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Saudação à Alvorada agosto 18, 2009

Posted by Ramon Barbosa in Paciência, Reflexão, Sabedoria, Tempo.
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Cuida deste dia!
Ele é a vida, a própria essência da vida.
Em seu breve curso
Estão todas as verdades e realidades da tua existência:
A bênção do crescimento… A glória da ação… O esplendor da realização.
Pois o dia de ontem não é senão um sonho.
E o amanhã somente uma visão.
Mas o dia de hoje bem vivido, transforma os dias de ontem num sonho de ventura;
E os dias de amanhã numa visão da esperança.
Cuida bem, pois, do dia de hoje!
Eis a saudação da alvorada.

*   *   *

O poema do indiano Kalidasa nos fala da importância do hoje, do agora. Sábios e mais sábios proclamaram os mesmos dizeres. O maior de todos eles foi muito claro ao enunciar: Não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados. Basta ao dia de hoje o seu próprio mal. Notemos que Jesus não aconselha que não pensemos no amanhã, nem planejemos os tempos vindouros – de forma alguma.  Muitos homens têm rejeitado tais palavras, dizendo: Mas eu preciso pensar no dia de amanhã! Preciso fazer um seguro para proteger minha família. Preciso reservar algum dinheiro para a velhice! Está certo! Naturalmente que precisa, porém faz-se necessário diferenciar pensar de inquietar-se.

A palavra chave aí é inquietação, que sempre indica insegurança, temor, incerteza – todos sentimentos que fazem mal ao Espírito, quando cultivados por muito tempo.  É dessa inquietação que nasce a tão comentada ansiedade – transtorno mental que tem trazido tantos prejuízos ao ser humano nos tempos atuais.

Em outra feita, quando o Mestre Nazareno propõe um modelo de oração, de atitude mental do homem com seu Criador, Ele recita: O pão nosso de cada dia, nos dai hoje.

Percebamos que a prece pede somente pelo pão de hoje. Não se queixa do pão amanhecido que comemos ontem, e também não diz: garanti, por favor, o alimento para a próxima estação. Não se entenda tal proposta como imediatismo. É apenas a cultura de se estar presente no dia de hoje, com todas nossas forças, com toda nossa vontade.

Muitos de nós ainda estamos incompletos ou ausentes no dia de hoje. Parte de nós está no lamento do ontem, outra parte na expectativa de um amanhã possível. Parte vive num passado que era muito melhor do que hoje; parte vive na simples espera, cômoda, de um futuro melhor. Parte vive de lembranças traumáticas, tristes, outra parte vive no temor do que o futuro nos reserva. Indagaríamos então: Que sobra de nós para o presente? Que energia, que foco, que vida? Muitos vivemos fora do próprio tempo presente, pouco lá atrás, pouco acolá… Assim, recordemos da saudação à alvorada:

Mas o dia de hoje bem vivido, transforma os dias de ontem num sonho de ventura;
E os dias de amanhã numa visão da esperança.
Cuida bem, pois, do dia de hoje!
Eis a saudação da alvorada!

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E se a morte chegasse agora? abril 9, 2009

Posted by Ramon Barbosa in Paciência, Reflexão, Sabedoria, Tempo.
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Se você soubesse que hoje iria morrer – o que faria?

Esta pergunta foi feita a um homem, no século XIII. Era um homem iluminado. Nascido em berço de ouro, conheceu as delícias da abastança. Filho de rico mercador, trajava-se com os melhores tecidos da época. Sua adolescência e juventude foram impregnadas das futilidades daqueles dias, em meio a expressivo número de amigos. Assim transcorria sua vida, quando um chamado se deu a esse jovem. Então, ele se despiu dos trajos da vaidade e se transformou no Irmão Francisco, o Irmão dos Pobres.

Sua alma se encheu de poesia e ele passou a compor versos para as coisas pequeninas, mas muito importantes, da natureza. Chamou irmãos à água, ao vento, ao sol, aos animais. Sua alma exalava o odor da alegria que lhe repletava a intimidade. Muitos amigos o seguiram, abraçando os lemas da obediência, pobreza e castidade. Amigos na opulência, amigos na virtude.

