Salário ideal Julho 10, 2008
Posted by Ramon Silva in Paciência, Perseverança, Trabalho.Tags: Trabalho
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Você está satisfeito com o seu salário? Provavelmente não, pois são contínuas as reclamações a respeito da baixa remuneração que, como dizem, não dá para nada.
Ouve-se dizer que o dinheiro que se ganha ao final do mês mal dá para quitar débitos anteriormente assumidos. O estranho em tudo isso é que, se as reclamações pela melhoria dos salários provêm de todas as classes trabalhistas, o que se verifica em questão de qualidade de trabalho é quase o caos. Não se percebe, falando de forma generalizada, que as pessoas se preocupem em realizar bem a sua tarefa.
Contrata-se um jardineiro para colocar em ordem o jardim. E o que se obtém é uma poda mal feita, grama mal aparada e a terra mal espalhada pelos canteiros. Entrega-se uma criança aos cuidados de uma babá e se percebe a má vontade com que segue os passos vacilantes do pequeno, inquieto e vivaz. Recomenda-se um idoso enfermo a determinado atendente e nos surpreendemos com a forma com que ele é tratado, às pressas, sem atentar para detalhes.
Balconistas apressados, servidores desatenciosos, vendedores impacientes. Em todos os lugares nos deparamos com criaturas que somente pensam em olhar para o relógio, no aguardo do final do expediente, atendendo suas tarefas com descuido e até desleixo. À conta disto, decai a qualidade e trabalhos contratados são concluídos e entregues de forma afoita. Se digno é o trabalhador do seu salário, como nos alerta o Evangelho, é também muito justo que o trabalhador execute o seu trabalho com disposição e cuidado.
Que nos custará, na qualidade de jardineiros, atender à poda devidamente, afofar a terra com carinho? Afinal, as plantas dependem de nós. Quantos minutos despenderemos a mais se nos detivermos, junto ao idoso ou ao enfermo, e estendermos a colcha com cuidado, interessando-nos pelo seu bem estar? E poderemos acaso nos dar conta da responsabilidade que é zelar pelos passos de um bebê? Podemos avaliar o quão emocionante é acompanhar o desenvolvimento de um ser tão pequeno, e vê-lo a cada dia vencer mais um obstáculo? Não importa qual seja nossa profissão, qual seja a nossa tarefa. O que importa, e muito, é que a realizemos com amor, aprimorando-nos na sua execução. Quer se trate de lavar uma simples peça de roupa ou lidar com sofisticados aparelhos computadorizados, é necessário que nos conscientizemos de que, tanto quanto desejamos receber dos demais o melhor, compete-nos doar o melhor.
Portanto, antes de prosseguirmos a reclamar da nossa remuneração, revisemos a qualidade dos nossos serviços. Preocupemo-nos muito mais em nos tornarmos excelentes profissionais, o que significa criaturas responsáveis, ativas, competentes.
***
Sejam quais forem as tuas possibilidades sociais ou econômicas, trabalha! O trabalho é, ao lado da oração, o mais eficiente antídoto contra o mal, porquanto conquista valores incalculáveis com que o Espírito corrige as imperfeições e disciplina a vontade.
Três Imperativos Junho 14, 2008
Posted by Ramon Silva in Perseverança, Reforma Íntima, Sabedoria, Trabalho.Tags: jesus
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Em uma conhecida passagem evangélica, Jesus afirma: Pedi e recebereis, buscai e achareis, batei e se abrirá.
Pedir, buscar e bater são os três imperativos da recomendação do Cristo. O problema consiste em aplicar sabiamente esses comandos. A existência humana nem sempre é tranqüila. Freqüentemente não é fácil identificar a conduta correta.
Perante os reclamos e os valores do mundo, a fronteira entre o certo e o errado se esfumaça. Os convites mundanos são muito sedutores e se apresentam como algo razoável. Negá-los, às vezes, parece uma insensata submissão a hábitos demasiado rígidos. Fica-se entre o dever e a vontade. Nesse embate, a razão não raro se impressiona com os exemplos alheios e apresenta o dever como conduta antiquada.
