Sobre Anjos Julho 16, 2008
Posted by Ramon Silva in Momento Espírita.Tags: anjos
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A palavra anjo desperta geralmente a idéia da perfeição moral. É, freqüentemente, aplicada a todos os seres, bons e maus, que não pertencem à Humanidade. Diz-se o bom e o mau anjo, o anjo da luz e o anjo das trevas.
Na Bíblia encontra-se muito este termo. Às vezes, com o sentido de criaturas humanas exercendo a função de mensageiros, embaixadores, profetas. O uso mais freqüente se aplica a criaturas já existentes antes da criação do mundo, mas igualmente criadas por Deus. Distinguem-se do homem pela superioridade da inteligência, sabedoria e poder. Alguns críticos julgam ser influência dos povos vizinhos a Israel, sobretudo a Pérsia, a idéia de anjos substituindo os deuses.
É assim que eles aparecem, em descrições bíblicas, falando aos homens na forma e linguagem humana. E são mostrados com graus hierárquicos entre si. Observa-se que, no Novo Testamento, as referências aos anjos são menos freqüentes do que no Antigo Testamento.
A existência de seres humanos exercendo as funções de mensageiros da Divindade aos homens é admitida como realidade entre religiões não bíblicas, também. É assim que vemos descrições de anjos no maometismo, nas mitologias gregas e orientais e em algumas formas do budismo. O Corão é extraordinariamente rico em referências aos anjos.
A Doutrina Espírita ensina que os anjos são seres criados como todos os Espíritos. Por já terem percorrido todos os graus e reunirem em si todas as perfeições, se tornaram Espíritos puros. Como existem Espíritos dessa categoria, muito anteriores ao homem, este acreditou que eles haviam sido criados assim, perfeitos.
Entre os anjos, existem aqueles que se dedicam a proteger: são os anjos da guarda. São sempre superiores ao homem. Estão ali para aconselhar, sustentar, ajudar a escalar a montanha escarpada do progresso. São amigos mais firmes e mais devotados do que as mais íntimas ligações que se possam contrair na Terra. Esses seres ali estão por ordem de Deus, que os colocou ao lado dos homens. Ali estão por Seu amor. Cumprem junto aos homens uma bela mas, ao mesmo tempo, penosa missão.
Seja nos cárceres, nos hospitais, nos antros do vício, na solidão, eles se encontram ao lado dos seus protegidos. É deles que a nossa alma recebe os mais doces impulsos e ouve os mais sábios conselhos. Eles nos auxiliam nos momentos de crise. Para os que pensam ser impossível os Espíritos verdadeiramente elevados se restringirem a uma tarefa tão laboriosa, e de todos os instantes, é bom lembrar que eles nos influenciam a milhões de léguas de distância.
Para eles, o espaço não existe. Podem estar vivendo em outros mundos e conservar a ligação com os seus protegidos. Gozam de faculdades que não podemos compreender. Cada anjo da guarda tem o seu protegido e vela por ele, como um pai vela pelo filho. Sente-se feliz quando o vê no bom caminho, chora quando os seus conselhos são desprezados.
O anjo da guarda é ligado ao indivíduo desde o nascimento até a morte. Freqüentemente o segue depois da morte e mesmo através de numerosas existências corpóreas. Para o Espírito imortal, essas existências não são mais do que fases bem curtas da vida.
* * *
Foi Gregório Magno o primeiro a introduzir a concepção da angelologia na teologia cristã no Ocidente. Surgiram assim, além dos anjos e arcanjos, duas outras classes: a dos querubins e serafins, jamais mencionadas em toda a Bíblia como seres angelicais. No Novo Testamento, os anjos são apresentados como sujeitos a Cristo, o Espírito perfeito.
O jugo suave Junho 22, 2008
Posted by Ramon Silva in Momento Espírita.add a comment
Em conhecida passagem do Evangelho, Jesus afirma:
Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração e achareis repouso para vossas almas, pois é suave o meu jugo e leve o meu fardo.
O convite é tentador, pois o Mestre promete alívio para as dores humanas. Também garante repouso para as almas, ao afirmar que Seu jugo é suave e Seu fardo é leve.
