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A criança e o segredo Agosto 17, 2008

Posted by Ramon Silva in Diálogo, Família, Liderança, Sabedoria.
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Num bonde de Botafogo, Rio de Janeiro, conversam uma jovem senhora, mãe de uma menininha que a acompanha, e sua amiga.

As duas vão falando animadamente sobre assuntos diversos, e no meio delas, a criança se sente um tanto desnorteada. Volta a cabeça de um lado para outro, ao mesmo tempo que sublinha cada frase com uma expressão de inteligência ou incompreensão. Quando o assunto está em plena efervescência, a criança intervém com um aparte. E daí em diante a conversa, passando de um lado para o outro, inevitavelmente pára, a uma objeção da pequena interlocutora.

A certa altura da conversa, a mamãe começa a ficar um tanto inquieta em relação às observações da menina. Mais adiante, já aponta para a paisagem, a ver se ela se distrai. Mas a menina está muito interessada no assunto, e a amiga da mãe parece estar muito satisfeita com isso.

O bonde anda mais um pouco, enquanto a criança faz seu comentário pertinente.

Então, a mamãe sorri para a amiga, como quem diz: Você sabe, é preciso calar a boca desta tagarela…; e pondo a mão em concha no ouvido da menina, diz qualquer coisa para a amiga, acompanhada de um olhar muito confidencial.

Como é? - a menina não entendeu bem.

E torna a mãe a repetir o segredinho, enquanto a mão enluvada diz que não, com o indicador autoritário e irritado.

Como conclusão do armistício, um beijinho rápido e inesperado nos caracoizinhos dourados enrolados na testa.

A amiga sorri, a mamãe sorri, e a menina olha para uma e para outra, meio desconfiada e desapontada, sem dizer mais nada.

A criança pode ter uns cinco anos.

Quando tiver mais dez a mamãe um dia lhe perguntará, entristecida: Mas, minha filha, que segredo é esse que você me esconde? Já não se lembrará que ela mesma lhe ensinou a calar… Que dividiu a vida em duas partes: uma que se pode, outra que não se pode mostrar.

E a menina, que antigamente assistia aos exemplos de casa, está praticando, agora, aqueles exemplos…

Quem nos traz tais preocupações com a educação infantil é a ilustre poetisa brasileira, Cecília Meireles, em uma de suas muitas crônicas sobre educação.

A autora é muito feliz em apontar um costume muito comum nas famílias, e que gera conseqüências desastrosas, em muitas ocasiões.

Por vezes, sem perceber, pais e educadores ensinam os filhos a calar, a esconder sentimentos e a mentir. Seus exemplos ensinam sempre mais do que qualquer retórica inflamada. As crianças fitam a conduta dos pais, e se inspiram nela, já que são sempre seu primeiro e maior referencial.

Precisamos redobrar o cuidado, e manter com os filhos, desde tenra idade, uma relação franca, sem segredos e sem mistérios.

Explicar sempre a razão dos não e dos sim, que serão freqüentes e naturais, faz-se condição indispensável para construir uma boa relação de respeito e amizade.

O caminho do porque sim e pronto, ou do porque não e chega, é mais cômodo para os educadores, porém, é perda de oportunidade de educar com profundidade.

Cultivar o diálogo aberto e franco sempre, é cultivar o amor em sua expressão mais bela e luminosa.

Parar para ouvir Agosto 15, 2008

Posted by Ramon Silva in Diálogo, Sabedoria.
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Como anda sua habilidade para ouvir os outros? Você tem paciência de parar para escutar alguém? Eis algumas reflexões importantes sobre o tema:

* * *

Millie Esposito ouvia, com atenção, quando um de seus filhos tinha alguma coisa a lhe dizer. Certa noite, estava sentada na cozinha com o filho, Robert, e, após uma rápida discussão sobre uma idéia que ele alimentava, ele disse:

Mãe, sei que a senhora gosta muito de mim.

A Sra. Esposito comoveu-se e comentou: Naturalmente gosto de você. Duvidava disso?

Robert respondeu: Não, mas sei realmente que a senhora gosta de mim quando quero conversar sobre alguma coisa, e a senhora pára de fazer o que está fazendo, só para me ouvir.