Surge a idéia de que, se todos fazem algo, isso deve ser normal. O problema é que ninguém nasce na Terra para seguir exemplos desvirtuados e viver exóticas fantasias. Todos os homens são Espíritos e sua morada natural é no Plano Espiritual. Quando aqui renascem é para cumprir programas de superação de velhos vícios e desenvolvimento de variadas virtudes. A finalidade do existir terreno é a transcendência, jamais a adoção de comportamento mais apropriado aos animais irracionais. Embora as conveniências mundanas figurem determinados hábitos como aceitáveis, nem por isso eles deixam de comprometer espiritualmente quem os adota.
Os exemplos de condutas desvirtuadas são os mais diversos. Tem-se a vivência sexual apartada de vínculos afetivos e de uma proposta de vida em comum.Há também a desonestidade de qualquer ordem, a indiferença perante os miseráveis, o abandono moral ou material de pais idosos ou enfermos. Embora se tente justificar com novos valores, com a correria da vida moderna, não há argumento que converta atos levianos e indignos em conduta louvável.
Nesse emaranhado de lutas e dúvidas, convém refletir sobre os três imperativos da exortação do Cristo.
É preciso aprender a pedir caminhos de libertação da antiga cadeia de maus hábitos.
É necessário desejar com força a saída do escuro círculo no qual a maioria das criaturas perde a visão dos interesses eternos.
Após pedir com correção, impõe-se o buscar. O ato de buscar constitui um esforço seletivo. O mundo segue pleno de solicitações inferiores, mas urge localizar a ação digna e libertadora. Muitos perseguem miragens perigosas, como mariposas que se apaixonam pela claridade de um incêndio. Convém aprender a buscar o bem legítimo, o desejo de ser melhor, de superar-se, de transcender.
Estabelecido o roteiro edificante, chega o momento de bater à porta da edificação. Bater tem o sentido de esforço metódico e contínuo. Sem persistência, é difícil transformar as experiências humanas em fatores de libertação para a eternidade. Não basta, pois, pedir sem rumo, procurar sem análise e agir sem objetivo elevado. Urge pedir ao Pai Celestial a libertação do passado de equívocos. Mas também é preciso buscar atividades nobres e nelas localizar o próprio esforço de redenção.
Pedir, buscar e bater.
Esses três verbos contêm um roteiro de libertação, com destino a vivências sublimes. É necessário apenas bem utilizá-los.
Pense nisso.
Saindo do poço Maio 27, 2008
Posted by Ramon Silva in Momento Espírita, Motivação, Paciência, Perseverança, Reforma Íntima, Revolução, Sabedoria, Tempo, Trabalho.1 comment so far
Narra uma lenda chinesa que no fundo de um poço pequeno, mas muito fundo, vivia um sapo. O que ele sabia do mundo era o poço e o pedaço de céu que conseguia ver pela abertura, bem no alto. Certo dia, um outro sapo se abeirou da boca do poço.
Por que não desce e vem brincar comigo? É divertido aqui. – Convidou o sapo lá embaixo.
O que tem aí? – perguntou o de cima.
Tudo: água, correntes subterrâneas, estrelas, a luz e até objetos voadores que vêm do céu.
O sapo da terra suspirou.
Amigo, você não sabe nada. Você não tem idéia do que é o mundo.
O sapo do poço não gostou daquela observação.
Quer dizer que existe um mundo maior do que o meu? Aqui vemos, sentimos e temos tudo o que existe no mundo.
Aí é que você se engana, falou o outro. Você só está vendo o mundo a partir da abertura do poço. O mundo aqui fora é enorme.
O sapo do poço ficou muito chateado e foi perguntar a seu pai se aquilo era verdade.
Haveria um mundo maior lá em cima?
O pai confirmou: Sim, havia um outro mundo, com muito mais estrelas do que se podia ver dali debaixo.
Por que nunca me disse? – perguntou o sapinho, desapontado.
Para quê? O seu destino é aqui embaixo, neste poço. Não há como sair.
Eu posso! Eu consigo sair! – falou o sapinho.
E pulou, saltou, se esforçou. O poço era muito fundo, a terra longe demais e ele foi se cansando.
Não adianta, filho. – tornou o pai a dizer. Eu tentei a vida toda. Seus avós fizeram o mesmo. Esqueça o mundo lá em cima. Contente-se com o que tem ou vai viver sempre infeliz.
