Driblando a adversidade Julho 6, 2008
Posted by Ramon Silva in Motivação, Perseverança, Revolução.Tags: adversidade, bach, piano, beethoven
1 comment so far
A capacidade do ser humano de superar adversidades é inacreditável. E certos exemplos nos levam a acreditar que o ser humano ainda não descobriu tudo de que é capaz. Também nos servem de exemplos para nossas próprias vidas. Um desses é o pianista João Carlos Martins.
Começou a estudar piano aos 8 anos de idade. Após 9 meses de aula vencia, com louvor, o concurso da Sociedade Bach de São Paulo. Um prodígio. Rapidamente ele desenvolveu uma carreira de pianista internacional. Tocou nas principais salas de concerto do mundo. Dedicou-se à obra de Bach.
No auge da fama, sofreu um grande revés. Jogando futebol, sua outra paixão além da música, caiu sobre o próprio braço. O acidente o privou dos movimentos da mão. Para qualquer pessoa, uma tragédia. Para ele, um desastre total. Mas não se deu por vencido. Submeteu-se a cirurgias, dolorosas sessões de fisioterapia, injeções na palma da mão. E voltou ao piano e às melhores salas de concerto. Com dor e com paixão.
Mas a persistência de Martins voltaria a ser testada. Anos depois, vítima de um assalto na Bulgária, foi violentamente agredido. Como conseqüência, teve afetado o movimento de ambas as mãos. Para recuperar as suas ferramentas de trabalho, voltou às salas de cirurgias e à fisioterapia. Conseguiu voltar ao amado piano mais uma vez. Finalmente, em 2002, a seqüela das lesões venceu. A paralisia definitivamente dominou suas duas mãos.
Era o fim de um pianista.
Afastou-se do piano, não da sua grande paixão, a música. Aos 63 anos de idade, ele foi estudar regência. Dois anos depois regeu a Orquestra Inglesa de Câmara, em Londres. Em um concerto, em São Paulo, surpreendeu outra vez. Regeu a Nona Sinfonia de Beethoven, totalmente de cor. Ele precisou decorar todas as notas da obra por ser incapaz de virar a página da partitura. A platéia rompeu em aplausos. Mas João Carlos Martins ainda tinha mais uma surpresa para o público, naquela noite. Pediu que subissem um piano pelo elevador do palco. E, com apenas três dedos que lhe restaram, ele tocou uma peça de Bach.
A Ária da Quarta Corda foi originalmente escrita para violino. É uma peça musical em que o violinista usa apenas a corda sol para executar a bela melodia. Bom, Martins a executou ao piano com três dedos. E, embora não fosse a sua intenção, a impressão que ficou no ar é que todos os presentes se sentiram muito pequenos ante a grandeza de João Carlos Martins.
***
Como Martins, existem muitos exemplos. Criaturas que têm danificado seu instrumento de trabalho e dão a volta por cima, não se entregando à adversidade. Recordamos de Beethoven, compositor, perdendo a audição e, nem por isso deixando de compor.
De Helen Keller, cega, surda, muda se tornando a primeira pessoa com tripla deficiência a conseguir um título universitário. Tornou-se oradora, porta-voz dos deficientes, escritora.
Pense nisso e não se deixe jamais abater porque a adversidade o abraça.
Pense: você a pode vencer. Vença-a.
O poder da apreciação Maio 30, 2008
Posted by Ramon Silva in Amor, Família, Motivação, Perseverança.add a comment
O radialista Paul Harvey, num de seus programas, mostrou como uma apreciação sincera consegue mudar a vida de uma pessoa. Contou que, há muitos anos, uma professora de Detroit solicitou a Stevie Morris que a ajudasse a procurar um camundongo que estava solto na sala de aula. Entenda-se: ela apreciava o fato de que a natureza houvesse dado a Stevie algo que na sala ninguém possuía. A natureza havia dado a Stevie um aguçado par de ouvidos para compensar sua cegueira.
De fato, era aquela a primeira vez que alguém reconhecia a capacidade de seus ouvidos. Aquele ato de consideração iniciou-lhe uma nova vida. A partir daquele momento, começou a desenvolver seu dom auditivo, sua sensibilidade apurada e explorar os recursos de sua voz. Através de muito esforço tornou-se, sob o nome artístico de Stevie Wonder, um dos maiores cantores e compositores americanos de música popular.