Certo dia, enquanto arrancava do jardim as ervas daninhas, Frei Leão, que o observava, lhe perguntou:

Irmão Francisco, se você soubesse que morreria hoje, o que faria?

Francisco descansou o ancinho, por um instante. Seus olhos, apagados para as coisas do mundo passageiro, pareceram contemplar paisagens interiores de beleza. Suspirou, pareceu mergulhar o olhar para o mais profundo de si e respondeu, sereno:

Eu? Eu continuaria a capinar o meu jardim.

E retomou a tarefa, no mesmo ritmo e tranquilidade. Quantos de nós teríamos condições de agir dessa forma? A morte nos apavora a quase todos. Tanto a tememos que existem os que sequer pronunciamos a palavra, porque pensamos atraí-la. Outros, nem comparecemos ao enterro de colegas, amigos, porque dizemos que aquilo nos deprime, quando não nos atemoriza. Algo como se ela nos visse e se recordasse de nos vir apanhar. E andamos pela vida como se nunca fôssemos morrer. Mas, de todas as certezas que o mundo das formas transitórias nos oferece, nenhuma maior que esta: tudo que nasce, morre um dia.

Assim, embora a queiramos distante, essa megera ameaçadora que chega sempre em momentos impróprios, ela vem e arrebata os nossos amores, os desafetos, nós mesmos. Por isso, importante que vivamos cada dia com toda a intensidade, como se nos fosse o derradeiro. Não no sentido de angústia, temor, mas de sabedoria. Viver cada amanhecer, cada entardecer e cada hora, usufruindo o máximo de aprendizado, de alegria, de produção. Usar cada dia para o trabalho honrado, que nos confira dignidade. Estar com a família, com os amigos. Sorrir, abraçar, amar. Realizar o melhor em tudo que façamos, em tudo que nos seja conferido a elaborar. Deixar um rastro de luz por onde passemos.  Façamos isso e, então, se a morte nos surpreender no dobrar dos minutos, seguiremos em paz, com a consciência de Espíritos que vivemos na Terra doando o melhor e, agora, adentraremos a Espiritualidade, para o reencontro com os amores que nos antecederam.

Pensemos nisso.

Sempre com Deus fevereiro 21, 2009

Posted by Ramon Barbosa in Paciência, Perseverança, Reflexão.
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Lembra-te de Deus para que saibas agradecer os talentos da vida.

Se te encontras cansado, pensa Nele, o Eterno Pai que jamais descansa. Como nos ensinou o próprio Jesus, o Pai trabalha constantemente.

Se te encontras triste, eleva a Deus os teus sentimentos, meditando na alegria solar com que, todas as manhãs, a Infinita Bondade do Pai dissolve as trevas, anunciando um dia novo de oportunidades.

Se estás doente pensa em como Deus, na Sua compaixão e equilíbrio, reajusta os quadros da natureza. Pensa em como, após a tempestade, que arranca árvores centenárias e destrói montanhas, tudo se asserena.

Se te sentes incompreendido, ainda assim volta-te para Deus. Ele, o Eterno Doador de todas as bênçãos, quantas vezes é incompreendido pelas criaturas que criou e sustenta. Mesmo assim, a Sua paciência inesgotável não desanima, aguardando que nos decidamos por abandonar nossas imperfeições.

Se te sentes humilhado, entrega a Deus as dores da tua sensibilidade ferida ou do orgulho menosprezado, refletindo no anonimato com que Ele esconde a Sua imensa grandeza, servindo-nos todos os dias.

Se te sentes sozinho, busca a companhia sublime de Deus na pessoa daqueles que seguem na retaguarda, cambaleantes de sofrimento.

Os mais solitários que tu mesmo, que se encontram em provações mais difíceis que as tuas. Procura aqueles que a miséria encara todas as horas e necessitam da tua ajuda para matar a fome, a sede, acalmar a dor.