Quero sair! Quero ver o mundo lá fora! – chorava o filhote.
E passou o resto da vida tentando escapar do poço escuro e frio. O grande mundo lá em cima era o seu sonho.
***
Um pobre camponês de apenas 8 anos de idade não se cansava de ouvir esta lenda dos lábios de seu pai. Vivendo a época da revolução cultural na China de Mao Tsé Tung, o menino passava fome, frio e toda sorte de privações.
Pai, estamos em um poço? – perguntava.
Depende do ponto de vista. – respondia o pai.
Mais de uma vez o garoto se sentia como o sapo no poço, sem saída. Mas ele enviava mensagens aos Espíritos. Pedia vida longa e felicidade para sua mãe. Pedia pela saúde de seu pai, mas, mais que tudo, ele pedia para sair do poço escuro e profundo. Ele sonhava com coisas lindas que não possuía. Pedia comida para sua família. Pedia que o tirassem do poço para que ele pudesse ajudar seus pais e irmãos.e Ele pedia, e sonhava, e deixava sua imaginação levá-lo para bem longe.
Um dia, a possibilidade mais remota mudou de modo total o curso da sua vida. Ele foi escolhido entre centenas de camponeses e foi fazer parte de algumas das maiores companhias de balé do Mundo. Um dia, ele se tornaria amigo do Presidente e da Primeira-dama, de astros do cinema e das pessoas mais influentes dos Estados Unidos. Seria uma estrela: o último bailarino de Mao Tsé Tung.
Li Cunxin saiu do poço.
***
Nunca deixe de sonhar! Nunca abandone seus ideais. Mantenha aquecido o seu coração e vivas as suas esperanças. O amanhã é sempre um dia a ser conquistado!
Pense nisso!
Aja enquanto é tempo Abril 26, 2008
Posted by Ramon Silva in Amor, Motivação, Sabedoria, Trabalho.Tags: Amor, Tempo, Trabalho
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Os homens são os artífices de seu destino. Essa verdade é constatada mediante singela observação do mundo que o cerca.
O aluno estudioso tira boas notas, passa por média e não se angustia com exames e repetências.Já o estudante preguiçoso está sempre envolto com notas baixas e reprovações. O profissional competente costuma ter mais clientes do que consegue atender. Vagas que exigem maiores qualificações permanecem abertas por longos períodos, embora haja muitos desempregados.
Sem dúvida, ninguém está livre de percalços. Uma pessoa inteligente e preparada pode ser surpreendida com desemprego ou momentos profissionais difíceis. Mas as crises são mais freqüentes para aquele que não tem formação sólida e fama de profissional competente. Assim, quem opta por assistir novelas em vez de estudar não pode reclamar se o sucesso não bater em sua porta.
Mesmo no âmbito das relações pessoais, cada um vive as conseqüências de seus atos. Alguém prudente no falar jamais se envolve nos transtornos que a maledicência provoca. Contudo, o tagarela sempre corre o risco de amealhar inimizades. A pessoa generosa suscita simpatias por onde passa. Quando necessita de ajuda, muitas mãos se movimentam em seu favor. Mas a criatura mesquinha e implacável está sujeita a ficar desamparada, pela antipatia que seu agir provoca.
Não é difícil verificar a Lei de causa e efeito atuando. Comportamento digno e sensato traz tranqüilidade e boa reputação. Desonestidade, preguiça e leviandade causam infinitos transtornos. Certamente há eventos que superam qualquer expectativa e semeiam dores na vida de pessoas honradas e previdentes. Mas aí em geral se tem o efeito de causas remotas. As grandes dores que nada pode evitar e não são causadas pelo agir atual refletem o acertamento de antigos equívocos.
A Justiça Divina reina soberana no Universo. Ela propicia liberdade para os Espíritos viverem conforme seus gostos e opções. Mas cada qual é estritamente responsável pelo que faz. Muitas vezes, a conseqüência do agir equivocado não se produz rapidamente e nem na mesma existência. A Lei Divina não se engana e nunca perde o endereço de quem a ofendeu. Mas ela não se mostra apenas como justiça, mas também como misericórdia. Por isso dá tempo para o calceta adquirir forças para os resgates necessários. E principalmente aguarda que ele se resolva a quitar os equívocos do passado com a moeda boa do amor.
