, dirigia numa velocidade um pouco acima do normal, porém sem ultrapassar o limite exigido por lei, já que essa pessoa da qual estou falando é respeitador das leis de trânsito. Pois bem, esse metalúrgico dirigindo-se para a sua residência parou normalmente em todos os faróis que sinalizavam luz vermelha, e foi numa dessas paradas que ladrões o assaltaram e levaram tudo o que tinha, inclusive o carro, e o largaram bastante ferido estendido à beira da calçada. Já era hora das pessoas que iriam fazer turno diurno se dirigirem para as empresas onde trabalhavam. Assim passavam com bastante intensidade por aquele local. Contudo até àquela hora o homem não fora socorrido por nenhum daqueles transeuntes. Todos passavam por ele, viam-no estendido no solo, gemendo de dor, mas com medo de se comprometerem não havia ninguém que o socorresse de maneira nenhuma.

– O olhavam penalizados, até comentavam sobre ele, mas iam embora sem fazer absolutamente nada. De repente uma pessoa com um fusquinha bem surrado, de aparência comum e de pouca cultura, passando pelo local, olhou para aquela criatura a gemer de dor. Teve compaixão, estacionou o carro, verificou o estado da vitima, pediu ajuda a Deus, procurou um telefone rapidamente para chamar o Corpo de Bombeiros, e enquanto aguardava o resgate tentava ajudar a vítima com preces e palavras de ânimo. Com um pano de flanela umedecida levemente com água, que carregava numa garrafa de refrigerante de plástico tipo pet, retirava o suor da criatura estendida ao solo, devido às dores causadas pelos ferimentos. Mesmo cansado e com sono, após uma jornada, ou melhor, uma noitada de trabalho fatigante, continuou ali, firme, limpando os ferimentos que se apresentavam mais expostos, e até a chegada do socorro ficou ao lado do ferido fazendo tudo o que podia para ajudá-lo. Quem é que lhe parece ter sido o próximo daquele que foi vítima dos ladrões? – pergunta Jesus.

O homem respondeu:

– Foi aquele que auxiliou o metalúrgico, vítima dos ladrões, dando-lhe toda a ajuda possível.

– Então – disse Jesus -, se você ajudar a todos aqueles que se apresentarem no teu caminho, como verdadeiros necessitados, não demonstrando indiferença e lhes dirigir uma palavra de conforto, oferecer um prato de comida, der um copo de água, oferecer o devido auxílio quando se apresentarem diante de ti com qualquer tipo de deficiência, der informações adequadas quando te solicitarem, der toda a ajuda possível quando te pedirem socorro por causa de algum acidente, etc., é construir um mundo melhor. Tem mais: dar um bom dia às pessoas que são teus vizinhos e companheiros de serviço; visitar um asilo ou um hospital, de vez em quando, levando uma palavrinha de ânimo e ou ser todo ouvidos aos que desejarem conversar um pouco contigo, e por aí vai, é receber de presente à amizade. Enfim, fazer estas coisas é contribuir para a tua felicidade íntima, colher um futuro pleno de amor, e entrar na posse da vida eterna.

(Autor: Élio Miolo)

Três Imperativos junho 14, 2008

Posted by Ramon Barbosa in Perseverança, Reforma Íntima, Sabedoria, Trabalho.
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Em uma conhecida passagem evangélica, Jesus afirma: Pedi e recebereis, buscai e achareis, batei e se abrirá.

Pedir, buscar e bater são os três imperativos da recomendação do Cristo. O problema consiste em aplicar sabiamente esses comandos. A existência humana nem sempre é tranqüila. Freqüentemente não é fácil identificar a conduta correta.

Perante os reclamos e os valores do mundo, a fronteira entre o certo e o errado se esfumaça. Os convites mundanos são muito sedutores e se apresentam como algo razoável. Negá-los, às vezes, parece uma insensata submissão a hábitos demasiado rígidos. Fica-se entre o dever e a vontade. Nesse embate, a razão não raro se impressiona com os exemplos alheios e apresenta o dever como conduta antiquada.