* * *

Quantos de nós paramos para ouvir nossos filhos? Quantos de nós paramos para ouvir o outro, assumindo essa postura respeitosa de atenção ao semelhante? E quem não gosta de ser ouvido? E ser ouvido com atenção. Dialogar com alguém que nos ouve atentamente, que espera que concluamos uma idéia para, só então expor a sua, é um grande prazer.

Uma pessoa que só fala de si mesma, que só pensa em si mesma, é irremediavelmente deseducada. Aquela que sabe ouvir, por outro lado, faz-se simpática, querida, e inspira confiança plena nos outros.

Um homem que conheceu o célebre Sigmund Freud, descreveu sua maneira de ouvir da seguinte forma:

Fiquei tão fortemente impressionado, que não o esquecerei. Ele tinha qualidades que jamais encontrei em homem algum. Nunca, em toda minha vida, vi atenção tão concentrada. Seus olhos eram meigos e suaves. Sua voz era calma e macia. Fazia poucos gestos. Mas a atenção que dispensava a mim, seus comentários positivos sobre o que eu dizia, mesmo quando eu me expressava mal, eram extraordinários. Você não imagina o que significa ser ouvido daquela maneira.

* * *

Quem sabe ouvir já ajuda, sem precisar falar coisa alguma, muitas vezes. Assim, se desejarmos ser bons conversadores, bons amigos e bons conselheiros, sejamos ouvintes atentos.

Para ser interessante, seja interessado. Faça perguntas às quais o outro sinta prazer em responder. E aproveite para aprender também. Doando atenção, doando seu ouvir atento, certamente você estará ganhando, além da gratidão do outro, experiência, conhecimento e discernimento.

A falta de tempo jamais poderá ser desculpa para o não ouvir. Basta que sejamos disciplinados, organizados, e descobriremos que teremos tempo para ouvir.

Ouvir é doar-se ao outro, por isso, alegar escassez de tempo para se dar, para praticar esta nuança de caridade, é se autocondenar à estagnação espiritual. Tal gesto de amor poderá ser praticado por qualquer um, independente de idade, poder aquisitivo ou grau de instrução. Todos podemos nos doar, ouvindo.

* * *

Jesus, o grande exemplo para a Humanidade, era um excelente ouvinte. Prestemos atenção nas passagens evangélicas, analisando-as sob este prisma, e percebamos que Ele sempre se posicionou como bom ouvinte.
Escutava com paciência e ternura todos os que Dele se aproximavam, pedindo auxílio e consolo. Jamais interrompeu alguém, e sempre debruçou sobre eles olhar atencioso e amoroso de quem se interessa pela vida de seu semelhante.

Nosso verdadeiro lugar Agosto 1, 2008

Posted by Ramon Silva in Diálogo, Sabedoria.
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Jesus era um educador de qualidades especiais. Ele não perdia oportunidade alguma para o ensino. Toda ação, palavra, feito que ocorresse onde Ele estivesse, era motivo de observações precisas.

Como nosso Modelo e Guia, tinha plena consciência de que a vida é dada ao homem para o seu progresso. E todos os momentos na vida são oportunidades de crescimento.

Narra o Evangelista Lucas que, em dia de sábado, entrou Jesus na casa de um fariseu. O nome do fariseu não é mencionado, no entanto, o Mestre fora ali convidado à refeição. Quando adentrou o local, foi observado pelos que lá se encontravam. Por sua vez, observou Jesus que os convidados escolhiam os primeiros lugares, em quase atropelo. Todos desejavam ficar o mais próximo possível do anfitrião.

Recordemos que, ao tempo do Cristo, as refeições não eram realizadas em torno de uma mesa. Os convidados se acomodavam em poltronas, sofás que eram distribuídos pelo ambiente, em mais ou menos semicírculo. As refeições eram tomadas com o convidado meio reclinado, apoiando a cabeça sobre o braço esquerdo e servindo-se com a mão direita. Por isso, a grande disputa pelos lugares mais próximos ao dono da casa.

Talvez porque desejassem ser vistos por ele, porque isso lhes constituiria um ponto a mais no relacionamento interpessoal, o que poderia ter valor para negociações de futuro. Talvez estivessem interessados em estar mais próximos para não perderem nenhuma das palavras que o anfitrião proferisse. Assim, poderiam participar do diálogo, tanto quanto teriam possibilidades de tudo avaliar. E, possivelmente, formular críticas mais tarde, sobre esse ou aquele ponto.