Sai de ti mesmo e procura-os. Eles se encontram nas favelas, nas praças, nos hospitais, nos asilos, nas prisões. Talvez, ao teu lado, nos familiares que te esperam um gesto de carinho, uma palavra amiga, um pouco de atenção.

Se estás aflito, confia a Deus as tuas ansiedades. Fala-Lhe de tudo aquilo que te vai na intimidade e Nele, que é o Amor, todas as tuas tormentas haverão de se acalmar.

Enfim, seja qual for a dificuldade, recorda o Todo Misericordioso que não nos esquece.

Na oração haverás de encontrar a força a fim de te ergueres e superares os problemas, pequenos ou grandes que te estejam a supliciar.

Na oração, que é rota de luz, não haverá de te faltar o ânimo para enfrentar mais este dia, com coragem, bom ânimo e alegria, porque, afinal de contas, dia como este nunca houve e nem haverá igual.

*   *   *

Na vida, auxilia quanto puderes. Faze o bem sem olhar a quem.

Imagina que és o lavrador e o teu próximo é o campo. Tu plantas e o outro produz. Tu és o celeiro, o outro é o cliente.

Se desejas seguir para Deus, pensa que entre Deus e tu mesmo, o próximo é a ponte.

O Criador atende às criaturas através das criaturas.

Por isso mesmo, é preciso viver e servir.

O Colibri janeiro 23, 2009

Posted by Ramon Barbosa in Paciência, Perseverança, Trabalho.
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Carlos era um garoto estudioso. Seu problema era a falta de paciência.  Se ele estivesse fazendo a lição de casa e algo saísse errado, logo se irritava. Jogava longe o caderno, a régua, o lápis e desistia do trabalho.

A atitude preocupava seus pais. Os conselhos eram reprisados todos os dias. Sem nenhum efeito. Uma manhã, ao abrir a janela do seu quarto, Carlos viu um beija-flor sobrevoando o jardim. Debruçou-se na janela e ficou observando. O lindo pássaro, de penas verdes e azuis, batia rapidamente as asas, parava diante de uma flor. Depois descia até o chão, pegava um raminho e subia até o galho de um pinheiro. Tornava a descer e subir, sempre carregando um raminho no bico. A cena deixou Carlos extasiado. Chamou o pai, a mãe, o irmão. Todos ficaram longo tempo olhando o trabalho contínuo do beija-flor que logo teve ajuda da sua companheira. O encantamento era geral.

Naquela noite, houve uma violenta tempestade. Ventos fortes. Chuva. Pela manhã, o ninho estava no chão. Carlos ficou olhando triste. Tanto trabalho por nada. Logo o sol saiu. Os ramos começaram a secar. A natureza tornou a sorrir maravilhas. O casal de beija-flores se apresentou no jardim e recomeçou a tarefa. Raminho após raminho foi sendo levado. A construção do novo ninho demorou alguns dias. Tinha a forma de uma concha bem funda. A fêmea se acomodou e botou dois ovinhos.

Carlos passou a visitar o ninho. Se a fêmea se afastava, ele ia dar uma espiadela. Numa bela tarde, que surpresa! Os filhotinhos haviam nascido. Já estavam com os biquinhos abertos, esperando que a mamãe beija-flor colocasse o alimento.

Nessa hora, o pai de Carlos aproveitou para falar:

Você já imaginou, meu filho, se no dia daquela tempestade, quando o ninho caiu, os beija-flores tivessem desistido? O exemplo deles é de persistência e paciência. Procure reforçar essas qualidades dentro de você. Se você desistir, na primeira dificuldade, perderá a chance de realizar coisas maravilhosas. Pense nisso.

*   *   *

Existem muitos animais que dão ao homem excelentes lições. Assim é a abelha com sua disciplina, a aranha com sua perseverança, a pomba com sua mensagem de paz, os pelicanos com seu exemplo de fidelidade. As aves estão presentes na literatura desde épocas remotas. Elas figuram na Bíblia, nas obras de autores clássicos da Grécia e de Roma, em fábulas e histórias famosas.