* * *
Todos precisam de estímulo.
Nosso íntimo é rico em potencialidades, é certo, mas, da mesma maneira que as sementes só se desenvolvem quando recebem regularmente a água e o sol, nossas forças íntimas precisam de incentivo, de estímulo. E nada como a verdadeira apreciação para fazer florescer o que muitas vezes dorme tímido, no imo de nossos jardins espirituais.
Apreciação que começa no lar, quando pais conhecem os filhos profundamente, e sabem do que eles são capazes. Apreciação que, por vezes, falta em famílias onde reina apenas a crítica, o controle, o autoritarismo cerceador.
Muitos pais e educadores, no intuito às vezes nobre, de buscar identificar as más tendências das crianças, para que essas sejam atendidas e não se desenvolvam, esquecem de perceber as positivas. Passam a cercear toda e qualquer atitude que possa apontar para uma imperfeição da alma, sendo severos sempre, como se cuidassem de um ser internado numa instituição de recuperação de delinqüentes.
A disciplina mais rigorosa é necessária sim, principalmente nos casos de Espíritos rebeldes, que são recebidos em lares que os possam auxiliar. Porém, quando ela se mostra constante, em todo e qualquer momento, poderá ser interpretada pelo educando como falta de amor, de carinho.
O equilíbrio pede direcionamento sempre que necessário, mas nos aponta também o caminho da apreciação e do estímulo para o positivo. Reforçar o positivo sempre irá falar mais alto do que recriminar o negativo.
Em algumas situações, emergenciais, a corrigenda, a austeridade serão a melhor escolha? Será que os Espíritos rebeldes não esperam, muitas vezes, por alguém que lhes ajude a descobrir o que tem de bom em si? Será que não aguardam pelo amor de um pai, de uma mãe ou de um educador, que possa lhes estimular um comportamento positivo que já apresentam?
Quase todos os pais repreendem o filho quando as famosas notas vermelhas aparecem nas avaliações. Mas, quantos pais elogiam, comemoram, quando as notas são altas, ou quando fazem um bom trabalho? Quase todos criticam a falta de estudo, de dedicação. No entanto, quantos pais reconhecem quando seus rebentos se esforçam, se superam, mesmo que o mundo não lhes tenha reconhecido o valor?
Descubramos na prática o poder da correta e sensata apreciação, e vislumbremos o florescer das almas do Mundo, mostrando o que possuem de melhor.
A dor serena Maio 28, 2008
Posted by Ramon Silva in Motivação, Perseverança, Revolução.add a comment
A experiência da dor é comum a todos os homens. Ela se revela a cada um de modo diferente, mas a todos visita.
Os pobres sofrem pela incerteza quanto à manutenção de sua família. Os doentes experimentam padecimento físico. Os idealistas se angustiam pelo bem que tarda em se realizar. O governante se acabrunha pela magnitude da tarefa que lhe repousa sobre os ombros. Qualquer que seja a posição social de um homem, ele vive a experiência do sofrimento. A própria transitoriedade da vida terrena é fonte de angústias e incertezas. Pode-se muito fazer e muito angariar, mas a morte é uma certeza e a tudo transformará. Alguma dilaceração é inerente ao viver.
Ninguém ignora a possibilidade de seus afetos o sucederem no retorno à Pátria Espiritual. Nenhum homem sensato imagina que o vigor físico o acompanhará para sempre. A universalidade da dor chama a atenção dos homens para o fato de que são essencialmente iguais. Ocupam diferentes posições e têm experiências singulares, mas ninguém é feito de material imune à ação do tempo. A vida material é transitória e isso não se pode negar. Contudo, as pessoas evitam refletir sobre essa realidade. Quando apanhadas pelos fenômenos próprios da transitoriedade da vida, costumam se revoltar.