Como afirmou o apóstolo Pedro, o amor cobre a multidão de pecados. Não é preciso sofrer para recompor o passado de erros. Mas é imperioso resgatar todo o mal feito.
Ciente dessa realidade e de seu viver milenar, dedique-se a fazer o bem. Viva de forma honrada. Trabalhe, estude, amealhe recursos intelectuais e morais. Seja um bom exemplo para todos que convivem com você. Mas vá um pouco além disso. Dedique-se a uma causa, ampare os necessitados, eduque os ignorantes. Em seu passado espiritual há certamente muitos erros. Antes que o resultado deles o atinja, gere causas de felicidade ao agir de modo altruísta.
Aja enquanto é tempo.
A rigor, o bem é sempre possível, agora ou mais tarde. Mas é uma tolice aguardar a dor cobrar a conta que o amor pode pagar.
Pense nisso.
Salvação Abril 8, 2008
Posted by Ramon Silva in Amor, Momento Espírita, Sabedoria, Trabalho.Tags: salvação
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A idéia de salvação há muito ocupa o pensamento da Humanidade. Contudo, o conceito permanece indefinido. Afinal, em que consiste exatamente a salvação? Será um processo mágico que transmuda de repente um ser egoísta e falho em um anjo de amor e misericórdia?
Os homens sempre têm buscado gurus e salvadores. Não no sentido de um mestre cujos exemplos devam ser imitados e os ensinamentos, seguidos. Mas sim como alguém que faça o trabalho duro. Há um certo gosto pelo maravilhoso, por soluções fáceis e rápidas. Conforme algumas concepções, basta crer em um Ser Superior para ser salvo ou redimido. Pela obra e graça de um terceiro, os problemas da criatura somem e ela se transporta a um mundo ideal. Aí, então, tudo é descanso e ócio. As fissuras morais desaparecem e não há mais dúvidas ou desafios. A rigor, nem se tem mais o mesmo ser, mas outro totalmente diferente, sem qualquer vínculo com o primeiro.
Há quem confira a alguns ritos o poder de provocar essa surpreendente transformação. Entretanto, no âmbito cristão, não é possível olvidar o princípio evangélico que diz: A cada um segundo suas obras.
No livro O Consolador, o Espírito Emmanuel, mediante a psicografia do médium Francisco Cândido Xavier, trata do tema. Segundo ele, a salvação da alma deve ser entendida como auto-iluminação, a caminho das mais elevadas realizações. Ou seja, o próprio ser se ilumina. Não se trata de mero aproveitamento do esforço de terceiro. Emmanuel afirma que o Evangelho é o roteiro para a ascensão de todos os Espíritos.
Conclui-se que a salvação é o resultado de um trabalhoso processo de auto-iluminação. O candidato deve esforçar-se em seguir os exemplos e os ensinamentos do Cristo. Necessita abandonar tendências inferiores e vícios. Romper com velhos hábitos e assumir o compromisso de ser melhor a cada dia. Cessar com maledicência, pornografia, preguiça, desonestidade e tudo o mais que seja incompatível com o título de cristão. Da vivência do Evangelho decorre a luz espiritual.
A salvação é um compromisso que o homem assume com sua consciência. É uma questão de maturidade, de assumir a responsabilidade pela própria existência imortal. Não há milagres e nem solução fácil. Um não faz o trabalho árduo pelo outro. A redenção é o resultado de muito esforço e disciplina. O ser surge redimido quando está pronto para a vivência da mais pura fraternidade. Quando realmente internalizou a idéia de que deve tratar o próximo como gostaria de ser tratado. Quando não mais se permite baixezas e deslealdades. Quando a dor do próximo toca fundo em seu coração. Ao redimir-se, o Espírito se liberta do mal. Por entender as dificuldades alheias, perdoa com facilidade e não permite que o mal do mundo o contamine. Por saber o quão difícil e trabalhoso é purificar-se, torna-se indulgente com as imperfeições alheias. E faz todo o bem possível, pois sente intensa compaixão pelos semelhantes. Tal estado d’alma liberta o Espírito dos círculos do sofrimento e o habilita a vivências sublimes em mundos depurados.