Segredos de uma Lágrima janeiro 22, 2009

Posted by Ramon Barbosa in Paciência, Reflexão, Tempo.
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Há quem acredite que os espíritas, por entrarem em contato com o mundo invisível, tudo sabem e com nada se comovem. Nenhuma das afirmativas é verdadeira. O espírita, como qualquer verdadeiro cristão, é alguém que traz o coração sensibilizado pelas dores do próximo. E chora. Pelas suas e pelas dores alheias. Busca não se desesperar, mas extravasa seus sentimentos pela torrente das lágrimas mais de uma vez.

Analisando exatamente esse desaguar de sofrimentos através do pranto, é que um companheiro espírita teve oportunidade de escrever a respeito da lágrima:

Eu sou a pequenina gota d’agua que está em toda parte do Universo. Nasci do orvalho da madrugada. Fui encontrada numa pétala de rosa que, sendo beijada pela luz do sol, fez de mim uma lágrima. Encontro-me no doce olhar da criança, nos sonhos da juventude e na saudade do velho. Ando por todos os caminhos do mundo…

Estou presente na alegria, na tristeza e no remorso, na dor e na saudade… Estive junto a Jesus e caí dos Seus olhos quando Ele disse: “Perdoa, Senhor! Eles não sabem o que fazem…” Rolei na face de Maria, a Mãe Santíssima da Humanidade inteira, quando ela viu o seu filho amado abraçando o mundo com os braços da cruz… Estou nos olhos de todas as mães!

Quando uma criança nasce, estou presente no seu primeiro vagido, e acompanho-a nos caminhos da vida, do berço ao túmulo… O que mais me comove é o pranto do arrependimento, porque em mim brilha a luz da renovação que salva e edifica!

Nos olhos dos felizes ou dos desgraçados estou sempre presente a rolar pelas faces da sombra e da luz. Enquanto houver pranto na Terra estarei sempre junto aos olhos das criaturas. Um dia, espero não seja muito distante, alcançarei a imensidão do mar para me juntar às lágrimas de toda a natureza. Beijarei os rochedos…

Em mim se espelhará o céu profundo ante a luz do sol ­ou ante o brilho das estrelas. O meu sonho é ser uma estrela… Possuir o encanto da sua luz. Guiar os peregrinos do mundo e inspirar os poetas. Desejo inspirar o homem e quando ele me vir nas noites mais escuras encontrará um novo alento e dirá, comovido: “Obrigado, Senhor! Agora creio em ti, porque vejo aquela estrela brilhando, brilhando sem cessar, dando testemunho da Tua presença e do Teu amor.” Eu desejo ser a estrela da crença e da fé.

*   *   *

Todas as lágrimas procedem de razões justas, embora não alcances prontamente as suas nascentes. Há muita lágrima molhando finos lenços e muitas feridas ocultas em pesados tecidos de brocado ou renda, que nem todos identificam. Cessa de chorar e enxuga outras lágrimas com o lenço da tua compreensão.

Quem são nossos pais? novembro 7, 2008

Posted by Ramon Barbosa in Amor, Família, Paciência, Reflexão, Sabedoria.
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Quando abrimos os olhos, neste mundo, vimos debruçados sobre nosso berço, duas pessoas especiais: nosso pai e nossa mãe. Nos primeiros anos nos sentimos dependentes deles. E, mesmo o simples fato de eles estarem a nos olhar, se constituía em segurança para nós. Assim, aprendemos a andar, amparados pelos seus braços. Nossos machucados receberam curativos e beijos. Aprendemos a andar de bicicleta, enfrentamos as ondas do mar, as águas da piscina. Suas mãos nos conduziram à escola e quando fomos ali deixados pela primeira vez, pareceu que algo se quebrou dentro de nós. Estaríamos sendo abandonados?

Contudo, ao final do dia, retornamos ao lar e aprendemos que a escola era somente um lugar para estar algumas horas. Era um lugar para aprender, para fazer amizades, para crescer. Mas sempre havia um lugar para voltar: nosso lar. O aconchego da família, a segurança paterna, o carinho materno.