Todos sofrem, mas poucos sofrem bem. Tão raro é o bem sofrer que geralmente não é sequer compreendido. Quando, em face de alguma experiência dilacerante, a criatura mantém a serenidade, acha-se que ela tem algum problema. Confunde-se sensibilidade à dor com escândalos. Se a pessoa não brada indignada e não procura culpados por sua miséria, entende-se que ela tem algo de obscuro em seu íntimo. Uma mãe capaz de suportar serenamente a dor da morte de um filho surge aos olhos alheios como insensível. Como se ausência de gritos significasse falta de amor!
No Sermão da Montanha, Jesus afirmou a bem-aventurança dos que choram, dos injuriados e perseguidos. Certamente não estava a referir-Se aos que sofrem em meio a revoltas e desatinos. Afinal, em outra passagem evangélica, afirmou que, quem desejasse, deveria tomar sua cruz e segui-Lo. Trata-se de um sinal de que a conquista da redenção pressupõe algum sacrifício.
A Terra, por algum tempo ainda, será morada de Espíritos rebeldes às leis divinas. Por séculos, semearam dor nos caminhos alheios e não se animaram a reparar os estragos. Por isso, são periodicamente atingidos pelos reflexos de seus atos, até que aprendam o código de fraternidade que rege a Vida.
Reflita sobre isso antes de se permitir gritos e rebeldia. As experiências que o atingem visam a torná-lo melhor e mais sensível à dor do semelhante. Elas possibilitam sua recomposição perante a Justiça Cósmica. Não perca a oportunidade com atitudes infantis. Cesse reclamações, não procure culpados e não se imagine vítima. Aproveite o ensejo para exemplificar sua condição de cristão. Quando o sofrimento o atingir, sinta-se desafiado a ser um exemplo de dignidade, esforço e luta. Sua serenidade perante a dor fará com que outros repensem a forma com que vivem. Assim, você estará colaborando na construção de um mundo melhor, com menos revolta e insensatez.
Pense nisso.
Saindo do poço Maio 27, 2008
Posted by Ramon Silva in Momento Espírita, Motivação, Paciência, Perseverança, Reforma Íntima, Revolução, Sabedoria, Tempo, Trabalho.1 comment so far
Narra uma lenda chinesa que no fundo de um poço pequeno, mas muito fundo, vivia um sapo. O que ele sabia do mundo era o poço e o pedaço de céu que conseguia ver pela abertura, bem no alto. Certo dia, um outro sapo se abeirou da boca do poço.
Por que não desce e vem brincar comigo? É divertido aqui. – Convidou o sapo lá embaixo.
O que tem aí? – perguntou o de cima.
Tudo: água, correntes subterrâneas, estrelas, a luz e até objetos voadores que vêm do céu.
O sapo da terra suspirou.
Amigo, você não sabe nada. Você não tem idéia do que é o mundo.
O sapo do poço não gostou daquela observação.
Quer dizer que existe um mundo maior do que o meu? Aqui vemos, sentimos e temos tudo o que existe no mundo.
Aí é que você se engana, falou o outro. Você só está vendo o mundo a partir da abertura do poço. O mundo aqui fora é enorme.
O sapo do poço ficou muito chateado e foi perguntar a seu pai se aquilo era verdade.
Haveria um mundo maior lá em cima?
O pai confirmou: Sim, havia um outro mundo, com muito mais estrelas do que se podia ver dali debaixo.
Por que nunca me disse? – perguntou o sapinho, desapontado.
Para quê? O seu destino é aqui embaixo, neste poço. Não há como sair.
Eu posso! Eu consigo sair! – falou o sapinho.
E pulou, saltou, se esforçou. O poço era muito fundo, a terra longe demais e ele foi se cansando.
Não adianta, filho. – tornou o pai a dizer. Eu tentei a vida toda. Seus avós fizeram o mesmo. Esqueça o mundo lá em cima. Contente-se com o que tem ou vai viver sempre infeliz.
Quero sair! Quero ver o mundo lá fora! – chorava o filhote.
E passou o resto da vida tentando escapar do poço escuro e frio. O grande mundo lá em cima era o seu sonho.
***
Um pobre camponês de apenas 8 anos de idade não se cansava de ouvir esta lenda dos lábios de seu pai. Vivendo a época da revolução cultural na China de Mao Tsé Tung, o menino passava fome, frio e toda sorte de privações.