Em um mundo turbulento, alívio, repouso, suavidade e leveza são autênticos tesouros. Em meio à correria da vida moderna, é possível ser rico de tudo, menos de paz. Por vezes, as tarefas e os compromissos surgem esmagadores. Na busca de sucesso e de bens materiais, as pessoas perdem a noção do que realmente importa. As horas de trabalho são multiplicadas, talvez desnecessariamente. Para comprar um carro mais novo ou uma casa maior, abre-se mão de um precioso tempo de repouso ou meditação. A convivência familiar torna-se algo secundário. Garante-se que os filhos tenham acesso às melhores escolas, mas se abre mão de transmitir-lhes valores. Os jovens são instruídos, mas não educados.
Para lucrar bastante, profissionais deixam de lado a ética. Passam a ter vergonha de si próprios, enquanto ganham muito dinheiro. Com o objetivo de terem companhia, ainda que temporária, muitas mulheres abdicam de sua dignidade feminina. Para parecerem modernos, jovens aceitam experimentar cigarros, bebidas e drogas. Tudo parece valer a pena, desde que seja possível surgir aos olhos alheios como bem-sucedido. Entretanto, a alma permanece carente de paz.
As conquistas materiais cintilam, mas os seus possuidores adoecem, desenvolvem problemas de sono e distúrbios psicológicos os mais diversos. São ricos de coisas e de distrações, mas lamentáveis em seu desequilíbrio. Estão conquistando o mundo, mas perdendo a si próprios.
Nesse contexto turbulento, convém recordar as palavras do Cristo. Ele ofereceu alívio, repouso, suavidade e leveza. São genuínos tesouros, que ninguém pode roubar.
Oscilações da Bolsa de Valores, desemprego, doenças e traições, nada consegue afetar o verdadeiro equilíbrio espiritual. Quem adquire paz de espírito jamais a perde. Mas é importante observar que Jesus não apenas fez o oferecimento. Também recomendou que se aprendesse com Ele, que é brando e humilde de coração. Ou seja, é preciso seguir os exemplos do Cristo, a fim de se viver em paz. Ele enfatizou a importância da brandura e da humildade. Assim, para não se perder nas ilusões mundanas, importa manter-se humilde.
Igualmente convém desenvolver brandura, não se imaginar em combate feroz com os semelhantes. Não é preciso vencer ninguém para ser feliz. Instruir-se e trabalhar, pois isso é necessário à vida. Mas não gastar tempo em disputas vãs ou ilusões passageiras. Jamais admitir corromper a própria essência, mesmo diante das maiores tentações.
Havendo dúvida sobre a conduta correta, recordar a figura digna e sábia de Jesus. Ter em mente os sublimes exemplos do Cristo é o melhor antídoto contra ilusões que apenas causam sofrimentos. Segui-los pode não ser fácil, mas eles constituem um jugo suave, na medida em que propiciam a verdadeira paz.
Pense nisso.
Você lembrará… Junho 10, 2008
Posted by Ramon Silva in Momento Espírita.add a comment
Quando os cabelos nevados lhe aureolarem a face… Quando os dias se fizerem frios, porque a gélida solidão faz presença ao seu lado… Quando seus dias se fizerem de insistente saudade, você lembrará…
Lembrará das tardes quentes, quando levava a passear os pequenos e havia risos de alegria, lambuzeira de sorvete e pipocas espalhadas pelo carro.
Recordará das brincadeiras dos meninos, usando a mangueira do jardim para se molharem uns aos outros, em vez de regar as plantas.
Lembrará de sua voz recomendando menos bagunça, economia de água, de energia elétrica…
Lembrará das mãos pequeninas que mexiam em sua orelha, enquanto os olhinhos tentavam se fechar, entregando-se ao sono.
Lembrará do ursinho de pelúcia, de olhos grandes, deixado no banco de trás de seu carro, acompanhando-o em viagem de negócios, em visitas a clientes. O ursinho que ficava ali, sempre à disposição, aguardando o retorno de seu dono, ao final do dia.
Lembrará das vozes perguntando: Pai, você me ergue? Não estou vendo nada daqui. Eu sou muito pequeno.
Você me carrega? Tô cansado.
Mami, você me gosta?
Lembrará do lanche da tarde, das visitas inesperadas portando sorrisos e flores; das festas surpresas nos aniversários; das cartas que chegavam com perfume de lembrei de você; das viagens com os amigos; dos amores, dos afagos, das lágrimas de emoção e contentamento.
