A suavidade consegue esculpir Julho 30, 2008
Posted by Ramon Silva in Amor, Reflexão, Sabedoria.Tags: suavidade
add a comment
O Mosteiro na margem do Rio Piedra está cercado por uma linda vegetação, verdadeiro oásis nos campos estéreis daquela parte da Espanha. Ali, o pequeno rio transforma-se numa caudalosa corrente, e se divide em dezenas de cachoeiras. Quem caminha por aquele lugar escuta a música das águas e encontra, de repente, uma gruta, debaixo de uma das quedas d´água.
Observando cuidadosamente as pedras gastas pelo tempo, as formas que a natureza cria com paciência, vê-se escrito numa placa, os seguintes versos de Rabindranath Tagore:
Não foi o martelo que deixou perfeitas estas pedras, mas a água, com sua doçura, sua dança, e sua canção. Onde a dureza só faz destruir, a suavidade consegue esculpir.
* * *
A lição do poeta é de extrema profundidade.
Somente com suavidade, paciência e calma, conseguimos esculpir o nosso íntimo, realizando a reforma de nossas almas com o objetivo de encontrar felicidade.
Somente com suavidade, paciência e calma, conseguimos esculpir o nosso mundo, realizando sua modificação para melhor.
O martelo que destrói está nas críticas cruéis, nas palavras grosseiras que saem de nossas bocas e ferem a auto-estima das pessoas à nossa volta.
Enquanto a doçura da água está nos conselhos edificantes, na atenção e paciência com que ouvimos a alguém, nas palavras de estímulo, no elogio animador.
O martelo destruidor está no acúmulo da culpa em nosso coração, na auto-exigência desequilibrada, na falta de amor próprio.
A docilidade da água está na compreensão de nossas dificuldades, no auto-perdão, e na disposição constante para corrigir os nossos erros.
Em nossos dias, na análise de nosso comportamento, de nossas ações, lembremos sempre da delicadeza da água moldando as rochas através dos tempos. Procuremos conquistar a paciência e a tranqüilidade, certos de que são virtudes dinâmicas, que nos fazem seres pacíficos. Que as palavras do poeta indiano nos sirvam de guia, de inspiração:
Não foi o martelo que deixou perfeitas estas pedras, mas a água, com sua doçura, sua dança, e sua canção. Onde a dureza só faz destruir, a suavidade consegue esculpir.
* * *
A suavidade, a delicadeza, são o amor expresso nas pequenas coisas, nos gestos aparentemente simples, mas que revelam nossa preocupação com o próximo.
O que te faz melhor Julho 2, 2008
Posted by Ramon Silva in Reflexão, Reforma Íntima, Sabedoria.Tags: budismo, dalai lama, religião
add a comment
Narra-se que Leonardo Boff, num intervalo de uma conversa de mesa-redonda sobre religião e paz entre os povos, perguntou ao Dalai Lama:
Santidade, qual a melhor religião?
O teólogo confessa que esperava que ele dissesse: É o budismo tibetano. Ou são as religiões orientais, muito mais antigas que o cristianismo.
O Dalai Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso, olhou seu inquiridor bem nos olhos, desconcertando-o um pouco, como se soubesse da certa dose de malícia na pergunta, e afirmou:
A melhor religião é a que mais te aproxima de Deus. É aquela que te faz melhor.
Para quem sabe sair da perplexidade diante de tão sábia resposta, Boff voltou a perguntar:
O que me faz melhor?
Aquilo que te faz mais compassivo; aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável… A religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião…
Boff confessa que calou, maravilhado, e até os dias de hoje ainda rumina a resposta recebida, sábia e irrefutável. O Dalai Lama foi ao cerne da questão: a religião deve nos ser útil para a vida, como promotora de melhorias em nossa alma.
Não haverá religião mais certa, mais errada, mas sim aquela que é mais adequada para as necessidades deste ou daquele povo, desta ou daquela pessoa. Se ela estiver promovendo o Espírito, impulsionando-o à evolução moral e estabelecendo este laço fundamental da criatura com o Criador – independente do nome que este leve – ela será uma ótima religião. Ao contrário, se ela prega o sectarismo, a intolerância e a violência, é óbvio que ainda não cumpre adequadamente sua missão como religião.