Pai, estamos em um poço? – perguntava.
Depende do ponto de vista. – respondia o pai.
Mais de uma vez o garoto se sentia como o sapo no poço, sem saída. Mas ele enviava mensagens aos Espíritos. Pedia vida longa e felicidade para sua mãe. Pedia pela saúde de seu pai, mas, mais que tudo, ele pedia para sair do poço escuro e profundo. Ele sonhava com coisas lindas que não possuía. Pedia comida para sua família. Pedia que o tirassem do poço para que ele pudesse ajudar seus pais e irmãos.e Ele pedia, e sonhava, e deixava sua imaginação levá-lo para bem longe.
Um dia, a possibilidade mais remota mudou de modo total o curso da sua vida. Ele foi escolhido entre centenas de camponeses e foi fazer parte de algumas das maiores companhias de balé do Mundo. Um dia, ele se tornaria amigo do Presidente e da Primeira-dama, de astros do cinema e das pessoas mais influentes dos Estados Unidos. Seria uma estrela: o último bailarino de Mao Tsé Tung.
Li Cunxin saiu do poço.
***
Nunca deixe de sonhar! Nunca abandone seus ideais. Mantenha aquecido o seu coração e vivas as suas esperanças. O amanhã é sempre um dia a ser conquistado!
Pense nisso!
Você é uma maravilha Maio 23, 2008
Posted by Ramon Silva in Amor, Diálogo, Família, Motivação, Tempo.Tags: único, filho
add a comment
Pablo Casals foi um famoso violoncelista, regente e compositor espanhol, que morreu no ano de 1973. Certa vez, ele escreveu a respeito do momento único do Universo, um momento que jamais vai se repetir. O momento que estamos com nosso filho. E o que ensinamos ao nosso filho? – indaga o compositor.
Ensinamos coisas que lhe valerão para a vida, para o mundo das formas em que nos agitamos. Ensinamos que dois e dois são quatro. Ensinamos que a capital da França é Paris; que a Espanha fica no continente europeu. Ensinamos sobre relevo, para que ele saiba a diferença entre um planalto, planície, morro, uma montanha. E onde fica a Cordilheira dos Andes, os Balcãs, o Oceano Atlântico. Ensinamos que o Sol é uma estrela de quinta grandeza, que a Terra se move ao redor dele, num concerto harmonioso. Que o Sol viaja pelo espaço, levando consigo a sinfonia dos mundos que o rodeiam. Que a Lua dos enamorados é um satélite da Terra.
Sim, ensinamos muitas coisas. São coisas importantes. Nosso filho crescerá, se tornará profissional, regerá sua própria vida. Movimentar-se-á pelas vias do mundo, produzindo, semeando, interferindo em outras vidas com a sua maneira de agir, de ser. Tudo, graças ao que lhe ensinamos. Mas, naquele momento único, mágico, em que estivemos com ele, nós lhe dissemos que ele é uma maravilha? Que não existe sobre a face da Terra nenhum ser igual a ele? Nós lhe informamos sobre as maravilhas do Mundo Antigo e Moderno e o fizemos se encantar com elas. Mas, dissemos como ele é especial? Alguma vez lhe dissemos: Você sabe que é uma pessoa única? Desde o começo do Mundo, nunca houve outra criança como você. Suas pernas, seus braços, seus dedos, a maneira como você se movimenta, as coisas que diz, os gestos que faz, tudo isso é único, é só seu. Você pode se tornar um Shakespeare, um Michelangelo, um Beethoven. Você é capaz de fazer qualquer coisa. E, quando crescer, vai poder ter um filho que será como você, uma maravilha. Sabe?
Isso, com certeza, tornará nosso filho capaz de enfrentar muitos desafios. Esta mensagem o acompanhará aonde quer que vá. Quando o mundo tentar lhe dizer que ele é um fracasso, ele recordará do nosso recado. Quando o desapontamento por um revés tentar colocar em seus ombros o manto da tristeza, ele lembrará da nossa mensagem. Quando o namoro acabar, quando a nota alcançada no concurso não for a esperada, quando o dia se apresentar cinzento, ele recordará…
E, recordando, erguerá a cabeça, ajustará os ombros, e dirá a si mesmo: Posso não ter vencido o concurso, mas eu tentei. Não consegui o emprego almejado, mas realizo muito bem o meu trabalho. Não ganho tanto quanto eu desejara, mas tenho certeza de que sou muito bom naquilo que faço. Eu sou uma maravilha, sou um filho de Deus, especial. Ninguém, no Mundo, é igual a mim.