Esse é o significado da salvação.
Pense nisso.
Servir Março 28, 2008
Posted by Ramon Silva in Liderança, Motivação, Revolução, Sabedoria, Trabalho.Tags: jesus, líder, Liderança, servidor
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Em certa passagem evangélica, Jesus ofertou Sua paz à Humanidade. Mas salientou que essa paz era diferente da paz mundana. Em outro momento, disse que o Reino dos Céus somente era acessível a quem fazia a vontade de Deus. Também sentenciou que o Reino dos Céus não vem com aparências exteriores. Conclui-se que o Reino dos Céus é um estado de consciência.
A paz do Cristo corresponde a uma consciência em paz. O Espírito que pacifica a própria consciência goza de uma intensa e imperturbável satisfação íntima. Esse profundo silêncio interior, extremamente prazeroso, não depende de circunstâncias materiais. Mesmo perante a luta, a serenidade persiste inalterável. No mundo atual, em que as criaturas portam inúmeras neuroses e complexos, evidencia-se a geral carência da paz do Cristo. A capacidade de manter serenidade e harmonia, em meio a dificuldades, parece muito desejável. Evidentemente, a conquista da paz ofertada pelo Mestre pressupõe seguir-Lhe os ensinamentos e imitar-Lhe a conduta.
A vida de Jesus foi muito rica e plena de significados. Dela é possível tirar infinitas lições. Um dos ensinamentos mais preciosos vem da assertiva de Jesus de que Ele não viera à Terra para ser servido, mas para servir. Como Jesus é o Modelo e o Guia da Humanidade, tem-se que o cristão deve ser um servidor.
Contudo, servir não implica fazer todas as vontades do próximo. Quem realiza vontades e caprichos é um escravo, não um servidor. Servir significa atender necessidades legítimas, imprescindíveis ao bem-estar físico e emocional das criaturas. Jesus foi um servidor, jamais um escravo. Todos tinham necessidade de Suas sublimes lições e Ele as deu. Havia carência de exemplos de dignidade e compaixão e Jesus viveu tais virtudes com perfeição. Mas Ele jamais foi conivente com a hipocrisia e os vícios de toda ordem.
Quando Lhe pediam sinais, Ele não os dava. O Mestre não atendeu meras vontades ou caprichos. Ele satisfez necessidades legítimas. Em suma, cumpriu o Seu papel no Mundo.
Quem deseja a paz do Cristo, deve seguir esse exemplo. É necessário adotar o papel de servidor. Servir implica tornar-se um agente do progresso. O genuíno servidor aprimora seus talentos pelo estudo e pela reforma íntima. E utiliza esses recursos na construção de um Mundo melhor. Auxilia o próximo ao atender suas legítimas necessidades. Em sua imperfeição, os homens erram. Conseqüentemente, precisam de tolerância, compreensão e auxílio. Mas eles também devem evoluir para Deus.
A vida terrena tem a finalidade de propiciar a evolução espiritual. Não se trata de um passeio descompromissado. Assim, servir o próximo é ajudá-lo a ser o melhor que puder. Evoluir é uma imperiosa necessidade de todo ser vivo. Bem se vê que servir não é infantilizar ninguém, ao furtá-lo às experiências necessárias ao seu viver. Serve melhor quem, por seus atos e palavras, incentiva o semelhante a ser trabalhador, puro, leal e bondoso. Quem serve converte-se em um poderoso elemento do progresso e cumpre a função que lhe cabe no concerto da Criação.
Assim, vive em paz, pela consciência do dever atendido.
Pense nisso.
O bambu chinês Março 13, 2008
Posted by Ramon Silva in Paciência, Tempo, Trabalho.Tags: Perseverança
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O bambu chinês (bambusa mitis) é uma planta da família das gramíneas, nativa do Oriente. Destacamos aqui uma particularidade muito interessante, relativa ao seu crescimento.