O eminente Codificador do Espiritismo, Allan Kardec, quando analisou esta questão, recebeu a seguinte resposta dos Espíritos de luz:
Toda crença é respeitável quando sincera, e conduz à prática do bem. As crenças censuráveis são as que conduzem ao mal.
Desta forma, fica claro mais uma vez que a religião, por buscar nos aproximar de Deus, deve, da mesma forma, nos aproximar do bem, e da sua prática cotidiana.
Nenhum ritual, sacrifício, nenhuma prática externa será proveitosa, se não nos fizer melhores. Deveríamos empreender nossos esforços na vida para nos tornarmos melhores. Investir em tudo aquilo que nos faz mais compreensivos, mais sensíveis, mais amorosos, mais responsáveis.
A melhor Doutrina é a que melhor satisfaz ao coração e à razão, e que mais elementos tem para conduzir o homem ao bem.
***
Gandhi afirmava que uma vida sem religião é como um barco sem leme. Certamente todos precisamos de um instrumento que nos dirija. Assim, procuremos aquela religião que nos fale à alma, que nos console e que nos promova como Espíritos imortais que somos.
Transmitamos às nossas crianças, desde cedo, esta importância de manter contato com o Criador, e de praticar o bem, acima de tudo.
A indulgência Junho 24, 2008
Posted by Ramon Silva in Amor, Reflexão, Reforma Íntima, Sabedoria.Tags: indulgência
1 comment so far
A indulgência é esse sentimento doce e fraternal que todo homem deve alimentar para com seus irmãos, mas do qual bem poucos fazem uso.
A indulgência não vê os defeitos de outrem, ou, se os vê, evita falar deles, divulgá-los. Ao contrário, oculta-os, a fim de que se não tornem conhecidos senão dela unicamente. E, se a malevolência os descobre, tem sempre pronta uma escusa para eles, escusa plausível, séria, não das que, com aparência de atenuar a falta, mais a evidenciam com pérfida intenção.
A indulgência jamais se ocupa com os maus atos de outrem, a menos que seja para prestar um serviço. Mas, mesmo neste caso, tem o cuidado de os atenuar tanto quanto possível.
Não faz observações chocantes, não tem nos lábios censuras. Apenas conselhos e, as mais das vezes, velados.
Ao fazer uma crítica qualquer, ela sempre irá pensar antes: que conseqüência se há de tirar destas palavras?
Homens! Quando será que julgareis os vossos próprios corações, os vossos próprios atos, sem vos ocupardes com o que fazem vossos irmãos? Quando só tereis olhares severos sobre vós mesmos? Sede severos para convosco, indulgentes para com os outros. Lembrai-vos de que, talvez, tenhais cometido faltas mais graves. Sede indulgentes, meus amigos, porquanto a indulgência atrai, acalma, ergue, ao passo que o rigor desanima, afasta e irrita. Eis mais uma virtude fundamental para aqueles de nós que desejamos viver a Nova Era, a era do bem.
A indulgência não se entende por conivência com a coisa errada, de forma alguma, mas, de uma forma benevolente, de tratar a alma equivocada. Nossa severidade excessiva com os outros pouco resolve. E, pelo contrário, esta ferocidade em nosso julgamento só nos tem trazido prejuízos morais.
Quase sempre nossa crítica, nossa condenação, não visa o bem do outro, mas sim uma satisfação desequilibrada em simplesmente falar mal, ou condenar. Mecanismo psicológico de projeção, muitas vezes nos mostra no outro aquilo que detestamos em nós, e como fuga desastrosa, ao acusar, imaginamos que podemos nos livrar do mal intrínseco à nossa alma enferma. Acusar por acusar nunca nos trará o bem que desejamos, a paz que anelamos tanto. A maledicência é provocadora de prazer mórbido que atesta deficiência de caráter humano.
Sejamos assim, indulgentes, da mesma forma que o Criador o é sempre conosco, vendo o que temos de bom, e sempre nos dando novas chances de acertar após nossos erros.
Reforçar o erro de outrem é valorizar o negativo. É dar-lhe um destaque maior do que o necessário.
A indulgência é caridade, é compreensão e perdão.
* * *
O verdadeiro caráter da caridade é a modéstia e a humildade, que consistem em ver cada um apenas superficialmente os defeitos de outrem, e esforçar-se por fazer que prevaleça o que nele há de bom e virtuoso.