E continuará em frente, avante, para o alto.
Adiante Maio 18, 2008
Posted by Ramon Silva in Amor, Família, Motivação, Revolução, Tempo.Tags: furacão, katrina
2 comments
Dia 29 de agosto de 2005. Uma tempestade tropical de escala 5 atinge a costa sudeste dos Estados Unidos da América. Os ventos do furacão, que recebeu o nome de Katrina, atingiram 280 quilômetros por hora, e devastaram a histórica cidade de Nova Orleans. Mais de um milhão de pessoas foram evacuadas. Seiscentas mil casas, na grande maioria de pessoas pobres, foram destruídas.
Um dos furacões mais destrutivos a ter atingido os Estados Unidos, deixou cerca de mil e trezentos mortos. Muitos relatos se misturam ao do senhor J.R., habitante de 65 anos de idade, sem automóvel, cartão de crédito ou dinheiro poupado. Ouvira pelo rádio, três dias antes, que a tempestade se aproximava, e que a desocupação era fortemente recomendada. Mas, sem ter para onde ir, e com a esposa numa cadeira de rodas, a saída era quase impossível.
O Sr. J.R. decide permanecer e enfrentar a tempestade, a exemplo do que sempre fizera antes. Com estoque de comida e água, a família se sentia preparada. Porém, na segunda-feira, a ruptura dos diques inundou em poucas horas aquela área, uma das regiões mais baixas de Nova Orleans.
A subida rápida da água forçou J.R. a tirar a mulher da cadeira de rodas, mas mesmo seus consideráveis 1 metro e 90 centímetros não foram suficientes para evitar a tragédia. Escapando de seus braços, sua amada morre submersa.
***
Como seguir adiante depois de acontecimentos como este? Como lidar com essas tragédias do cotidiano, sem nos deixar esmorecer e desistir?
Certamente, cada um deverá encontrar a sua maneira, o seu alicerce, mas possivelmente todos eles passem, mesmo que sem perceber, por um maior: a confiança em Deus.
Não falamos desse deus, com d minúsculo, que criamos ao longo do tempo, à nossa imagem e semelhança. Não, esse deus está desgastado, cansado, e talvez em seus últimos dias… Referimo-nos à Inteligência Suprema, o Criador, Onipresente, Bom e Justo. Referimo-nos ao Deus das Leis perfeitas, que não se vinga, que não é tomado pela ira em circunstância alguma, e que ama todas as Suas criaturas, não preterindo ninguém.
E neste amor supremo, que ainda escapa de nossa compreensão, estão desígnios, experiências, ensinamentos que, por vezes, ainda temos dificuldades em entender. Esta inteligência está no controle de tudo. Nada acontece sem que Ele e Suas leis permitam. Deus não Se esquece, nada deixa de lado, não privilegia.
Ele nos dá o que precisamos neste ou naquele momento, para que continuemos nosso crescimento moral e intelectual rumo à felicidade. Seus desígnios, por vezes ainda nos deixam perplexos, mas se dermos a Ele uma chance, uma chance apenas, vislumbraremos suas razões logo adiante. Veremos que Ele apenas atendia nossa necessidade íntima, como um Pai amoroso que faz sempre o melhor ao filho, mesmo este ainda não compreendendo Suas ações.
***
Adiante… É forçoso seguir adiante. Estagnados no agora, sem horizonte, perde-se a razão de ir, de continuar. Não esmoreças… Dá mais uma chance à vida e verás que ela e o Criador te reservam dias melhores…
Confia… E segue sempre… Adiante.
Posso estar errado! Maio 15, 2008
Posted by Ramon Silva in Liderança, Motivação, Sabedoria.Tags: calar, ouvir
add a comment
Ele carregou aquele peso inútil durante todo o dia. Saíra de casa afobado, nervoso, e ainda por cima, havia discutido com a esposa. Defendera uma idéia, um pensamento, com unhas e dentes, como se não conseguisse admitir, de forma alguma, que sua opinião poderia não ser a verdadeira.