Você lembrará…
Tudo passará no caleidoscópio das memórias, trazendo-lhe ao coração ternura e saudade.
* * *
Pense nisso, nos dias que vive e aproveite ao máximo o alimento do afeto, da presença, da alegria. Mantenha a aparência jovial, embora o tempo teime em lhe colocar fios de prata nos cabelos bastos e arabescos na face.
Conserve o sorriso espontâneo e claro, mesmo que a alma esteja em trajes de luto.
Memorize os momentos felizes e arquive tudo no canto mais privilegiado de sua mente.
Não esqueça nenhum detalhe: o dia cheio de luz ou a chuva insistente; as roupas coloridas, o boné levado pelo vento; os risos, o machucado, o aconchego dos pequenos em seu colo; o adormecer cansado em seus braços, após as horas de corrida e travessuras pelo parque; o cheirinho de bebê, o perfume do xampu, os cabelos escovados ou despenteados, rebeldes, jogados aos ombros.
Observe tudo. Grave tudo. Um dia, quando a solidão se sentar ao seu lado, esses detalhes, essas pequenas-grandes coisas lhe farão companhia. Você as retirará, uma a uma, do baú de memórias e alimentará as suas horas, para continuar a ser feliz, como hoje o é.
E talvez nem se dê conta do quanto é feliz.
Preparando a felicidade do seu amanhã, você acabará por descobrir, ainda hoje, o quanto é feliz.
Pense nisso… E aja agora.
Saindo do poço Maio 27, 2008
Posted by Ramon Silva in Momento Espírita, Motivação, Paciência, Perseverança, Reforma Íntima, Revolução, Sabedoria, Tempo, Trabalho.1 comment so far
Narra uma lenda chinesa que no fundo de um poço pequeno, mas muito fundo, vivia um sapo. O que ele sabia do mundo era o poço e o pedaço de céu que conseguia ver pela abertura, bem no alto. Certo dia, um outro sapo se abeirou da boca do poço.
Por que não desce e vem brincar comigo? É divertido aqui. – Convidou o sapo lá embaixo.
O que tem aí? – perguntou o de cima.
Tudo: água, correntes subterrâneas, estrelas, a luz e até objetos voadores que vêm do céu.
O sapo da terra suspirou.
Amigo, você não sabe nada. Você não tem idéia do que é o mundo.
O sapo do poço não gostou daquela observação.
Quer dizer que existe um mundo maior do que o meu? Aqui vemos, sentimos e temos tudo o que existe no mundo.
Aí é que você se engana, falou o outro. Você só está vendo o mundo a partir da abertura do poço. O mundo aqui fora é enorme.
O sapo do poço ficou muito chateado e foi perguntar a seu pai se aquilo era verdade.
Haveria um mundo maior lá em cima?
O pai confirmou: Sim, havia um outro mundo, com muito mais estrelas do que se podia ver dali debaixo.
Por que nunca me disse? – perguntou o sapinho, desapontado.
Para quê? O seu destino é aqui embaixo, neste poço. Não há como sair.
Eu posso! Eu consigo sair! – falou o sapinho.
E pulou, saltou, se esforçou. O poço era muito fundo, a terra longe demais e ele foi se cansando.
Não adianta, filho. – tornou o pai a dizer. Eu tentei a vida toda. Seus avós fizeram o mesmo. Esqueça o mundo lá em cima. Contente-se com o que tem ou vai viver sempre infeliz.
Quero sair! Quero ver o mundo lá fora! – chorava o filhote.
E passou o resto da vida tentando escapar do poço escuro e frio. O grande mundo lá em cima era o seu sonho.
***
Um pobre camponês de apenas 8 anos de idade não se cansava de ouvir esta lenda dos lábios de seu pai. Vivendo a época da revolução cultural na China de Mao Tsé Tung, o menino passava fome, frio e toda sorte de privações.
Pai, estamos em um poço? – perguntava.
Depende do ponto de vista. – respondia o pai.