Relanceando o olhar pela sala, Jesus tomou da palavra e propôs uma parábola, dizendo:

Quando fordes convidados para bodas, não tomeis o primeiro lugar, para que não suceda que, havendo entre os convidados uma pessoa mais considerada do que vós, aquele que vos haja convidado venha a dizer-vos:

“Dai o vosso lugar a este.”

E vos vejais constrangidos a ocupar, cheios de vergonha, o último lugar.

Quando fordes convidados, ide colocar-vos no último lugar, a fim de que, quando aquele que vos convidou chegar, vos diga:

“Meu amigo, venha mais para cima.” Isso será para vós um motivo de glória, diante de todos os que estiverem convosco à mesa. Porquanto todo aquele que se eleva será rebaixado e todo aquele que se abaixa será elevado.

As palavras de Jesus eram, primeiramente, uma lição de etiqueta. Porque ninguém que seja convidado para um banquete, deve ir se assentando onde bem queira. A etiqueta estabelece que se aguarde o direcionamento do mestre de cerimônias ou de quem às vezes lhe faça.

Era a exortação do Mestre, também, um ensino essencialmente voltado ao Espírito.

Somente quem abriga em si a humildade, cresce de forma autêntica, progredindo.

Não foi diversa a postura do Modelo e Guia da Humanidade que Se credenciou como o servidor de todos. São Suas as palavras: Estou entre vós como aquele que serve.

* * *

Pensemos nisso: se o Senhor das Estrelas, o Cristo, assim se posicionou, por que ainda nos magoamos tanto quando não recebemos as deferências dos homens?

Sirvamos sempre. Deus, que a tudo vê e tudo sabe, conhece exatamente o lugar onde precisamos estar. Ele é a justiça suprema e nunca Se engana.

Pensemos nisso e vivamos melhor, menos preocupados com o olhar dos homens. E mais atentos ao que o Senhor da Vida tem a ofertar a cada um de nós.

A suavidade consegue esculpir Julho 30, 2008

Posted by Ramon Silva in Amor, Reflexão, Sabedoria.
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O Mosteiro na margem do Rio Piedra está cercado por uma linda vegetação, verdadeiro oásis nos campos estéreis daquela parte da Espanha. Ali, o pequeno rio transforma-se numa caudalosa corrente, e se divide em dezenas de cachoeiras. Quem caminha por aquele lugar escuta a música das águas e encontra, de repente, uma gruta, debaixo de uma das quedas d´água.

Observando cuidadosamente as pedras gastas pelo tempo, as formas que a natureza cria com paciência, vê-se escrito numa placa, os seguintes versos de Rabindranath Tagore:

Não foi o martelo que deixou perfeitas estas pedras, mas a água, com sua doçura, sua dança, e sua canção. Onde a dureza só faz destruir, a suavidade consegue esculpir.

* * *

A lição do poeta é de extrema profundidade.

Somente com suavidade, paciência e calma, conseguimos esculpir o nosso íntimo, realizando a reforma de nossas almas com o objetivo de encontrar felicidade.

Somente com suavidade, paciência e calma, conseguimos esculpir o nosso mundo, realizando sua modificação para melhor.

O martelo que destrói está nas críticas cruéis, nas palavras grosseiras que saem de nossas bocas e ferem a auto-estima das pessoas à nossa volta.

Enquanto a doçura da água está nos conselhos edificantes, na atenção e paciência com que ouvimos a alguém, nas palavras de estímulo, no elogio animador.

O martelo destruidor está no acúmulo da culpa em nosso coração, na auto-exigência desequilibrada, na falta de amor próprio.

A docilidade da água está na compreensão de nossas dificuldades, no auto-perdão, e na disposição constante para corrigir os nossos erros.

Em nossos dias, na análise de nosso comportamento, de nossas ações, lembremos sempre da delicadeza da água moldando as rochas através dos tempos. Procuremos conquistar a paciência e a tranqüilidade, certos de que são virtudes dinâmicas, que nos fazem seres pacíficos. Que as palavras do poeta indiano nos sirvam de guia, de inspiração:

Não foi o martelo que deixou perfeitas estas pedras, mas a água, com sua doçura, sua dança, e sua canção. Onde a dureza só faz destruir, a suavidade consegue esculpir.

* * *

A suavidade, a delicadeza, são o amor expresso nas pequenas coisas, nos gestos aparentemente simples, mas que revelam nossa preocupação com o próximo.