Foi grosseiro, teimoso e impaciente. Voltava agora para casa, e ao sintonizar a rádio no carro, ouviu a frase: Posso estar errado.
Era um professor dizendo o quanto sua vida se tornou diferente, quando passou a considerar esta opção, perante os alunos. Dizia que passaram a respeitá-lo mais do que antes, quando pretendia ser sempre o dono da verdade. Afirmava que até mesmo os conteúdos, sendo passados de uma forma mais humilde, menos impositiva, eram melhor absorvidos pela classe.
Ele resumia sua teoria dizendo: Admitir falhas é o melhor caminho.
Será que costumamos fazer este exercício? Considerar, nesta ou naquela situação ou discussão, que podemos estar errados? Ou ainda insistimos em achar que o nosso ponto de vista é sempre o mais correto?
Parece que, ao acharmos que estamos com a razão, acreditamos que a nossa opinião é mais importante do que a dos demais, e que tem de prevalecer. Não percebemos, mas isso é manifestação do vício do orgulho, em uma de suas muitas formas de atuação.
Um exercício interessante é tentar, a cada momento, considerar a simples hipótese de que podemos estar errados, e fazer um esforço para enxergar as coisas por outro ângulo. Podemos experimentar ser mais flexíveis e abertos e lembrarmos que algumas vezes podemos não estar com a razão. Tal forma de agir nos ajuda a tomar decisões mais acertadas e, conseqüentemente, duradouras, pois elas não terão sido fruto de uma reação automática de nossa personalidade.
Ao nos desapegarmos da necessidade de estarmos sempre com a razão, transformamos nossas vidas numa experiência bem mais prazerosa. Afinal, por que temos que estar sempre certos? Não parece um peso desnecessário que carregamos nos ombros? Buscar acertar sempre é saudável, nos faz crescer. Porém, querer ser sempre o dono da verdade, é desperdício de energia. Além de ser uma pretensão muito grande.
O caminho para a verdade está em conhecer todos os ângulos possíveis de visão sobre algo, e isso só é possível ouvindo os outros, considerando as experiências alheias na construção de nosso conhecimento.
Quanto mais humildes, mais ouvimos. Quanto mais orgulhosos, mais queremos ser ouvidos.
Dale Carnegie, autor do best seller Como fazer amigos e influenciar pessoas, afirma que você nunca terá aborrecimentos admitindo que pode estar errado.
Isto evitará discussões e fará com que o outro companheiro se torne tão inteligente, e tão claro e tão sensato como foi você. Fará com que ele também queira admitir que pode estar errado.
A inflexibilidade de uma opinião gera quase sempre aversão. Um gesto de humildade sempre inspira outro.
Aja enquanto é tempo Abril 26, 2008
Posted by Ramon Silva in Amor, Motivação, Sabedoria, Trabalho.Tags: Amor, Tempo, Trabalho
add a comment
Os homens são os artífices de seu destino. Essa verdade é constatada mediante singela observação do mundo que o cerca.
O aluno estudioso tira boas notas, passa por média e não se angustia com exames e repetências.Já o estudante preguiçoso está sempre envolto com notas baixas e reprovações. O profissional competente costuma ter mais clientes do que consegue atender. Vagas que exigem maiores qualificações permanecem abertas por longos períodos, embora haja muitos desempregados.
Sem dúvida, ninguém está livre de percalços. Uma pessoa inteligente e preparada pode ser surpreendida com desemprego ou momentos profissionais difíceis. Mas as crises são mais freqüentes para aquele que não tem formação sólida e fama de profissional competente. Assim, quem opta por assistir novelas em vez de estudar não pode reclamar se o sucesso não bater em sua porta.
Mesmo no âmbito das relações pessoais, cada um vive as conseqüências de seus atos. Alguém prudente no falar jamais se envolve nos transtornos que a maledicência provoca. Contudo, o tagarela sempre corre o risco de amealhar inimizades. A pessoa generosa suscita simpatias por onde passa. Quando necessita de ajuda, muitas mãos se movimentam em seu favor. Mas a criatura mesquinha e implacável está sujeita a ficar desamparada, pela antipatia que seu agir provoca.