À medida que os anos foram se somando, deixamos de ser dependentes. Andamos com nossos pés, agimos com nossa vontade, alçamos vôos mais altos, ou rasos. E, alguns de nós, passamos a olhar os pais de forma diferente. Quem são eles para desejarem comandar a nossa vida? Quem são eles para dizerem o que devemos ou não fazer? Quem são?

Nossos pais são Espíritos que, quase sempre, guardam relações afetivas conosco de longa data. Amigos que aceitam nos receber como filhos, desejando encurtar distâncias entre nós e o progresso. Espíritos que se dispõem a nos oferecer um corpo, a nos proteger, a nos amar. Exceções existem, é verdade. Espíritos não tão amigos que se reencontram no cadinho doméstico para ajustes do pretérito um tanto nebuloso. Mesmo assim, eles nos moldaram um corpo, permitindo-nos a reentrada no mundo carnal, e lhes devemos ser gratos. Mas, se desejam saber aonde vamos, com quem vamos, nesses tempos de tanta violência, é porque conosco se preocupam. Se nos estabelecem horários para o retorno ao lar, se nos procuram quando nos retardamos, é porque a nossa segurança os preocupa. Se insistem conosco para que estudemos mais, nos esforcemos mais, é porque, mais experientes pela maturidade que ainda não temos, nos desejam ver galgar degraus de sucesso. Se nos impõem disciplina, se nos exigem atitudes comedidas, é porque desejam colaborar com nosso progresso. Para isso, Deus nos confiou à sua guarda. E porque esse compromisso está registrado em sua memória espiritual, tanto quanto pelos laços de afeto que nos unem, eles se importam conosco.

Pensemos nisso e antes de reclamarmos tanto, olhemos nossos pais com gratidão. Vivamos com eles o melhor possível. Afinal, não estarão sempre conosco. É possível que logo mais eles se transfiram para a espiritualidade, cumprida sua missão. Vivamos usufruindo o melhor da sua companhia, da sua sabedoria, dos seus afagos. Amanhã, quando não estiverem mais conosco, teremos doces lembranças para alimentar a nossa saudade.

Salário ideal julho 10, 2008

Posted by Ramon Barbosa in Paciência, Perseverança, Trabalho.
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Você está satisfeito com o seu salário? Provavelmente não, pois são contínuas as reclamações a respeito da baixa remuneração que, como dizem, não dá para nada.

Ouve-se dizer que o dinheiro que se ganha ao final do mês mal dá para quitar débitos anteriormente assumidos. O estranho em tudo isso é que, se as reclamações pela melhoria dos salários provêm de todas as classes trabalhistas, o que se verifica em questão de qualidade de trabalho é quase o caos. Não se percebe, falando de forma generalizada, que as pessoas se preocupem em realizar bem a sua tarefa.

Contrata-se um jardineiro para colocar em ordem o jardim. E o que se obtém é uma poda mal feita, grama mal aparada e a terra mal espalhada pelos canteiros. Entrega-se uma criança aos cuidados de uma babá e se percebe a má vontade com que segue os passos vacilantes do pequeno, inquieto e vivaz. Recomenda-se um idoso enfermo a determinado atendente e nos surpreendemos com a forma com que ele é tratado, às pressas, sem atentar para detalhes.

Balconistas apressados, servidores desatenciosos, vendedores impacientes. Em todos os lugares nos deparamos com criaturas que somente pensam em olhar para o relógio, no aguardo do final do expediente, atendendo suas tarefas com descuido e até desleixo. À conta disto, decai a qualidade e trabalhos contratados são concluídos e entregues de forma afoita. Se digno é o trabalhador do seu salário, como nos alerta o Evangelho, é também muito justo que o trabalhador execute o seu trabalho com disposição e cuidado.