Depois de plantada a semente deste incrível arbusto, não se vê nada por aproximadamente 5 anos, exceto um lento desabrochar de um diminuto broto a partir do bulbo. Durante 5 anos, todo crescimento é subterrâneo, invisível a olho nu. O que ninguém vê, é que uma maciça e fibrosa estrutura de raiz, que se estende vertical e horizontalmente pela terra, está sendo cuidadosamente construída. Então, lá pelo final do quinto ano, o bambu chinês cresce, até atingir a altura surpreendente de 25 metros.
Quantas coisas em nossa vida são similares ao bambu chinês… Trabalhamos, investimos tempo, esforço, dedicação, e às vezes não vemos resultado algum por semanas, meses ou anos. Quem sabe, se lembrarmos desta lição que a natureza nos dá, através do bambu chinês, teremos a paciência necessária para esperar o tal quinto ano.
Assim não deixaremos de persistir, de lutar, de investir em nós mesmos, sabendo que os frutos virão com o tempo. Muitos ainda somos imediatistas, desejando o retorno fácil, a conquista instantânea. Esquecemos que todas as grandes e valorosas conquistas da alma demandam tempo, exigem esforço de muitos e muitos anos, e às vezes de muitas vidas.
Este hábito de não desistir de nossos objetivos, de continuar tentando, de não se abalar perante os inevitáveis obstáculos, constitui uma virtude. Continuar, persistir, manter constância e firmeza, fazem parte da importantíssima virtude da perseverança.
A perseverança é o combustível dos vencedores. Mas não dos vencedores mundanos, de vitórias superficiais e transitórias. Mas daqueles que vencem a si mesmos, que vencem dificuldades no anonimato.
Thomas Edison, homem perseverante, afirmou que nossa maior fraqueza está em desistir, e que o caminho mais certo para vencer é tentar mais uma vez. E quantas centenas de vezes ele tentou fabricar sua lâmpada, sem sucesso… E o mais interessante é que as muitas tentativas frustradas lhe davam mais forças ainda.
Eu não falhei. – dizia ele. Encontrei 10 mil soluções que não davam certo.
Em outro momento afirmou que os três grandes fundamentos para se conseguir qualquer coisa são: primeiro, trabalho árduo; segundo, perseverança; terceiro: senso comum. Aprendamos com esses expoentes que muito conseguiram, não vislumbrando apenas os louros da glória, ou apenas admirando contemplativamente. Respeitemo-los por suas aquisições valorosas, e enxerguemos o caminho todo que trilharam até conseguir seu sucesso. * * *
Não asseveres: É-me impossível fazer!
Não redargas: Não consigo!
Nunca informes: Sei que é totalmente inútil aceitar.
Nem retruques: É maior do que as minhas forças.
Para aquele que crê, o impossível é tarefa que somente demora um pouco para ser realizada, já que o possível se pode realizar imediatamente.
Eu também posso fazer Março 11, 2008
Posted by Ramon Silva in Diálogo, Momento Espírita, Motivação, Trabalho.Tags: Trabalho, determinação, Coragem, amizade
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Saint-Exupéry narra com maestria, em seu Terra dos homens, quando ainda era jovem piloto, a experiência de ter assumido o correio aéreo da África. Quando recebeu a notícia que partiria na manhã seguinte para seu primeiro dia de trabalho, confessou que talvez não estivesse ainda bem preparado. Expressou assim sua insegurança a um companheiro de vôos, naquela noite. Narra o autor que seu amigo espalhava confiança como uma lâmpada espalhava luz.
Um amigo que mais tarde iria bater o recorde das travessias do correio aéreo da Cordilheira dos Andes e do Atlântico Sul. Diz-nos Exupéry que sorrindo o mais reconfortante dos sorrisos, ele me disse simplesmente:
“As tempestades, a bruma, a neve, por vezes essas coisas o incomodarão. Pense então em todos os que conheceram isso antes de você e diga assim: o que eles fizeram eu também posso fazer.”