Testamento Julho 3, 2008

Posted by Ramon Silva in Amor, Diálogo, Família, Liderança, Sabedoria.
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Você já providenciou o seu testamento? Já decidiu a quem deixar os seus bens, quando a morte vier lhe ceifar a vida física?

Alguma vez já cogitou quantos transtornos poderão ser evitados se a partilha de tudo que você dispõe for decidida, por você mesmo, quando ainda goza das suas faculdades mentais e a saúde lhe sorri, abençoando-lhe os dias?

Quando você cogitar da divisão dos seus bens, elegendo herdeiros, pense em tudo o que você pode passar para os seus filhos, desde hoje. Antes que a morte roube sua presença física do lar onde seus rebentos crescem sadios, ante seu olhar amoroso, medite nos valores que são imperecíveis e que lhe cabe ofertar.

Pense no valor honestidade. Já ensinou seu filho a ser honesto? E ser honesto não quer dizer somente não se apossar do que não lhe seja devido. Significa muito mais. Falando com seus filhos, estimule-os a serem honestos em todas as circunstâncias. Não colando nas provas, não mentindo, mesmo que seja para ganhar no jogo de futebol da turma. Dizer toda a verdade mesmo que fiquem em apuros. E não deturpar um pouquinho só a verdade, para que não soe tão mal, ou mentir para se proteger. Como o melhor método de ensino é o exemplo, não esqueça de exemplificar sempre, com sua própria conduta.

E a coragem? Já a demonstrou ou buscou ensinar a seu filho? Coragem que é ousadia para tentar realizar coisas boas, embora difíceis. Coragem que é força para não fazer o que todos fazem, mas dizer não, manter sua posição e até influenciar os outros positivamente. Coragem que significa ser fiel às convicções e seguir os bons impulsos, mesmo que para todos os demais possam parecer tolos ou inconvenientes. Coragem de demonstrar os próprios sentimentos, de ser afetuoso, de ser amigo. Coragem de fazer o que é certo, mesmo que seja sozinho.

Verdadeiramente, estes são valores que você, de forma alguma, poderá repassar em testamento. Mesmo porque, quando não estiver mais em corpo físico ao lado dos seus filhos, terá já passado a oportunidade da sua educação.

Aproveite, pois, o dia que vive ao lado deles e fale-lhes do respeito. Respeito pela vida, pelos pais, pelos mais velhos, pela natureza, pelas crenças e direitos dos outros.

Fale-lhes da diversidade enorme de sentimentos dos seres humanos e ensine-os a ter respeito por todos.

Se você se empenhar, desde já, em passar valores verdadeiros a seus filhos, guarde a certeza de que, se vier a morrer sem ter deixado bem documentadas suas últimas vontades, eles saberão o que fazer.

Mais do que isto: agirão com dignidade, atendendo às lições que lhes foram repassadas.

E se você é dos que afirmam que nada tem de material para legar aos seus filhos, ministre desde já as lições do bem, da honradez, para que, quando se for, possa partir com a consciência tranqüila a lhe apontar que cumpriu seu dever de pai e educador, com muita propriedade.

Pode não deixar recursos amoedados, mas terá legado ao mundo o de que ele mais necessita: homens de bem.

***

Os seus filhos poderão crescer e acabar desenvolvendo valores diferentes dos seus e dos que tentou ensinar. Contudo, a sua mensagem de valores permanecerá indelével em suas mentes. Um dia, eles a recordarão e a utilizarão, mesmo que seja em dias avançados de suas vidas, após terem cometido erros e desacertos.

Não deixe, assim, passar em branco a oportunidade presente.

O que te faz melhor Julho 2, 2008

Posted by Ramon Silva in Reflexão, Reforma Íntima, Sabedoria.
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Narra-se que Leonardo Boff, num intervalo de uma conversa de mesa-redonda sobre religião e paz entre os povos, perguntou ao Dalai Lama:

Santidade, qual a melhor religião?

O teólogo confessa que esperava que ele dissesse: É o budismo tibetano. Ou são as religiões orientais, muito mais antigas que o cristianismo.

O Dalai Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso, olhou seu inquiridor bem nos olhos, desconcertando-o um pouco, como se soubesse da certa dose de malícia na pergunta, e afirmou:

A melhor religião é a que mais te aproxima de Deus. É aquela que te faz melhor.

Para quem sabe sair da perplexidade diante de tão sábia resposta, Boff voltou a perguntar:

O que me faz melhor?