Surge a idéia de que, se todos fazem algo, isso deve ser normal. O problema é que ninguém nasce na Terra para seguir exemplos desvirtuados e viver exóticas fantasias. Todos os homens são Espíritos e sua morada natural é no Plano Espiritual. Quando aqui renascem é para cumprir programas de superação de velhos vícios e desenvolvimento de variadas virtudes. A finalidade do existir terreno é a transcendência, jamais a adoção de comportamento mais apropriado aos animais irracionais. Embora as conveniências mundanas figurem determinados hábitos como aceitáveis, nem por isso eles deixam de comprometer espiritualmente quem os adota.

Os exemplos de condutas desvirtuadas são os mais diversos. Tem-se a vivência sexual apartada de vínculos afetivos e de uma proposta de vida em comum.Há também a desonestidade de qualquer ordem, a indiferença perante os miseráveis, o abandono moral ou material de pais idosos ou enfermos. Embora se tente justificar com novos valores, com a correria da vida moderna, não há argumento que converta atos levianos e indignos em conduta louvável.

Nesse emaranhado de lutas e dúvidas, convém refletir sobre os três imperativos da exortação do Cristo.

É preciso aprender a pedir caminhos de libertação da antiga cadeia de maus hábitos.

É necessário desejar com força a saída do escuro círculo no qual a maioria das criaturas perde a visão dos interesses eternos.

Após pedir com correção, impõe-se o buscar. O ato de buscar constitui um esforço seletivo. O mundo segue pleno de solicitações inferiores, mas urge localizar a ação digna e libertadora. Muitos perseguem miragens perigosas, como mariposas que se apaixonam pela claridade de um incêndio. Convém aprender a buscar o bem legítimo, o desejo de ser melhor, de superar-se, de transcender.

Estabelecido o roteiro edificante, chega o momento de bater à porta da edificação. Bater tem o sentido de esforço metódico e contínuo. Sem persistência, é difícil transformar as experiências humanas em fatores de libertação para a eternidade. Não basta, pois, pedir sem rumo, procurar sem análise e agir sem objetivo elevado. Urge pedir ao Pai Celestial a libertação do passado de equívocos. Mas também é preciso buscar atividades nobres e nelas localizar o próprio esforço de redenção.

Pedir, buscar e bater.

Esses três verbos contêm um roteiro de libertação, com destino a vivências sublimes. É necessário apenas bem utilizá-los.

Pense nisso.

Você lembrará… junho 10, 2008

Posted by Ramon Barbosa in Momento Espírita.
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Quando os cabelos nevados lhe aureolarem a face… Quando os dias se fizerem frios, porque a gélida solidão faz presença ao seu lado… Quando seus dias se fizerem de insistente saudade, você lembrará…

Lembrará das tardes quentes, quando levava a passear os pequenos e havia risos de alegria, lambuzeira de sorvete e pipocas espalhadas pelo carro.

Recordará das brincadeiras dos meninos, usando a mangueira do jardim para se molharem uns aos outros, em vez de regar as plantas.

Lembrará de sua voz recomendando menos bagunça, economia de água, de energia elétrica…

Lembrará das mãos pequeninas que mexiam em sua orelha, enquanto os olhinhos tentavam se fechar, entregando-se ao sono.

Lembrará do ursinho de pelúcia, de olhos grandes, deixado no banco de trás de seu carro, acompanhando-o em viagem de negócios, em visitas a clientes. O ursinho que ficava ali, sempre à disposição, aguardando o retorno de seu dono, ao final do dia.

Lembrará das vozes perguntando: Pai, você me ergue? Não estou vendo nada daqui. Eu sou muito pequeno.

Você me carrega? Tô cansado.

Mami, você me gosta?

Lembrará do lanche da tarde, das visitas inesperadas portando sorrisos e flores; das festas surpresas nos aniversários; das cartas que chegavam com perfume de lembrei de você; das viagens com os amigos; dos amores, dos afagos, das lágrimas de emoção e contentamento.

Você lembrará…

Tudo passará no caleidoscópio das memórias, trazendo-lhe ao coração ternura e saudade.

* * *

Pense nisso, nos dias que vive e aproveite ao máximo o alimento do afeto, da presença, da alegria. Mantenha a aparência jovial, embora o tempo teime em lhe colocar fios de prata nos cabelos bastos e arabescos na face.

Conserve o sorriso espontâneo e claro, mesmo que a alma esteja em trajes de luto.

Memorize os momentos felizes e arquive tudo no canto mais privilegiado de sua mente.