Não é difícil verificar a Lei de causa e efeito atuando. Comportamento digno e sensato traz tranqüilidade e boa reputação. Desonestidade, preguiça e leviandade causam infinitos transtornos. Certamente há eventos que superam qualquer expectativa e semeiam dores na vida de pessoas honradas e previdentes. Mas aí em geral se tem o efeito de causas remotas. As grandes dores que nada pode evitar e não são causadas pelo agir atual refletem o acertamento de antigos equívocos.
A Justiça Divina reina soberana no Universo. Ela propicia liberdade para os Espíritos viverem conforme seus gostos e opções. Mas cada qual é estritamente responsável pelo que faz. Muitas vezes, a conseqüência do agir equivocado não se produz rapidamente e nem na mesma existência. A Lei Divina não se engana e nunca perde o endereço de quem a ofendeu. Mas ela não se mostra apenas como justiça, mas também como misericórdia. Por isso dá tempo para o calceta adquirir forças para os resgates necessários. E principalmente aguarda que ele se resolva a quitar os equívocos do passado com a moeda boa do amor.
Como afirmou o apóstolo Pedro, o amor cobre a multidão de pecados. Não é preciso sofrer para recompor o passado de erros. Mas é imperioso resgatar todo o mal feito.
Ciente dessa realidade e de seu viver milenar, dedique-se a fazer o bem. Viva de forma honrada. Trabalhe, estude, amealhe recursos intelectuais e morais. Seja um bom exemplo para todos que convivem com você. Mas vá um pouco além disso. Dedique-se a uma causa, ampare os necessitados, eduque os ignorantes. Em seu passado espiritual há certamente muitos erros. Antes que o resultado deles o atinja, gere causas de felicidade ao agir de modo altruísta.
Aja enquanto é tempo.
A rigor, o bem é sempre possível, agora ou mais tarde. Mas é uma tolice aguardar a dor cobrar a conta que o amor pode pagar.
Pense nisso.
Diante das adversidades da vida Abril 10, 2008
Posted by Ramon Silva in Motivação, Perseverança.Tags: resilência
add a comment
Recuperar-se de um tombo não é uma tarefa das mais fáceis, devemos concordar. Não são todos que conseguem colocar em prática o refrão popular: Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima, criado na música de Paulo Vanzolini. Muitas vezes, quando caímos, por qualquer motivo, como seja o fim de um relacionamento; a perda de um emprego; um acidente, ou até mesmo a pressão do dia a dia, tendemos a ficar estatelados no chão. Como continuar? Como seguir adiante? Vale a pena todo esforço novamente?
Felizmente existem pessoas que conseguem contornar tudo isso com maior facilidade. Mesmo quando tudo parece conspirar negativamente, elas vão em frente, com um sorriso no rosto e dispostas a enfrentar o que for preciso. Intrigados em descobrir o que levava algumas pessoas a enfrentar tão bem esses contratempos da vida, especialistas em comportamento humano passaram a estudar os traços desses sobreviventes.
Os primeiros chegaram a concluir que se tratava de uma invulnerabilidade inata, algo como um verdadeiro dom com o qual as pessoas já nasciam. Porém, parece que isso não respondia tudo, e há pouco mais de uma década começou-se a investigar o termo invulnerabilidade. Este parecia sugerir que as pessoas seriam 100% imunes a qualquer tipo de adversidade – o que não seria a realidade. Embora sejam pessoas que passem pelos problemas com maior facilidade, isso não quer dizer que saiam dessas experiências totalmente ilesas. Os estudiosos passaram a buscar um termo mais adequado, e foi então que emprestaram uma terminologia da física: resiliência.
Resiliência é uma propriedade de alguns materiais, que mostra sua capacidade em retornar ao seu estado original, após sofrer grande pressão. Assim seriam as pessoas com alto grau de resiliência: teriam capacidade de encarar as adversidades como oportunidade de mostrar e aprimorar sua competência, seu entusiasmo. Tais pessoas encontram também soluções criativas e determinadas para se levantar do chão.