Aquilo que te faz mais compassivo; aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável… A religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião…

Boff confessa que calou, maravilhado, e até os dias de hoje ainda rumina a resposta recebida, sábia e irrefutável. O Dalai Lama foi ao cerne da questão: a religião deve nos ser útil para a vida, como promotora de melhorias em nossa alma.

Não haverá religião mais certa, mais errada, mas sim aquela que é mais adequada para as necessidades deste ou daquele povo, desta ou daquela pessoa. Se ela estiver promovendo o Espírito, impulsionando-o à evolução moral e estabelecendo este laço fundamental da criatura com o Criador – independente do nome que este leve – ela será uma ótima religião. Ao contrário, se ela prega o sectarismo, a intolerância e a violência, é óbvio que ainda não cumpre adequadamente sua missão como religião.

O eminente Codificador do Espiritismo, Allan Kardec, quando analisou esta questão, recebeu a seguinte resposta dos Espíritos de luz:

Toda crença é respeitável quando sincera, e conduz à prática do bem. As crenças censuráveis são as que conduzem ao mal.

Desta forma, fica claro mais uma vez que a religião, por buscar nos aproximar de Deus, deve, da mesma forma, nos aproximar do bem, e da sua prática cotidiana.

Nenhum ritual, sacrifício, nenhuma prática externa será proveitosa, se não nos fizer melhores. Deveríamos empreender nossos esforços na vida para nos tornarmos melhores. Investir em tudo aquilo que nos faz mais compreensivos, mais sensíveis, mais amorosos, mais responsáveis.

A melhor Doutrina é a que melhor satisfaz ao coração e à razão, e que mais elementos tem para conduzir o homem ao bem.

***

Gandhi afirmava que uma vida sem religião é como um barco sem leme. Certamente todos precisamos de um instrumento que nos dirija. Assim, procuremos aquela religião que nos fale à alma, que nos console e que nos promova como Espíritos imortais que somos.

Transmitamos às nossas crianças, desde cedo, esta importância de manter contato com o Criador, e de praticar o bem, acima de tudo.

A indulgência Junho 24, 2008

Posted by Ramon Silva in Amor, Reflexão, Reforma Íntima, Sabedoria.
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A indulgência é esse sentimento doce e fraternal que todo homem deve alimentar para com seus irmãos, mas do qual bem poucos fazem uso.

A indulgência não vê os defeitos de outrem, ou, se os vê, evita falar deles, divulgá-los. Ao contrário, oculta-os, a fim de que se não tornem conhecidos senão dela unicamente. E, se a malevolência os descobre, tem sempre pronta uma escusa para eles, escusa plausível, séria, não das que, com aparência de atenuar a falta, mais a evidenciam com pérfida intenção.

A indulgência jamais se ocupa com os maus atos de outrem, a menos que seja para prestar um serviço. Mas, mesmo neste caso, tem o cuidado de os atenuar tanto quanto possível.

Não faz observações chocantes, não tem nos lábios censuras. Apenas conselhos e, as mais das vezes, velados.

Ao fazer uma crítica qualquer, ela sempre irá pensar antes: que conseqüência se há de tirar destas palavras?

Homens! Quando será que julgareis os vossos próprios corações, os vossos próprios atos, sem vos ocupardes com o que fazem vossos irmãos? Quando só tereis olhares severos sobre vós mesmos? Sede severos para convosco, indulgentes para com os outros. Lembrai-vos de que, talvez, tenhais cometido faltas mais graves. Sede indulgentes, meus amigos, porquanto a indulgência atrai, acalma, ergue, ao passo que o rigor desanima, afasta e irrita. Eis mais uma virtude fundamental para aqueles de nós que desejamos viver a Nova Era, a era do bem.

A indulgência não se entende por conivência com a coisa errada, de forma alguma, mas, de uma forma benevolente, de tratar a alma equivocada. Nossa severidade excessiva com os outros pouco resolve. E, pelo contrário, esta ferocidade em nosso julgamento só nos tem trazido prejuízos morais.

Quase sempre nossa crítica, nossa condenação, não visa o bem do outro, mas sim uma satisfação desequilibrada em simplesmente falar mal, ou condenar. Mecanismo psicológico de projeção, muitas vezes nos mostra no outro aquilo que detestamos em nós, e como fuga desastrosa, ao acusar, imaginamos que podemos nos livrar do mal intrínseco à nossa alma enferma. Acusar por acusar nunca nos trará o bem que desejamos, a paz que anelamos tanto. A maledicência é provocadora de prazer mórbido que atesta deficiência de caráter humano.