Embora o coração humano seja um abismo de corrupção, sempre há, nalgumas de suas dobras mais ocultas, o gérmen de bons sentimentos, centelha vivaz da essência espiritual.
Se Jesus vivesse nos dias de hoje Junho 19, 2008
Posted by Ramon Silva in Amor, Reflexão, Reforma Íntima, Sabedoria.Tags: Bom Samaritano, jesus
1 comment so far
Se Jesus vivesse nos dias de hoje, no Brasil, e Lucas tivesse que narrar através da escrita a Parábola do
Bom Samaritano, quem sabe a contaria assim:
Uma dessas pessoas bem de vida, e com uma considerável cultura, curtindo um som no seu carro, parado, a espera quem sabe de uma paquera, de repente vê Jesus na praça, rodeado de pessoas, onde conversava ensinando sobre o que seria a vida eterna. Curioso - essa pessoa que aparentava ter uns 38 anos de idade - desligou o som, fechou a porta do carro, se aproximou também daquela roda de gente para ouvir Jesus.
Jesus falava da eternidade da vida, quando esse homem demonstrando possuir boa cultura bolou uma maneira de fazer Jesus cair em contradição, para que pudesse se mostrar superior. E olhando para Jesus com um sorriso sarcástico perguntou:
- Hei, professor, o que devo fazer para entrar na posse dessa vida eterna?
Jesus, sem se abalar, olha para o seu inquiridor e diz:
- Pelo que eu posso verificar e perceber, você deve ter sido educado em alguma religião, e eu lhe pergunto: Como foi que você aprendeu a maneira de um homem viver bem na vida, através da tua religião?
o homem sem titbear respondeu sorrindo:
- É que eu deveria amar a Deus de todo o meu coração, de toda a minha alma, com todas as minhas forças, e de todo o meu entendimento e ao próximo como a mim mesmo.
Jesus então lhe disse:
- Respondeste otimamente, então faça isso, e viverás bem.
Agora, o homem tentado se justificar, perguntou:
- E quem é o meu próximo?
E Jesus olhando-o aproximou-se dele, colocou a mão esquerda em seu ombro, e apontando com a mão direita para qualquer direção disse:
- Um homem, metalúrgico que trabalhou a noite inteira, ou seja, até a uma hora da manhã em uma fábrica situada em São Bernardo, saindo do serviço pegou o seu carro e se dirigia para o seu lar localizado em São Paulo. Cansado, dirigia numa velocidade um pouco acima do normal, porém sem ultrapassar o limite exigido por lei, já que essa pessoa da qual estou falando é respeitador das leis de trânsito. Pois bem, esse metalúrgico dirigindo-se para a sua residência parou normalmente em todos os faróis que sinalizavam luz vermelha, e foi numa dessas paradas que ladrões o assaltaram e levaram tudo o que tinha, inclusive o carro, e o largaram bastante ferido estendido à beira da calçada. Já era hora das pessoas que iriam fazer turno diurno se dirigirem para as empresas onde trabalhavam. Assim passavam com bastante intensidade por aquele local. Contudo até àquela hora o homem não fora socorrido por nenhum daqueles transeuntes. Todos passavam por ele, viam-no estendido no solo, gemendo de dor, mas com medo de se comprometerem não havia ninguém que o socorresse de maneira nenhuma.
- O olhavam penalizados, até comentavam sobre ele, mas iam embora sem fazer absolutamente nada. De repente uma pessoa com um fusquinha bem surrado, de aparência comum e de pouca cultura, passando pelo local, olhou para aquela criatura a gemer de dor. Teve compaixão, estacionou o carro, verificou o estado da vitima, pediu ajuda a Deus, procurou um telefone rapidamente para chamar o Corpo de Bombeiros, e enquanto aguardava o resgate tentava ajudar a vítima com preces e palavras de ânimo. Com um pano de flanela umedecida levemente com água, que carregava numa garrafa de refrigerante de plástico tipo pet, retirava o suor da criatura estendida ao solo, devido às dores causadas pelos ferimentos. Mesmo cansado e com sono, após uma jornada, ou melhor, uma noitada de trabalho fatigante, continuou ali, firme, limpando os ferimentos que se apresentavam mais expostos, e até a chegada do socorro ficou ao lado do ferido fazendo tudo o que podia para ajudá-lo. Quem é que lhe parece ter sido o próximo daquele que foi vítima dos ladrões? - pergunta Jesus.