Mais de uma vez o garoto se sentia como o sapo no poço, sem saída. Mas ele enviava mensagens aos Espíritos. Pedia vida longa e felicidade para sua mãe. Pedia pela saúde de seu pai, mas, mais que tudo, ele pedia para sair do poço escuro e profundo. Ele sonhava com coisas lindas que não possuía. Pedia comida para sua família. Pedia que o tirassem do poço para que ele pudesse ajudar seus pais e irmãos.e Ele pedia, e sonhava, e deixava sua imaginação levá-lo para bem longe.
Um dia, a possibilidade mais remota mudou de modo total o curso da sua vida. Ele foi escolhido entre centenas de camponeses e foi fazer parte de algumas das maiores companhias de balé do Mundo. Um dia, ele se tornaria amigo do Presidente e da Primeira-dama, de astros do cinema e das pessoas mais influentes dos Estados Unidos. Seria uma estrela: o último bailarino de Mao Tsé Tung.
Li Cunxin saiu do poço.
***
Nunca deixe de sonhar! Nunca abandone seus ideais. Mantenha aquecido o seu coração e vivas as suas esperanças. O amanhã é sempre um dia a ser conquistado!
Pense nisso!
O amor perante a indignidade Maio 17, 2008
Posted by Ramon Silva in Amor, Momento Espírita, Paciência, Perseverança, Reforma Íntima, Sabedoria.Tags: jesus
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É comum o cristão experimentar a angustiante sensação de que não está à altura da crença que esposa. Ele pensa que não se esforça o bastante para viver o que acredita. Ou que seus esforços não dão os resultados que gostaria. Uma triste dúvida por vezes lhe baila na mente:
Será que ele é apenas um hipócrita, enamorado de belos ideais, mas sem colocá-los em prática?
O modelo cristão é bastante elevado. Trata-se da figura do Cristo, sublime sob todos os aspectos. Embora em constante contato com seres ignorantes e transviados, preservou Sua pureza. Ensinou, curou e exemplificou as mais excelsas virtudes. Submetido às maiores violências, perdoou imediatamente.
Rigorosamente paciente com os simples e ignorantes, soube usar de energia ao tratar com os poderosos e os sábios de coração vazio. Jesus alterou a História e os valores da Humanidade. Com ele, a palavra amor ganhou uma nova acepção. Não mais se tratava apenas de erotismo ou de amizade, conforme o legado dos filósofos gregos. Tinha-se doação incondicional, sem qualquer expectativa de retorno.
Surgiu a concepção de que o semelhante deve ser amado apenas porque existe, independentemente de seus valores e de seus atos. Aí reside um fator de dificuldade para uma boa parte dos cristãos.
A figura de Jesus cintila em Suas perfeições. O relato de Seus feitos provoca um intenso desejo de segui-Lo, de imitar-Lhe a conduta. Mas para isso é preciso desenvolver um amor desinteressado e abrangente. Entretanto, a Humanidade parece tão lamentável e suscita tão pouca simpatia!
Pessoas genuinamente boas são raras no Mundo. Já os desonestos são tão abundantes e ardilosos! As notícias sobre políticos corruptos não colocam o coração humano em disposição amorosa. Os criminosos sempre estão a conseguir um modo de sair da cadeia.
Vê-se por todo lado a esperteza, a desonestidade e o egoísmo. Parece que todo mundo está à cata de vantagens e de privilégios. Fala-se mais em greves do que em serviços eficientemente prestados. Amar uma Humanidade assim parece uma tarefa bem difícil, quase impossível… Entretanto, Jesus é o Modelo e conviveu com homens ainda mais rudes e os amou.
Um fator importante a considerar é que cada qual recebe conforme suas obras. A Justiça Divina preside a harmonia universal. Não é necessário gastar tempo com atitudes de revolta e inconformismo. As leis humanas são falhas e freqüentemente são burladas. Mas as Leis Divinas são incorruptíveis e infalíveis.
Todo ato, seja digno ou indigno, tem naturais e automáticas repercussões. Assim, os que se permitem viver no mal devem apenas ser lamentados. Eles estão semeando dores em seus destinos. Conforme afirmou o Mestre na cruz, eles não sabem o que fazem.
Ciente dessa realidade, não deixe que a miséria moral alheia seja um obstáculo à sua piedade e ao seu amor. Mesmo que você não consiga fazê-lo com perfeição, esforce-se em amar seu semelhante.