Sejamos assim, indulgentes, da mesma forma que o Criador o é sempre conosco, vendo o que temos de bom, e sempre nos dando novas chances de acertar após nossos erros.

Reforçar o erro de outrem é valorizar o negativo. É dar-lhe um destaque maior do que o necessário.

A indulgência é caridade, é compreensão e perdão.

*   *   *

O verdadeiro caráter da caridade é a modéstia e a humildade, que consistem em ver cada um apenas superficialmente os defeitos de outrem, e esforçar-se por fazer que prevaleça o que nele há de bom e virtuoso.

Embora o coração humano seja um abismo de corrupção, sempre há, nalgumas de suas dobras mais ocultas, o gérmen de bons sentimentos, centelha vivaz da essência espiritual.

Se Jesus vivesse nos dias de hoje Junho 19, 2008

Posted by Ramon Silva in Amor, Reflexão, Reforma Íntima, Sabedoria.
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Se Jesus vivesse nos dias de hoje, no Brasil, e Lucas tivesse que narrar através da escrita a Parábola do
Bom Samaritano, quem sabe a contaria assim:

Uma dessas pessoas bem de vida, e com uma considerável cultura, curtindo um som no seu carro, parado, a espera quem sabe de uma paquera, de repente vê Jesus na praça, rodeado de pessoas, onde conversava ensinando sobre o que seria a vida eterna. Curioso - essa pessoa que aparentava ter uns 38 anos de idade - desligou o som, fechou a porta do carro, se aproximou também daquela roda de gente para ouvir Jesus.

Jesus falava da eternidade da vida, quando esse homem demonstrando possuir boa cultura bolou uma maneira de fazer Jesus cair em contradição, para que pudesse se mostrar superior. E olhando para Jesus com um sorriso sarcástico perguntou:

- Hei, professor, o que devo fazer para entrar na posse dessa vida eterna?

Jesus, sem se abalar, olha para o seu inquiridor e diz:

- Pelo que eu posso verificar e perceber, você deve ter sido educado em alguma religião, e eu lhe pergunto: Como foi que você aprendeu a maneira de um homem viver bem na vida, através da tua religião?

o homem sem titbear respondeu sorrindo:

- É que eu deveria amar a Deus de todo o meu coração, de toda a minha alma, com todas as minhas forças, e de todo o meu entendimento e ao próximo como a mim mesmo.

Jesus então lhe disse:

- Respondeste otimamente, então faça isso, e viverás bem.

Agora, o homem tentado se justificar, perguntou:

- E quem é o meu próximo?

E Jesus olhando-o aproximou-se dele, colocou a mão esquerda em seu ombro, e apontando com a mão direita para qualquer direção disse:

- Um homem, metalúrgico que trabalhou a noite inteira, ou seja, até a uma hora da manhã em uma fábrica situada em São Bernardo, saindo do serviço pegou o seu carro e se dirigia para o seu lar localizado em São Paulo. Cansado, dirigia numa velocidade um pouco acima do normal, porém sem ultrapassar o limite exigido por lei, já que essa pessoa da qual estou falando é respeitador das leis de trânsito. Pois bem, esse metalúrgico dirigindo-se para a sua residência parou normalmente em todos os faróis que sinalizavam luz vermelha, e foi numa dessas paradas que ladrões o assaltaram e levaram tudo o que tinha, inclusive o carro, e o largaram bastante ferido estendido à beira da calçada. Já era hora das pessoas que iriam fazer turno diurno se dirigirem para as empresas onde trabalhavam. Assim passavam com bastante intensidade por aquele local. Contudo até àquela hora o homem não fora socorrido por nenhum daqueles transeuntes. Todos passavam por ele, viam-no estendido no solo, gemendo de dor, mas com medo de se comprometerem não havia ninguém que o socorresse de maneira nenhuma.