Usualmente os novos desafios nos trazem insegurança. É um aperto no peito; uma dor no estômago; uma noite mal dormida, onde os sonhos ficam projetando um possível insucesso. É natural que nos sintamos assim por alguns momentos. São momentos que ensejam uma busca por nossas habilidades, nossas capacidades internas. Sempre será uma chance de nos conhecermos, quando inquirimos: Será que eu posso? Porém, se nossa auto-estima estiver rebaixada, ou se nosso conhecimento sobre nós mesmos for precário, a tendência é que a insegurança reine por mais tempo. Poderá ser tão poderosa a ponto de nos fazer desistir, retornar. Como se a vida nos convidasse a dar mais um passo e, ao erguermos o pé do chão, nos sentíssemos em desequilíbrio e preferíssemos voltar a perna na posição inicial. Por esta razão o conselho recebido pelo jovem aviador é precioso. Quem sabe pensar em todos que já conseguiram antes de nós, ou em todos aqueles que já passaram por isso e sobreviveram, seja grande ajuda.
O que eles fizeram eu também posso fazer. Esta frase nos fala do potencial que todos temos, mas também deve nos lembrar de questionar: Como eles conseguiram? Sim, pois vencer desafios exige sempre muita preparação, muito esforço e grande dedicação. Desta forma, se nos tivermos preparado, feito nossa parte bem feita, não há razão de temer, não há razão para deixar que a insegurança nos domine e nos paralise. Tempestades, brumas e neves são comuns e naturais na vida. As intempéries são escolas de almas que buscam aprimoramento e resistência. Elas sempre existirão. Estão, de certa forma, fora de nosso controle ou comando. O que está sob nosso manche é nossa aeronave Espírito, e nossa habilidade de contornar as tempestades, de fazer boas escolhas, de vencer a nós mesmos.
* * *
Quando o Modelo e Guia da Humanidade, Jesus, afirmou: Vós sois deuses; e também que Aquele que crê em mim fará as obras que eu faço e outras maiores, Ele falava de potencial. Conhecia profundamente a destinação de cada alma, e que esta seria a perfeição. Conhecia a imutável Lei do progresso, e ousou dizer àqueles homens ainda de coração endurecido, que no futuro, quando desejassem, seriam como Ele já era. Era o habitante do topo da montanha, dizendo aos que acabavam de começar a escalada, que todos poderiam chegar no cume um dia.
Consequências do sofrimento Março 10, 2008
Posted by Ramon Silva in Momento Espírita, Revolução, Trabalho.Tags: Mulher, Oportunidade, Revolta
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Existem pessoas muito amargas no Mundo. Pessoas que parecem ter se tornado indiferentes à dor alheia, às dificuldades que tantos enfrentam. Fechadas em si mesmas, essas pessoas somente exteriorizam a mágoa que as atormenta. Por mais familiares ou amigos as envolvam em manifestações de afeto, de consideração, elas persistem na sua posição. Afirmam que foram muito feridas, receberam traições, sofreram em demasia e, por isso, ficaram assim. Contudo, há de se considerar que, em verdade, a causa da sua amargura não são as dores eventualmente experimentadas, desde que muitas pessoas sofreram muito mais do que elas e não têm essa mesma reação. Recordamos do exemplo da paquistanesa Mukhtar Mai.
A jovem paquistanesa, para atender uma desavença tribal, mereceu a penalidade da violência sexual, por vários homens do clã que se considerou ofendido. Sua história ganhou as manchetes. Tudo porque essa jovem corajosa, em vez de se entregar ao desespero, resolveu lutar por seus direitos. Direitos humanos. Direitos de mulher. Sabedora de que centenas de mulheres, em seu país, se suicidam, todos os anos, depois de passarem por situações semelhantes à sua, ou outras violências, resolveu agir. Analfabeta e pobre, a partir de valores que lhe foram dados pelo governo paquistanês, em um acordo histórico, ela abriu uma escola para meninas. Seu objetivo é que as futuras gerações de mulheres, em seu país, não cresçam analfabetas como ela e venham a ser vítimas indefesas de toda forma de barbárie.