Os ignorantes e indignos são apenas os mais necessitados de compreensão e auxílio.
Pense nisso.
A outra mãe Maio 10, 2008
Posted by Ramon Silva in Momento Espírita.add a comment
Neide tinha somente 14 anos quando resolveu deixar a roça e tentar a vida na cidade grande. Chegou ao Rio de Janeiro e, sem qualificação profissional alguma, teve algumas dificuldades. Minha avó a admitiu em sua casa e a ensinou a cozinhar, arrumar a casa e até a andar pelas ruas sem medo.
Os anos se passaram. Quando eu tinha somente 3 meses de vida, Neide foi morar conosco e ser a minha babá. Mais anos se passaram, nasceram meus irmãos. Algumas babás chegaram e foram embora, e Neide ficou.
Babá de três crianças, com pouco mais de um ano de diferença entre si. O que é uma babá? É alguém que é paga para trocar fraldas, levar as crianças à pracinha, brincar, pôr para dormir. Pois é, acho que Neide nunca foi minha babá. Não que ela não tenha feito tudo isso, mas nunca o fez como babá somente. Neide me ensinou, por exemplo, a fazer conta de dividir. E, no ano seguinte, ao meu irmão. E, no seguinte, à minha irmã.
Isso foi uma daquelas coisas interessantes da vida: três filhos de um economista brilhante e uma advogada com pós-graduação na Alemanha, estudando num dos melhores colégios da cidade, mas que só aprenderam a fazer conta com aquela outra mãe, a que viera da roça e não tinha nem o segundo grau completo.
Por vezes, minha mãe, que trabalhava fora, tentou convencer Neide a voltar a estudar. Quis que ela aprendesse a dirigir e lhe ofereceu um carro de presente. Ela, porém, recusou.
Na época, lembro que me revoltava com a inércia de Neide. Queria que ela evoluísse. Mal sabia que ela desempenhava com maestria a profissão que tinha escolhido abraçar: ser nossa mãe.
O tempo passou. Nós crescemos. Um dia, chegou a notícia. O pai de Neide, diabético, precisava ter parte de sua perna amputada. Novos cuidados iam ser necessários e a mãe de Neide, já uma senhora, não teria condições de tomar conta do marido sozinha.
Foi assim que aos 17 anos, tive de me despedir da minha segunda mãe que, depois de quase 30 anos na cidade, com minha família, precisou voltar para a roça. Ela nunca teve filhos biológicos. Mas seria tolice dizer que ela não foi mãe. Ela foi a melhor mãe que uma criança pode ter, e eu fui a criança mais feliz do mundo por ter sido criada não por uma, mas por duas mães maravilhosas.
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O texto retrata a homenagem de uma pessoa agradecida a alguém que, em sua vida, representou um grande papel. Em muitas vidas, ocorre assim. Serviçais são contratados e surpreendem pela dedicação com que desempenham as tarefas, muito além do próprio dever. Quase sempre são Espíritos amigos que se comprometem a zelar pelos seus afeiçoados. Surgem então, na feição de criaturas que se transformam em anjos guardiões de vidas, e atravessam os anos, em total dedicação. Estão com os seus tutelados no primeiro dia de aula, segurando-lhes a mão. Verificam se eles fizeram a lição de casa. Inspecionam o banho dos menores, preocupam-se com os horários das refeições e dos medicamentos. Acompanham-nos a festinhas e, muitas vezes, se transformam em confidentes dos adolescentes.
Nos tempos da escravatura, eram chamadas de amas de leite. Hoje, de babás. O nome, em verdade, não importa. O que importa é reconhecer que Deus coloca em nossas vidas seres especiais, no auxílio à nossa tarefa de pais e mães. Cumpre reconhecer-lhes as presenças e lhes render as homenagens do coração que goza da ventura de merecer o seu apoio para a sagrada missão de orientar os próprios rebentos.
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A gratidão pode se expressar de várias formas. Algumas crianças a traduzem de forma espontânea, colocando apelidos carinhosos naqueles que as cercam de cuidados. Por vezes, a expressão que escolhem, no vocabulário da alma, é o doce nome de mãe.