- O olhavam penalizados, até comentavam sobre ele, mas iam embora sem fazer absolutamente nada. De repente uma pessoa com um fusquinha bem surrado, de aparência comum e de pouca cultura, passando pelo local, olhou para aquela criatura a gemer de dor. Teve compaixão, estacionou o carro, verificou o estado da vitima, pediu ajuda a Deus, procurou um telefone rapidamente para chamar o Corpo de Bombeiros, e enquanto aguardava o resgate tentava ajudar a vítima com preces e palavras de ânimo. Com um pano de flanela umedecida levemente com água, que carregava numa garrafa de refrigerante de plástico tipo pet, retirava o suor da criatura estendida ao solo, devido às dores causadas pelos ferimentos. Mesmo cansado e com sono, após uma jornada, ou melhor, uma noitada de trabalho fatigante, continuou ali, firme, limpando os ferimentos que se apresentavam mais expostos, e até a chegada do socorro ficou ao lado do ferido fazendo tudo o que podia para ajudá-lo. Quem é que lhe parece ter sido o próximo daquele que foi vítima dos ladrões? - pergunta Jesus.

O homem respondeu:

- Foi aquele que auxiliou o metalúrgico, vítima dos ladrões, dando-lhe toda a ajuda possível.

- Então - disse Jesus -, se você ajudar a todos aqueles que se apresentarem no teu caminho, como verdadeiros necessitados, não demonstrando indiferença e lhes dirigir uma palavra de conforto, oferecer um prato de comida, der um copo de água, oferecer o devido auxílio quando se apresentarem diante de ti com qualquer tipo de deficiência, der informações adequadas quando te solicitarem, der toda a ajuda possível quando te pedirem socorro por causa de algum acidente, etc., é construir um mundo melhor. Tem mais: dar um bom dia às pessoas que são teus vizinhos e companheiros de serviço; visitar um asilo ou um hospital, de vez em quando, levando uma palavrinha de ânimo e ou ser todo ouvidos aos que desejarem conversar um pouco contigo, e por aí vai, é receber de presente à amizade. Enfim, fazer estas coisas é contribuir para a tua felicidade íntima, colher um futuro pleno de amor, e entrar na posse da vida eterna.

(Autor: Élio Miolo)

Três Imperativos Junho 14, 2008

Posted by Ramon Silva in Perseverança, Reforma Íntima, Sabedoria, Trabalho.
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Em uma conhecida passagem evangélica, Jesus afirma: Pedi e recebereis, buscai e achareis, batei e se abrirá.

Pedir, buscar e bater são os três imperativos da recomendação do Cristo. O problema consiste em aplicar sabiamente esses comandos. A existência humana nem sempre é tranqüila. Freqüentemente não é fácil identificar a conduta correta.

Perante os reclamos e os valores do mundo, a fronteira entre o certo e o errado se esfumaça. Os convites mundanos são muito sedutores e se apresentam como algo razoável. Negá-los, às vezes, parece uma insensata submissão a hábitos demasiado rígidos. Fica-se entre o dever e a vontade. Nesse embate, a razão não raro se impressiona com os exemplos alheios e apresenta o dever como conduta antiquada.

Surge a idéia de que, se todos fazem algo, isso deve ser normal. O problema é que ninguém nasce na Terra para seguir exemplos desvirtuados e viver exóticas fantasias. Todos os homens são Espíritos e sua morada natural é no Plano Espiritual. Quando aqui renascem é para cumprir programas de superação de velhos vícios e desenvolvimento de variadas virtudes. A finalidade do existir terreno é a transcendência, jamais a adoção de comportamento mais apropriado aos animais irracionais. Embora as conveniências mundanas figurem determinados hábitos como aceitáveis, nem por isso eles deixam de comprometer espiritualmente quem os adota.

Os exemplos de condutas desvirtuadas são os mais diversos. Tem-se a vivência sexual apartada de vínculos afetivos e de uma proposta de vida em comum.Há também a desonestidade de qualquer ordem, a indiferença perante os miseráveis, o abandono moral ou material de pais idosos ou enfermos. Embora se tente justificar com novos valores, com a correria da vida moderna, não há argumento que converta atos levianos e indignos em conduta louvável.

Nesse emaranhado de lutas e dúvidas, convém refletir sobre os três imperativos da exortação do Cristo.

É preciso aprender a pedir caminhos de libertação da antiga cadeia de maus hábitos.

É necessário desejar com força a saída do escuro círculo no qual a maioria das criaturas perde a visão dos interesses eternos.