Neste instante você poderá estar imaginando qual o seu grau de resiliência, certo? Cabe destacar aqui que ser resiliente não é ser indiferente, insensível. Não se trata de sentir ou não sentir, mas sim de como atravessar as experiências. Seria uma habilidade, que todos podemos adquirir, de suportar o sofrimento, extraindo dele tudo que tem para nos ensinar. Aí está a chave de tudo.
Léon Denis afirma com propriedade, que se, nas horas de provação, soubéssemos observar o trabalho interno, a ação misteriosa da dor em nós, compreenderíamos melhor sua obra sublime de educação e aperfeiçoamento.
A razão da dor humana procede da proteção divina. Os povos são famílias de Deus que, à maneira de grandes rebanhos, são chamados ao aprisco do Alto. A Terra é o caminho. A luta que ensina e edifica é a marcha. O sofrimento é sempre o aguilhão que desperta as ovelhas distraídas à margem da senda verdadeira.
A última corda Abril 1, 2008
Posted by Ramon Silva in Momento Espírita, Motivação, Perseverança.Tags: dedicação, música., paganini, violino
add a comment
Era uma vez um grande violinista chamado Paganini. Alguns diziam que ele era muito estranho, outros, que ele era sobrenatural. As notas mágicas que saíam de seu violino tinham um som diferente, por isso ninguém queria perder a oportunidade de assistir seu espetáculo.
Certa noite, o palco de um auditório repleto de admiradores estava preparado para recebê-lo. A orquestra entrou e foi aplaudida. O maestro, ovacionado. Mas quando surgiu a figura de Paganini, triunfante, o público delirou. Nicolo Paganini colocou seu violino no ombro, e o que se assistiu em seguida foi indescritível. Breves e semibreves, fusas e semifusas, colcheias e semicolcheias, pareciam ter asas e voar com o delicado toque daqueles dedos virtuosos.
De repente, porém, um som estranho interrompe o devaneio da platéia: uma das cordas do violino de Paganini arrebentara. O maestro parou. A orquestra parou. Mas Paganini não parou. Olhando para sua partitura ele continuava a tirar sons deliciosos de um violino com problemas. O maestro e a orquestra, empolgados, voltam a tocar.
Mal o público se acalmou quando, de repente, um outro som perturbador: uma outra corda do violino do virtuose se rompe. O maestro parou de novo. A orquestra parou de novo. Paganini não parou. Como se nada tivesse acontecido, ele esqueceu as dificuldades e avançou, tirando sons do impossível. O maestro e a orquestra, impressionados, voltam a tocar.
Mas o público não poderia imaginar o que aconteceria a seguir: todas as pessoas, pasmas, gritaram: Oohhh! Uma terceira corda do instrumento de Paganini se quebra. O maestro pára. A orquestra pára. A respiração do público pára. Mas Paganini… Paganini não pára. Como se fosse um contorcionista musical, ele tira todos os sons da única corda que sobrara daquele violino destruído. Paganini atinge a glória.
Seu nome corre através do tempo. Ele não é apenas um violinista genial, mas o símbolo do ser humano que continua diante do impossível.
Este é o espírito da perseverança, da criatividade e habilidade perante os obstáculos naturais da vida no Mundo. Lembremos desta história, todas as vezes que as cordas de nossos instrumentos se romperem. Afirmemos no íntimo: Eu sei que posso continuar! Afirmemos para a alma: Não é qualquer adversidade que irá me derrubar, que irá me fazer desistir!
Perceberemos então, com encanto, que muitas vezes nossas mãos calejadas, obrigadas a retirar sons de uma única corda, estão sendo amparadas por mãos invisíveis de Misericórdia. Nunca estamos sozinhos no concerto da vida na Terra.
À maneira de um público empolgado que incentiva o artista, o Invisível nos dá forças, nos alimenta o ânimo, e nos aplaude cada vez que nos superamos.
Continuemos… Sem medo, sem hesitação. Toquemos nossa música da alma para o céu azul ou para as estrelas. Contando com as quatro cordas de nossa rabeca, ou apenas com uma delas.
Não deixemos de tocar.