O homem respondeu:
- Foi aquele que auxiliou o metalúrgico, vítima dos ladrões, dando-lhe toda a ajuda possível.
- Então - disse Jesus -, se você ajudar a todos aqueles que se apresentarem no teu caminho, como verdadeiros necessitados, não demonstrando indiferença e lhes dirigir uma palavra de conforto, oferecer um prato de comida, der um copo de água, oferecer o devido auxílio quando se apresentarem diante de ti com qualquer tipo de deficiência, der informações adequadas quando te solicitarem, der toda a ajuda possível quando te pedirem socorro por causa de algum acidente, etc., é construir um mundo melhor. Tem mais: dar um bom dia às pessoas que são teus vizinhos e companheiros de serviço; visitar um asilo ou um hospital, de vez em quando, levando uma palavrinha de ânimo e ou ser todo ouvidos aos que desejarem conversar um pouco contigo, e por aí vai, é receber de presente à amizade. Enfim, fazer estas coisas é contribuir para a tua felicidade íntima, colher um futuro pleno de amor, e entrar na posse da vida eterna.
(Autor: Élio Miolo)
Valorize o bem Maio 31, 2008
Posted by Ramon Silva in Reflexão, Reforma Íntima, Sabedoria, Tempo.1 comment so far
Estranhas ocorrências periodicamente chamam a atenção. A natureza parece convulsionar-se. Ondas imensas devastam grandes áreas habitadas. O aquecimento global provoca devastadores fenômenos climáticos. Chove em excesso em alguns lugares, enquanto noutros faz-se desesperadora seca
Ao lado dos fenômenos da natureza, há também tristes espetáculos produzidos pelos homens. Atos terroristas causam vítimas incontáveis. Guerras surgem em vários locais do planeta. Notícias sobre corrupção não param de eclodir. A cada dia são divulgadas notícias sobre cruéis atos de violência. Crianças são brutalmente assassinadas, idosos são logrados, jovens são corrompidos. No âmbito sexual, liberdade facilmente degenera em libertinagem.
Ante esse estranho contexto, não falta quem diga que a Humanidade está perdida. Entretanto, o bem nunca foi tão operante no mundo. A ciência descobre sem cessar a cura para enfermidades que, por longo tempo, infelicitaram a raça humana. A tecnologia torna o viver mais suave, sob o aspecto material. Há inúmeras organizações voltadas para a promoção do ser humano. Incessantemente surgem leis que asseguram direitos para as minorias. Organizações internacionais procuram interferir em países nos quais os direitos humanos são desrespeitados. A prática do serviço voluntário dissemina-se pelo corpo social. Há belíssimos exemplos de devotamento e abnegação.
A rigor, vive-se uma época de transição e pujança. Sob uma atividade febril, a grandeza e a miséria humanas tornam-se visíveis. Os meios de comunicação trazem a público o que por muito tempo foi dissimulado. A partir das informações disponíveis, cada qual escolhe o que deseja valorizar. Alguns se encantam com os progressos tecnológicos e científicos. Outros valorizam as conquistas dos atletas e a abnegação dos voluntários de diversas áreas. Mas há quem tome gosto por notícias de violência, corrupção e tragédia.
Por certo não é possível e nem desejável ignorar o mal ainda existente no mundo. Ele deve ser identificado e combatido, com serenidade e competência. Mas não é viável centrar no mal toda a atenção, em detrimento do bem que também se desenvolve. A Humanidade é hoje muito melhor do que jamais o foi.
Há pouco mais de um século, havia escravos no Brasil. Eram seres humanos que podiam ser chicoteados, vendidos e assassinados por seus donos. Eles eram considerados apenas coisas, bens materiais de que se dispunha livremente. Hoje a própria idéia parece escandalosa. Mas por muito tempo ela foi considerada absolutamente natural.
A sensibilidade humana está se sofisticando. Algumas práticas admitidas no passado hoje causam estarrecimento e revolta. Trata-se do progresso modelando os costumes e os sentimentos. A Humanidade está sendo preparada para uma fase mais sublime de sua existência imortal. Nela, a fraternidade, o mérito e a justiça devem reinar soberanos.
Apresse a depuração de seu mundo íntimo vivendo, valorizando e refletindo sobre o bem.
É uma questão de escolha.
Pense nisso.