Diretora de escola, foi eleita mulher do ano nos Estados Unidos, em 2005. Em março de 2007, o Conselho Europeu outorgou a ela o North-South Prize de 2006, pela contribuição notável aos direitos humanos. É ela mesma, Mukhtar Mai quem diz:
Se eu ficasse em casa chorando e me lamentando pelo meu destino, não poderia mais me olhar no espelho. Às vezes, fico sufocada de indignação. Mas nunca perco a esperança. Minha vida tem um sentido. Minha infelicidade tornou-se útil para a comunidade. Todos os dias eu ouço as meninas recitarem suas lições, correrem, conversarem no pátio e rirem. Todas essas vozes me reconfortam, alimentam minha esperança. Essa escola tinha de ser criada, e eu continuarei a lutar por ela. Daqui a alguns anos, essas menininhas já terão suficientes ensinamentos escolares para enfrentar a vida de uma outra maneira, espero. Luto por mim mesma e por todas as mulheres vítimas de violência em meu país. Ao defender meus direitos de ser humano, lutando contra o princípio da justiça tribal que se opõe à lei oficial, tenho a convicção de estar apoiando as intenções da política de meu país. Se pelos estranhos caminhos do destino posso ajudar, desse modo, o meu país e o seu governo, é uma grande honra. Que Deus proteja minha missão.
Pensemos no exemplo e nas palavras da paquistanesa, que continua aguardando por justiça, sem deixar de lutar pelo bem geral. Pensemos e, ante as dores que nos cheguem, decidamos pela melhor ação: aproveitar integralmente a lição, a oportunidade, o momento. Utilizemos a dor a nosso favor e, se possível, de todos os demais que conosco privam das bênçãos deste lar chamado Terra.
Quando se vê… Março 6, 2008
Posted by Ramon Silva in Momento Espírita, Tempo, Trabalho.Tags: Trabalho, Tempo, Calma, Alma, Recomeço
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O poema de nome Seiscentos e sessenta e seis, de Mário Quintana diz assim:
A vida é uns deveres que trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas: há tempo…
Quando se vê, já é sexta-feira…Quando se vê, passaram 60 anos!
Agora, é tarde demais para ser reprovado…
E se me dessem “um dia”, uma outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguia sempre em frente… E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas…
Ao se findar um ano, prestes a iniciar um novo, é quando se ouvem frases comuns: Como passou rápido!; ou Nossa, nem vi o ano passar…; ou ainda: Lá se foi mais um ano… Muitas destas frases revelam uma espécie de falta de controle sobre o tempo em nossas vidas. Algumas são pronunciadas com pesar, como se o ano tivesse passado por nós, sem percebermos, sem fazer nada significativo neste período de vida. A vida está tão corrida! – dizem outros, revelando que o tempo passou por eles, ao invés deles terem passado pelo tempo. E quando se vê, passaram 60 anos! – diz o poeta.
Será que estamos passando pela vida, ou é a vida que está passando por nós, sem percebermos, sem interagirmos, sem deixarmos nossa marca? Será que às vezes não estamos fazendo coisas demais, sem eleger quais realmente são as importantes para nosso Espírito? Será que durante o ano conseguimos identificar cada uma das estações, e vivê-las de forma intensa? Não viramos escravos do relógio, do excesso de trabalho, do excesso de preocupação, e de mais disso e daquilo? É de se pensar… É de parar para pensar um pouco nestas questões.
Ao final de mais um dos ciclos da vida, faz-se fundamental uma pausa, avaliar, planejar, e principalmente, curtir o momento. Os ciclos são necessários para isso. Se não parássemos nunca, em breve a vida, a saúde, a cabeça, como se diz, parava por nós. Não somos máquinas, embora alguns costumes do mundo moderno pareçam querer nos tratar assim. Não somos marionetes nas mãos do tempo, nas mãos da profissão, nas mãos do consumismo avassalador. Somos Espíritos que estamos aqui, neste planeta, para nos desenvolvermos, para conquistarmos perfeição moral e intelectual, para aprendermos a amar. Somos viajores de muitas vidas, de muitas oportunidades, mas também de chances únicas, de momentos únicos, que devem ser vividos com a intensidade da luz das estrelas novas. Somos a razão de tudo, e por isso mesmo precisamos exigir mais respeito de nós mesmos. Precisamos exigir do corpo um pouco mais de alma, e de tudo um pouco mais de calma – lembrando outra bela poesia.
A vida não pára, certamente. Por isso somos nós que temos que parar um pouco. Recomeçar é sempre preciso. Faz-nos falta o novo. E nada melhor do que um novo eu para recomeçar com todas as forças.
É tempo de recomeçar…