Após pedir com correção, impõe-se o buscar. O ato de buscar constitui um esforço seletivo. O mundo segue pleno de solicitações inferiores, mas urge localizar a ação digna e libertadora. Muitos perseguem miragens perigosas, como mariposas que se apaixonam pela claridade de um incêndio. Convém aprender a buscar o bem legítimo, o desejo de ser melhor, de superar-se, de transcender.

Estabelecido o roteiro edificante, chega o momento de bater à porta da edificação. Bater tem o sentido de esforço metódico e contínuo. Sem persistência, é difícil transformar as experiências humanas em fatores de libertação para a eternidade. Não basta, pois, pedir sem rumo, procurar sem análise e agir sem objetivo elevado. Urge pedir ao Pai Celestial a libertação do passado de equívocos. Mas também é preciso buscar atividades nobres e nelas localizar o próprio esforço de redenção.

Pedir, buscar e bater.

Esses três verbos contêm um roteiro de libertação, com destino a vivências sublimes. É necessário apenas bem utilizá-los.

Pense nisso.

Campanha da gentileza Junho 9, 2008

Posted by Ramon Silva in Amor, Perseverança, Revolução, Sabedoria.
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O executivo estava na capital e entrou em um táxi com um amigo. Quando chegaram ao destino, o amigo disse ao taxista:

Agradeço pela corrida. O senhor dirige muito bem.

E, ante o espanto do motorista, continuou:

Fiquei impressionado em observar como o senhor manteve a calma no meio do trânsito difícil.

O profissional olhou, um tanto incrédulo, e foi embora.

O executivo perguntou ao amigo por que ele dissera aquilo. Muito simples – explicou ele. Estou tentando trazer o amor de volta a esta cidade e iniciei com uma campanha da gentileza.

Você sozinho? – Disse o outro.

Eu, sozinho, não. Conto que muitos se sintam motivados a participar da minha campanha.

Tenho certeza de que o taxista ganhou o dia com o que eu disse. Imagine agora que ele faça vinte corridas hoje. Vai ser gentil com todas as 20 pessoas que conduzir, porque alguém foi gentil com ele. Por sua vez, cada uma daquelas pessoas será gentil com seus empregados, com os garçons, com os vendedores, com sua família. Sem muito esforço, posso calcular que a gentileza pode se espalhar pelo menos em mil pessoas, num dia.

O executivo não conseguia entender muito bem a questão do contágio que o amigo lhe explicava. Mas, você vai depender de um taxista!

Não só de um taxista, respondeu o otimista. Como não tenho certeza de que o método seja infalível, tenho de fazer a mesma coisa com todas as pessoas que eu contatar hoje.

Se eu conseguir que, ao menos, três delas fiquem felizes com o que eu lhes disser, indiretamente vou conseguir influenciar as atitudes de um sem número de outras.

O executivo não estava acreditando naquele método. Afinal, podia ser que não funcionasse, que não desse certo, que a pessoa não se sensibilizasse com as palavras gentis.

Não tem importância, foi a resposta pronta do entusiasta. Para mim, não custou nada ser gentil.

* * *

Você já pensou como seria bom se agradecêssemos ao carteiro por nos trazer a correspondência em nossa residência? Ao médico que nos atenda, ao balconista, ao caixa do supermercado…

E a um professor, então? Quantos se mostram desestimulados porque ninguém lhes reconhece o trabalho!

Se receber um elogio, se alguém lhe disser como é bom o trabalho que está realizando com seu filho, como ele influenciará todos os alunos das várias classes em que leciona! E cada aluno levará a mensagem para suas casas, seus amigos, seus vizinhos. Pode não ser fácil, mas se pudermos recrutar alguém para a nossa campanha da gentileza…

Diz um provérbio de autoria desconhecida que as pessoas que dizem que não podem fazer, não deviam interromper aquelas que estão fazendo alguma coisa.

Pensemos nisso e procuremos nos engajar na campanha da gentileza.

Pode não dar certo com uma pessoa muito mal-humorada. Mas também pode ser que ela se surpreenda por ser cumprimentada, e responda.

Melhor do que isso: pode ser que ela decida cumprimentar alguém. E, em fazendo isso, se sinta bem. E passe a cumprimentar as pessoas todos os dias. Assim estaremos espalhando o germe da gentileza, que torna as pessoas mais próximas umas das outras.

Uma campanha que espalha confiança, tranquilidade…

Pensemos nisso e façamos nossa adesão à campanha da gentileza, transformando a nossa cidade num oásis de paz.