Não esqueça nenhum detalhe: o dia cheio de luz ou a chuva insistente; as roupas coloridas, o boné levado pelo vento; os risos, o machucado, o aconchego dos pequenos em seu colo; o adormecer cansado em seus braços, após as horas de corrida e travessuras pelo parque; o cheirinho de bebê, o perfume do xampu, os cabelos escovados ou despenteados, rebeldes, jogados aos ombros.

Observe tudo. Grave tudo. Um dia, quando a solidão se sentar ao seu lado, esses detalhes, essas pequenas-grandes coisas lhe farão companhia. Você as retirará, uma a uma, do baú de memórias e alimentará as suas horas, para continuar a ser feliz, como hoje o é.

E talvez nem se dê conta do quanto é feliz.

Preparando a felicidade do seu amanhã, você acabará por descobrir, ainda hoje, o quanto é feliz.

Pense nisso… E aja agora.

Campanha da gentileza junho 9, 2008

Posted by Ramon Barbosa in Amor, Perseverança, Revolução, Sabedoria.
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O executivo estava na capital e entrou em um táxi com um amigo. Quando chegaram ao destino, o amigo disse ao taxista:

Agradeço pela corrida. O senhor dirige muito bem.

E, ante o espanto do motorista, continuou:

Fiquei impressionado em observar como o senhor manteve a calma no meio do trânsito difícil.

O profissional olhou, um tanto incrédulo, e foi embora.

O executivo perguntou ao amigo por que ele dissera aquilo. Muito simples – explicou ele. Estou tentando trazer o amor de volta a esta cidade e iniciei com uma campanha da gentileza.

Você sozinho? – Disse o outro.

Eu, sozinho, não. Conto que muitos se sintam motivados a participar da minha campanha.

Tenho certeza de que o taxista ganhou o dia com o que eu disse. Imagine agora que ele faça vinte corridas hoje. Vai ser gentil com todas as 20 pessoas que conduzir, porque alguém foi gentil com ele. Por sua vez, cada uma daquelas pessoas será gentil com seus empregados, com os garçons, com os vendedores, com sua família. Sem muito esforço, posso calcular que a gentileza pode se espalhar pelo menos em mil pessoas, num dia.

O executivo não conseguia entender muito bem a questão do contágio que o amigo lhe explicava. Mas, você vai depender de um taxista!

Não só de um taxista, respondeu o otimista. Como não tenho certeza de que o método seja infalível, tenho de fazer a mesma coisa com todas as pessoas que eu contatar hoje.

Se eu conseguir que, ao menos, três delas fiquem felizes com o que eu lhes disser, indiretamente vou conseguir influenciar as atitudes de um sem número de outras.

O executivo não estava acreditando naquele método. Afinal, podia ser que não funcionasse, que não desse certo, que a pessoa não se sensibilizasse com as palavras gentis.

Não tem importância, foi a resposta pronta do entusiasta. Para mim, não custou nada ser gentil.

* * *

Você já pensou como seria bom se agradecêssemos ao carteiro por nos trazer a correspondência em nossa residência? Ao médico que nos atenda, ao balconista, ao caixa do supermercado…

E a um professor, então? Quantos se mostram desestimulados porque ninguém lhes reconhece o trabalho!

Se receber um elogio, se alguém lhe disser como é bom o trabalho que está realizando com seu filho, como ele influenciará todos os alunos das várias classes em que leciona! E cada aluno levará a mensagem para suas casas, seus amigos, seus vizinhos. Pode não ser fácil, mas se pudermos recrutar alguém para a nossa campanha da gentileza…

Diz um provérbio de autoria desconhecida que as pessoas que dizem que não podem fazer, não deviam interromper aquelas que estão fazendo alguma coisa.

Pensemos nisso e procuremos nos engajar na campanha da gentileza.

Pode não dar certo com uma pessoa muito mal-humorada. Mas também pode ser que ela se surpreenda por ser cumprimentada, e responda.

Melhor do que isso: pode ser que ela decida cumprimentar alguém. E, em fazendo isso, se sinta bem. E passe a cumprimentar as pessoas todos os dias. Assim estaremos espalhando o germe da gentileza, que torna as pessoas mais próximas umas das outras.

Uma campanha que espalha confiança, tranquilidade…

Pensemos nisso e façamos nossa adesão à campanha da gentileza, transformando a nossa cidade num oásis de paz.