Mamãe, por que te amo tanto? Maio 9, 2008
Posted by Ramon Silva in Momento Espírita.add a comment
Todas as crianças, inevitavelmente, chegam naquela fase das famosas perguntas. Perguntam sobre tudo. Querem saber sobre tudo, num afã natural e belo de se ver, na busca pelo conhecimento, por descobrir o mundo.
Do que são formadas as nuvens? Por que aquele homem mora na rua? Como o Papai do Céu pode vigiar todos ao mesmo tempo? Como nasceu a primeira mãe de todas?
Porquês e mais porquês… Que acabam deixando os pais de cabelo em pé, em muitas ocasiões.
Uma dessas perguntas em especial, chamou-nos a atenção, quando em contato com uma reportagem de certa revista especializada em educação infantil.
Mamãe, por que te amo tanto?
Há perguntas que nasceram para serem perguntas, e há respostas que não são palavras. – Afirma o autor da matéria.
Diz ele ainda que nesses casos a melhor resposta pode ser um beijo, um abraço forte, o toque, o silêncio… Realmente, poderíamos pensar: Como explicar o amor? Como encontrar a razão na Terra onde reinam os sentimentos?
Sem a pretensão de explicá-lo, mas com a vontade de torná-lo mais admirável ainda, quem sabe poderíamos dizer a essa criança:
Você ama sua mãe, pois antes de lhe dar o abrigo desta casa feita de paredes, ela guardou você em um lar de beleza sem igual, aconchegante e cheio de paz.
Você ama sua mãe, pois possivelmente esta não é a primeira vez que você a vê. Seus corações amigos podem ter se encontrado muito tempo antes…
Você ama sua mãe, certamente porque junto do alimento do corpo, ela lhe concedeu sempre a nutrição da alma, com seu sorriso e um ‘Seja bem-vindo ao mundo, meu filho!’
Seu amor por sua mãe vem dos cuidados que ela tem pelas coisas mais simples da vida, como: arrumar os bichinhos de pelúcia no quarto para lhe darem ‘bom dia’ pela manhã; colocar o macaquinho ao seu lado, para que você o abrace à noite, e não se sinta só.
Conversar com você durante o banho, ensinando o nome de cada pedacinho de seu novo corpo, e enchendo-o de beijos amorosos.
Dançar com você pela sala, rodando, rodando, para ouvir suas gargalhadas deliciosas. Ficar com você no colo, assistindo seu desenho preferido, até você pegar no sono, tranqüilo, seguro, aquecido.
Levar você para a cama dela, quando você se sente sozinho em seu quarto à noite, aconchegando-o bem perto de seu coração - lembrando dos tempos em que você estava ali, crescendo forte dentro dela.
Finalmente, poderíamos dizer que você ama sua mãe, porque ela ama você sem pedir nada em troca. O que um dia você entenderá como sendo o amor incondicional. E ela será seu maior exemplo dele.
* * *
Um filho bem amado nunca esquecerá sua mãe. Mesmo que ele enverede por caminhos tortuosos, que faça escolhas perigosas na vida, aquela candeia do carinho materno sempre estará lá. Será aquela luzinha distante, no meio da escuridão dominante da ignorância - como um convite terno para trazê-lo para a senda iluminada novamente. O amor materno será sempre seu laço seguro e certo com o amor de Deus.
Que o Criador Supremo do Universo abençoe todas as mães…
Carta à minha mãe Maio 8, 2008
Posted by Ramon Silva in Amor, Momento Espírita.Tags: Mãe
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Mãe, quando eu comecei a escrever esta carta, usei a pena do carinho, molhada na tinta rubra do coração ferido pela saudade. As notícias, arrumadas como pérolas em um fio precioso, começaram a saltar de lugar, atropelando o ritmo das minhas lembranças.
Vi-me criança orientada pela sua paciência. As suas mãos seguras, que me ajudaram a caminhar. E todas as recordações, como um caleidoscópio mental, umedeceram com as lágrimas que verteram dos meus olhos tristes. Assumiu forma, no pensamento voador, a irmã que implicava comigo. Quantas teimas com ela. Pelo mesmo brinquedo, pelo lugar na balança, por quem entraria primeiro na piscina. Parece-me ouvir o riso dela, infantil, estridente. E você, lecionando calma, tolerância.
