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Saudação à Alvorada agosto 18, 2009

Posted by Ramon Silva in Paciência, Reflexão, Sabedoria, Tempo.
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Cuida deste dia!
Ele é a vida, a própria essência da vida.
Em seu breve curso
Estão todas as verdades e realidades da tua existência:
A bênção do crescimento… A glória da ação… O esplendor da realização.
Pois o dia de ontem não é senão um sonho.
E o amanhã somente uma visão.
Mas o dia de hoje bem vivido, transforma os dias de ontem num sonho de ventura;
E os dias de amanhã numa visão da esperança.
Cuida bem, pois, do dia de hoje!
Eis a saudação da alvorada.

*   *   *

O poema do indiano Kalidasa nos fala da importância do hoje, do agora. Sábios e mais sábios proclamaram os mesmos dizeres. O maior de todos eles foi muito claro ao enunciar: Não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados. Basta ao dia de hoje o seu próprio mal. Notemos que Jesus não aconselha que não pensemos no amanhã, nem planejemos os tempos vindouros – de forma alguma.  Muitos homens têm rejeitado tais palavras, dizendo: Mas eu preciso pensar no dia de amanhã! Preciso fazer um seguro para proteger minha família. Preciso reservar algum dinheiro para a velhice! Está certo! Naturalmente que precisa, porém faz-se necessário diferenciar pensar de inquietar-se.

A palavra chave aí é inquietação, que sempre indica insegurança, temor, incerteza – todos sentimentos que fazem mal ao Espírito, quando cultivados por muito tempo.  É dessa inquietação que nasce a tão comentada ansiedade – transtorno mental que tem trazido tantos prejuízos ao ser humano nos tempos atuais.

Em outra feita, quando o Mestre Nazareno propõe um modelo de oração, de atitude mental do homem com seu Criador, Ele recita: O pão nosso de cada dia, nos dai hoje.

Percebamos que a prece pede somente pelo pão de hoje. Não se queixa do pão amanhecido que comemos ontem, e também não diz: garanti, por favor, o alimento para a próxima estação. Não se entenda tal proposta como imediatismo. É apenas a cultura de se estar presente no dia de hoje, com todas nossas forças, com toda nossa vontade.

Muitos de nós ainda estamos incompletos ou ausentes no dia de hoje. Parte de nós está no lamento do ontem, outra parte na expectativa de um amanhã possível. Parte vive num passado que era muito melhor do que hoje; parte vive na simples espera, cômoda, de um futuro melhor. Parte vive de lembranças traumáticas, tristes, outra parte vive no temor do que o futuro nos reserva. Indagaríamos então: Que sobra de nós para o presente? Que energia, que foco, que vida? Muitos vivemos fora do próprio tempo presente, pouco lá atrás, pouco acolá… Assim, recordemos da saudação à alvorada:

Mas o dia de hoje bem vivido, transforma os dias de ontem num sonho de ventura;
E os dias de amanhã numa visão da esperança.
Cuida bem, pois, do dia de hoje!
Eis a saudação da alvorada!

Caixinha de Beijos dezembro 9, 2008

Posted by Ramon Silva in Amor, Família, Sabedoria.
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Certo dia, um homem chegou a casa e ficou muito irritado com sua filha de três anos. Ela havia apanhado um rolo de papel de presente dourado e literalmente desperdiçado fazendo um embrulho. Porque o dinheiro andasse curto e o papel fosse muito caro, ele não poupou recriminações para a garotinha, que ficou triste e chorou.

Naquela mesma noite, o pai descobriu num canto da sala, no local onde a família colocara os presentes para serem distribuídos no dia de Natal, um embrulho dourado não muito bem feito. Na manhã seguinte, logo que despertou, a menininha correu para ele com o embrulho nas mãos, abraçou forte o seu pescoço, encheu seu rosto de beijos e lhe entregou o presente. Isto é pra você, paizinho! Foi o que ela disse. Ele se sentiu muito envergonhado com sua furiosa reação do dia anterior. Mas, logo que abriu o embrulho, voltou a explodir. Era uma caixinha vazia. Gritou para a filha:

- Você não sabe que quando se dá um presente a alguém, a gente coloca alguma coisa dentro da caixa?

A criança olhou para ele, com os olhos cheios de lágrimas e disse:

- Mas, papai, a caixinha não está vazia. Eu soprei muitos beijos dentro dela. Todos para você, papai.

O pai quase morreu de vergonha. Abraçou a menina e suplicou que ela o perdoasse.

Dizem que o homem guardou a caixa dourada ao lado de sua cama por anos. Sempre que se sentia triste, chateado, deprimido, ele tomava da caixa um beijo imaginário e recordava o amor que sua filha havia posto ali.