Que nos custará, na qualidade de jardineiros, atender à poda devidamente, afofar a terra com carinho? Afinal, as plantas dependem de nós. Quantos minutos despenderemos a mais se nos detivermos, junto ao idoso ou ao enfermo, e estendermos a colcha com cuidado, interessando-nos pelo seu bem estar? E poderemos acaso nos dar conta da responsabilidade que é zelar pelos passos de um bebê? Podemos avaliar o quão emocionante é acompanhar o desenvolvimento de um ser tão pequeno, e vê-lo a cada dia vencer mais um obstáculo? Não importa qual seja nossa profissão, qual seja a nossa tarefa. O que importa, e muito, é que a realizemos com amor, aprimorando-nos na sua execução. Quer se trate de lavar uma simples peça de roupa ou lidar com sofisticados aparelhos computadorizados, é necessário que nos conscientizemos de que, tanto quanto desejamos receber dos demais o melhor, compete-nos doar o melhor.

Portanto, antes de prosseguirmos a reclamar da nossa remuneração, revisemos a qualidade dos nossos serviços. Preocupemo-nos muito mais em nos tornarmos excelentes profissionais, o que significa criaturas responsáveis, ativas, competentes.

***

Sejam quais forem as tuas possibilidades sociais ou econômicas, trabalha! O trabalho é, ao lado da oração, o mais eficiente antídoto contra o mal, porquanto conquista valores incalculáveis com que o Espírito corrige as imperfeições e disciplina a vontade.

Saindo do poço maio 27, 2008

Posted by Ramon Barbosa in Momento Espírita, Motivação, Paciência, Perseverança, Reforma Íntima, Revolução, Sabedoria, Tempo, Trabalho.
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Narra uma lenda chinesa que no fundo de um poço pequeno, mas muito fundo, vivia um sapo. O que ele sabia do mundo era o poço e o pedaço de céu que conseguia ver pela abertura, bem no alto. Certo dia, um outro sapo se abeirou da boca do poço.

Por que não desce e vem brincar comigo? É divertido aqui. – Convidou o sapo lá embaixo.

O que tem aí? – perguntou o de cima.

Tudo: água, correntes subterrâneas, estrelas, a luz e até objetos voadores que vêm do céu.

O sapo da terra suspirou.

Amigo, você não sabe nada. Você não tem idéia do que é o mundo.

O sapo do poço não gostou daquela observação.

Quer dizer que existe um mundo maior do que o meu? Aqui vemos, sentimos e temos tudo o que existe no mundo.

Aí é que você se engana, falou o outro. Você só está vendo o mundo a partir da abertura do poço. O mundo aqui fora é enorme.

O sapo do poço ficou muito chateado e foi perguntar a seu pai se aquilo era verdade.

Haveria um mundo maior lá em cima?

O pai confirmou: Sim, havia um outro mundo, com muito mais estrelas do que se podia ver dali debaixo.

Por que nunca me disse? – perguntou o sapinho, desapontado.

Para quê? O seu destino é aqui embaixo, neste poço. Não há como sair.

Eu posso! Eu consigo sair! – falou o sapinho.

E pulou, saltou, se esforçou. O poço era muito fundo, a terra longe demais e ele foi se cansando.

Não adianta, filho. – tornou o pai a dizer. Eu tentei a vida toda. Seus avós fizeram o mesmo. Esqueça o mundo lá em cima. Contente-se com o que tem ou vai viver sempre infeliz.

Quero sair! Quero ver o mundo lá fora! – chorava o filhote.

E passou o resto da vida tentando escapar do poço escuro e frio. O grande mundo lá em cima era o seu sonho.

***

Um pobre camponês de apenas 8 anos de idade não se cansava de ouvir esta lenda dos lábios de seu pai. Vivendo a época da revolução cultural na China de Mao Tsé Tung, o menino passava fome, frio e toda sorte de privações.

Pai, estamos em um poço? – perguntava.

Depende do ponto de vista. – respondia o pai.

Mais de uma vez o garoto se sentia como o sapo no poço, sem saída. Mas ele enviava mensagens aos Espíritos. Pedia vida longa e felicidade para sua mãe. Pedia pela saúde de seu pai, mas, mais que tudo, ele pedia para sair do poço escuro e profundo. Ele sonhava com coisas lindas que não possuía. Pedia comida para sua família. Pedia que o tirassem do poço para que ele pudesse ajudar seus pais e irmãos.e Ele pedia, e sonhava, e deixava sua imaginação levá-lo para bem longe.