Na hora do lanche, para a lição da honestidade, você dava a faca ora a um, ora a outro, para repartir o pão e o bolo. Quantas vezes seu olhar me alcançou, dizendo-me, sem palavras, da fatia em excesso por mim escolhida.
As lições da escola, feitas sob sua supervisão, as idas ao cinema, a pipoca, o refri.
Quantas lembranças, mãe querida!
Dos dias da adolescência, do desejar alçar vôos de liberdade antes de ter asas emplumadas. Dos dias da juventude que idealizavam anseios muito além do que você, lutadora solitária, poderia me oferecer.
Lágrimas de frustração que você enxugou. Lágrimas de dor, de mágoa que você limpou, alisando-me as faces. Quantas vezes ouço sua voz repetindo, uma vez mais: Tudo tem seu tempo, sua hora! Aguarde! Treine paciência! E de outras vezes: Cada dia é oportunidade diferente. Tudo que você tem é dádiva de Deus, que não deve desprezar. A migalha que você despreza pode ser riqueza em prato alheio. O dia que você perde na ociosidade é tesouro jogado fora, que não retorna.
Lições e lições. A casa formosa, entre os tamarindeiros assomou na minha emoção. Voltei aos caminhos percorridos para invadi-la novamente, como se eu fosse alguém expulso do paraíso, retornando de repente.
Mãe, chegou um momento em que a carta me penetrou de tal forma, que eu já não sabia se a escrevera. E porque ela falava no meu coração dorido, voei, vencendo a distância. E vim, eu mesmo, a fim de que você veja e ouça as notícias vibrando em mim.
Mãe, aqui estou. Eu sou a carta viva que ia escrever e remeter a você.
* * *
Entre as quadras da vida e as atividades que o Mundo o envolve, reserve um tempo para essa especial criatura chamada mãe. Não a esqueça. Escreva, telefone, mande uma flor, um mimo.
Pense quantas vezes, em sua vida, ela o surpreendeu dessa forma. E não deixe de abraçá-la, acarinhá-la, confortar-lhe o coração.
Você, com certeza, será sempre para ela, o melhor e mais caro presente.
Comece Por Você Maio 1, 2008
Posted by Ramon Silva in Momento Espírita.add a comment
Para quem tem olhos de ver, em toda parte ensinamentos se fazem presentes. No túmulo de um bispo anglicano, que está na cripta da Abadia de Westminster, na praça do Parlamento, em Londres, pode-se ler o seguinte:
Quando eu era jovem, livre, e minha imaginação não tinha limites, eu sonhava em mudar o mundo. À medida que me tornei mais velho e mais sábio, descobri que o mundo não ia mudar. Reduzi, então, meu campo de visão e resolvi mudar apenas meu país. Mas acabei achando que isso, também, eu era incapaz de mudar. Envelhecendo, numa última e desesperada tentativa, decidi mudar apenas minha família, os mais próximos, mas, ai de mim, eles não estavam mais ali. Agora, no meu leito de morte, de repente percebo: se eu tivesse primeiro me empenhado apenas em mudar a mim mesmo, pelo meu exemplo eu teria mudado minha família. Com a inspiração da família e encorajado por ela, teria sido capaz de melhorar meu país e, quem sabe, poderia até ter mudado o mundo.
Quase sempre, pensamos e agimos exatamente assim. É comum lermos um trecho do Evangelho e logo pensarmos como aquelas frases seriam muito importantes para alguém da nossa família. Quando ouvimos uma palestra edificante, que concita ao bem, logo nos vem à mente o pensamento de que seria muito bom se determinada pessoa estivesse ali para ouvir. Isso faria muito bem para ela! É o que dizemos para nós mesmos. Como esta informação a poderia modificar, mudar sua forma de agir.
Quando estamos vinculados a uma determinada religião, o pensamento não é diferente. Ficamos a desejar que nossos parentes, nossos amigos, colegas professem a mesma crença, comunguem dos mesmos ideais. Por vezes, chegamos a nos tornar um pouco inconvenientes, ou talvez até em demasia, mandando recados, frases escolhidas para os amigos. Tudo nesse intuito de que eles as leiam, as absorvam e coloquem em prática. São frases que se referem aos bons costumes, à ética, à moral e quem as recebe, com certeza, pensará também: Seria muito bom que o remetente colocasse em prática essas fórmulas. Ele precisa disso.