*   *   *

De uma forma simples, cada um de nós, humanos, temos recebido uma caixinha dourada, cheia de amor incondicional de nossos pais, de nossos filhos, de nossos irmãos e amigos. Entretanto, nem sempre nos damos conta. Estamos tão preocupados com o ter, com valores do mundo, que as coisas pequenas não são percebidas por nós.

Assim, a esposa não valoriza o ramalhete de flores do campo que o marido lhe enviou, no dia do aniversário. É que ela esperava ganhar uma valiosa jóia e não aquela insignificância. O marido nem agradece o fato da esposa, no dia em que comemoram mais um ano de casados, esperá-lo com um jantar simples, a dois, em casa. Ele estava esperando uma comemoração em grande estilo, ruidosa, cercado de amigos e muitos comes e bebes.

Os pais não dão importância para aquele cartão meio amassado que os pequenos trazem da escola, pintado com as mãos de quem apenas ensaia a arte de dominar as tintas e os pincéis nas mãos pequeninas. Eles estão mais envolvidos com as contas que a escola está cobrando e acreditam que, pelo tanto que lhes custa a mensalidade escolar, os professores deveriam ter lhes enviado um presente de valor.

É, muitos de nós não encontramos os beijos na caixinha dourada. Só vemos a caixinha vazia.

*   *   *

O amor é feito de pequeninas coisas. Não exige fortunas para se manifestar. Por vezes, é um ato de renúncia, como a daquele homem que no dia de Natal, em plena guerra, conseguiu apenas uma laranja para a ceia dele e da esposa. Então a descascou, colocou em um prato, criando uma careta com os gomos bem dispostos e entregou para a esposa, com um beijo e um pedaço de papel escrito: Feliz Natal! E ficou observando-a comer, com vagar, feliz por ver os olhos dela brilharem e ela se deliciar com a fruta tão rara naqueles dias, naquele local.

Viver o Presente outubro 29, 2008

Posted by Ramon Silva in Sabedoria, Tempo.
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Quer aprender a viver no presente? Então tenha filhos.

Observar um bebê e a sua relação com o tempo é simplesmente divino, afirma a escritora e professora de yoga, Isabela Fortes.

Nessa observação da vida infantil, através da lupa da sensibilidade, ela afirma que, para o bebê, o passado e o futuro não existem, apenas o agora. Em variações de pequenos segundos, ele tenta nos comunicar o que precisa, no momento em que precisa: fome, sono, dor, fraldas – tudo só existe no agora.

Também as crianças maiores, na primeira infância, levam algum tempo para conseguir entender o tal do tempo. Ontem, amanhã, daqui a dois dias ou dois anos, para elas é tudo igual e incompreensível.

Essa questão nos leva a experiências curiosas, como por exemplo, a do casal que adotou uma forma peculiar de conseguir explicar o tempo para sua filha de 5 anos. Quando queriam dizer que faltavam 2 dias para ela viajar, ou para começar as aulas, afirmavam: Você terá que dormir e acordar, e depois dormir e acordar novamente, aí chega o dia.

*   *   *

Dessa característica especial dos pequenos, podemos aprender que o foco, no tempo presente, é fundamental para ter uma vida equilibrada. Gastamos energias em demasia quando presos excessivamente ao passado, às lembranças. Da mesma forma que nos desgastamos muito com a tal da preocupação, isto é, uma ocupação prévia com algo que ainda não aconteceu, e pode nem vir a acontecer. Foi assim que conhecemos a temida e tão analisada ansiedade que, nos dias de hoje, nos traz problemas e mais problemas existenciais.

Quando nos focamos no presente, vivendo um dia de cada vez, como se diz popularmente, aproveitamos o tempo com muito mais eficiência e menos desgaste. Fazemos cada tarefa pensando nesta tarefa, e não naquilo que deixamos de fazer ou naquilo que faremos amanhã ou depois. Quando estamos com alguém que amamos, com a família, por exemplo, estejamos lá por inteiro, e não metade ali, aproveitando, e outra metade voando com o pensamento para longe.

Alguns de nós chegamos a fazer uma espécie de autoterrorismo, cultivando pensamentos como: Pena que esses momentos não duram! Como viverei quando tudo isso acabar? São sofrimentos voluntários, desnecessários, que impomos aos nossos dias, por não nos darmos chance de viver o presente, e dele extrair tudo de bom que está nos ofertando.

Viver o presente não significa, porém, viver sem planos, sem objetivos. Nem desconsiderar o passado, sem tê-lo como referencial importante – de forma alguma! Viver o presente é dar o devido peso a cada um desses tempos, aprendendo com o passado, vislumbrando o futuro, mas trabalhando no presente, e apenas no presente.

É fundamental lembrar do ensino do Cristo, quando, ao perceber as inquietações de nossa alma, quanto aos dias vindouros, afirmou:

Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, pois o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.

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