Um dia, a possibilidade mais remota mudou de modo total o curso da sua vida. Ele foi escolhido entre centenas de camponeses e foi fazer parte de algumas das maiores companhias de balé do Mundo. Um dia, ele se tornaria amigo do Presidente e da Primeira-dama, de astros do cinema e das pessoas mais influentes dos Estados Unidos. Seria uma estrela: o último bailarino de Mao Tsé Tung.

Li Cunxin saiu do poço.

***

Nunca deixe de sonhar! Nunca abandone seus ideais. Mantenha aquecido o seu coração e vivas as suas esperanças. O amanhã é sempre um dia a ser conquistado!

Pense nisso!

O amor perante a indignidade maio 17, 2008

Posted by Ramon Barbosa in Amor, Momento Espírita, Paciência, Perseverança, Reforma Íntima, Sabedoria.
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É comum o cristão experimentar a angustiante sensação de que não está à altura da crença que esposa. Ele pensa que não se esforça o bastante para viver o que acredita. Ou que seus esforços não dão os resultados que gostaria. Uma triste dúvida por vezes lhe baila na mente:

Será que ele é apenas um hipócrita, enamorado de belos ideais, mas sem colocá-los em prática?

O modelo cristão é bastante elevado. Trata-se da figura do Cristo, sublime sob todos os aspectos. Embora em constante contato com seres ignorantes e transviados, preservou Sua pureza. Ensinou, curou e exemplificou as mais excelsas virtudes. Submetido às maiores violências, perdoou imediatamente.

Rigorosamente paciente com os simples e ignorantes, soube usar de energia ao tratar com os poderosos e os sábios de coração vazio. Jesus alterou a História e os valores da Humanidade. Com ele, a palavra amor ganhou uma nova acepção. Não mais se tratava apenas de erotismo ou de amizade, conforme o legado dos filósofos gregos. Tinha-se doação incondicional, sem qualquer expectativa de retorno.

Surgiu a concepção de que o semelhante deve ser amado apenas porque existe, independentemente de seus valores e de seus atos. Aí reside um fator de dificuldade para uma boa parte dos cristãos.

A figura de Jesus cintila em Suas perfeições. O relato de Seus feitos provoca um intenso desejo de segui-Lo, de imitar-Lhe a conduta. Mas para isso é preciso desenvolver um amor desinteressado e abrangente. Entretanto, a Humanidade parece tão lamentável e suscita tão pouca simpatia!

Pessoas genuinamente boas são raras no Mundo. Já os desonestos são tão abundantes e ardilosos! As notícias sobre políticos corruptos não colocam o coração humano em disposição amorosa. Os criminosos sempre estão a conseguir um modo de sair da cadeia.

Vê-se por todo lado a esperteza, a desonestidade e o egoísmo. Parece que todo mundo está à cata de vantagens e de privilégios. Fala-se mais em greves do que em serviços eficientemente prestados. Amar uma Humanidade assim parece uma tarefa bem difícil, quase impossível… Entretanto, Jesus é o Modelo e conviveu com homens ainda mais rudes e os amou.

Um fator importante a considerar é que cada qual recebe conforme suas obras. A Justiça Divina preside a harmonia universal. Não é necessário gastar tempo com atitudes de revolta e inconformismo. As leis humanas são falhas e freqüentemente são burladas. Mas as Leis Divinas são incorruptíveis e infalíveis.

Todo ato, seja digno ou indigno, tem naturais e automáticas repercussões. Assim, os que se permitem viver no mal devem apenas ser lamentados. Eles estão semeando dores em seus destinos. Conforme afirmou o Mestre na cruz, eles não sabem o que fazem.

Ciente dessa realidade, não deixe que a miséria moral alheia seja um obstáculo à sua piedade e ao seu amor. Mesmo que você não consiga fazê-lo com perfeição, esforce-se em amar seu semelhante.

Os ignorantes e indignos são apenas os mais necessitados de compreensão e auxílio.

Pense nisso.