Por isso é que o Mundo ainda não é esse local especial que tanto ansiamos: um oásis de compreensão, com aragem de paz e fontes cantantes de fraternidade. Porque cada um de nós deseja, pensa, anseia por mudar o outro. Por fazer que o outro se revista de compreensão, de polidez. Contudo, o Modelo e Guia da Humanidade estabeleceu que cada um deve dar conta da sua própria administração.
Administração da sua vida, dos seus deveres, da sua missão. O mundo é a somatória de todos nós, das ações de todos os homens. Cabe-nos pois a inadiável decisão de nos propormos à própria melhoria. E hoje, hoje é o melhor dia para isso. Nem amanhã, nem depois. Hoje. Comecemos a pensar em que poderemos nos melhorar. Quem sabe, um gesto de gentileza? Que tal um Bom dia? Um Obrigado, um sorriso?
Pensemos nisso.
Agente da Providência Abril 29, 2008
Posted by Ramon Silva in Amor, Momento Espírita, Sabedoria.Tags: espíritos, oração, prece
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A oração constitui um hábito da maior parte das pessoas. Conscientes de sua fragilidade, elas buscam manter contato com o Ser Supremo. Muitas pedem auxílio em questões materiais, como a conquista de um emprego ou a cura de uma enfermidade. Outras rogam por forças em momentos difíceis. Há quem busque junto ao Alto inspiração para bem conduzir sua existência, em um contexto de dignidade. Também não falta quem se lembre de orar em agradecimento por dádivas recebidas. Ou apenas como forma de entrar em contato com as esferas superiores da Espiritualidade.
O Evangelho relata diversas passagens nas quais o Cristo orou. Jesus era puro e sábio e mesmo assim não desdenhou o recurso da oração. Trata-se de um eloqüente sinal de que orar é imprescindível ao viver humano. Ao compor a oração dominical, o Mestre salientou que o homem deve perdoar, a fim de ser perdoado. Em outro momento, afirmou que o homem deve fazer ao próximo o que gostaria que ele lhe fizesse. Conclui-se que sempre se deve estar disposto a dar o que se deseja receber, em termos de auxílio e compreensão.
O Espiritismo ensina que os Espíritos são agentes da Criação. Eles encarnam com a finalidade de evoluir e amealhar conhecimentos e virtudes. Assim, adquirem condições de fazer a parte que lhes cabe na obra da Criação. Os Espíritos fazem parte da natureza. A inteligência humana integra o Plano Divino. Todo homem tem a missão de colaborar no aperfeiçoamento do mundo em que vive. Os projetos da Divindade se realizam pela ação de Suas criaturas.
Minúsculos animais, ao atuarem de forma inconsciente, auxiliam na elaboração de arquipélagos. A luta de incontáveis homens levou à supressão de práticas injustas, como a escravidão e a tortura. Cientistas estão sempre a descobrir a cura de doenças que infelicitam a Humanidade. As inovações tecnológicas, fruto do labor humano, tornam a vida mais fácil e interessante. Assim, a Providência Divina manifesta-se por intermédio do homem. Certamente, a tal não se circunscrevem os recursos divinos. Mas o atuar humano insere-se na forma natural pela qual as bênçãos do Criador atingem a Terra. A sua tarefa é tornar melhor o Mundo em que habita. E sempre deve fazer ao próximo o que deseja que lhe façam.
A resposta a suas orações habitualmente não vem de forma retumbante e mística. Ela, em regra, assume o contorno de pequenos acontecimentos que o auxiliam e esclarecem, pela atuação de terceiros. Desse modo, você pode e deve ser a resposta à prece que seus semelhantes dirigem ao alto. Preste atenção nas dificuldades dos homens que o rodeiam. Muitos precisam de um conselho prudente e sensato, a fim de não cometerem desatinos. Outros necessitam de uma palavra de compreensão, após errarem gravemente. Alguns estão em vias de desistir, após alguma derrota, e carecem de incentivo e esperança.
Você tem tanto para dar!
Conte seus tesouros e alegre-se em reparti-los. Deixe que o bem se manifeste por suas mãos. Seja um agente da Providência. Esta é a sua missão. Ao realizá-la, você alcançará paz e plenitude.
Pense nisso.