Preciosa Dádiva Julho 16, 2008
Posted by Ramon Silva in Amor, Diálogo, Família.Tags: filho
add a comment
A mulher bateu à porta da rica casa. Estava grávida e já se avizinhavam os dias de dar à luz. A dona da casa veio atender, portando no olhar a serenidade dos dias vencidos e das dores suportadas.
Dona, lhe falou a gestante, quer ficar com o meu bebê?
E antes que a outra se recobrasse do susto da inesperada oferta, prosseguiu:
Não o quero. Não tenho lugar para ele em minha vida. Engravidei sem querer e não posso sustentar outra boca. Pesa-me a barriga e anseio por liberar-me da carga. Se a senhora não o quiser, não sei o que farei. Já o ofereci a mais de duas dezenas de pessoas. Ninguém o quer.
A mulher bondade convidou a ofertante a entrar. Fê-la sentar-se. Serviu-lhe um café reconfortante.
Instigada, aquela lhe narrou sua história de desacertos, desde a juventude mais tenra. A síntese é de que via no filho em gestação um estorvo, um problema a mais. A mulher carinho falou-lhe da bênção da maternidade e da reencarnação. Maternidade é uma das mais nobres missões conferidas ao ser humano. O Pai e Criador confia uma das estrelas do Seu Universo à guarda de um outro ser.
Pela lei da reencarnação, o Espírito imortal tem a possibilidade de resgatar erros, crescer, ascender.
A mulher ternura lhe falou de como o Espírito, preso ao corpinho em formação, tudo percebe, tudo sente, tudo sofre. Ele suspira oportunidade, tempo e atenção. Precisa de carícias, de ouvir a voz de quem o gera a lhe murmurar acalantos, aguarda a mão da ternura a lhe rociar a pele frágil. Ele espera tanto. E tão pouco.
A mulher renúncia lhe falou das noites insones e dos sorrisos empós. Dos choros da febre, da manha e dos balbucios dos vocábulos primeiros. Dos chutes quando ainda no ventre, em seus movimentos de acomodação. E da insegurança dos primeiros passos. Ele tem tanto para dar.
Por que confiá-lo a outrem, se a Divindade lho oferta?
A mãe foi despertando na gestante. Num gesto quase mecânico, acariciou o ventre bojudo e sentiu os movimentos do bebê. Que desejaria ele dizer? Não me abandone, cuide de mim. Estreite-me em seus braços. Venho para com você aprender o alfabeto do amor. Não me dê a ninguém. É do seu carinho que preciso.
Quando a tarde morreu, a gestante retornou ao seu lar, com a esperança a tremeluzir no olhar. A mulher doação a auxiliaria e ela teria o seu filho, conduzindo-o no mundo. Dividiriam as dificuldades e somariam esforços. Permitiriam que se multiplicassem as oportunidades de regeneração, para que diminuíssem as dores. E se a soma dos problemas parecesse suplantar as forças, sempre poderiam contar com o amor da mãe pelo filho, do filho pela mãe.
* * *
Os filhos não são realizações fortuitas. São filhos de Deus em jornada evolutiva, seguindo hoje ao seu lado, sob a direção das suas experiências.
Quando um filho enriquece um lar, traz com ele os valores indispensáveis à própria evolução.
Sobre Anjos Julho 16, 2008
Posted by Ramon Silva in Momento Espírita.Tags: anjos
1 comment so far
A palavra anjo desperta geralmente a idéia da perfeição moral. É, freqüentemente, aplicada a todos os seres, bons e maus, que não pertencem à Humanidade. Diz-se o bom e o mau anjo, o anjo da luz e o anjo das trevas.
Na Bíblia encontra-se muito este termo. Às vezes, com o sentido de criaturas humanas exercendo a função de mensageiros, embaixadores, profetas. O uso mais freqüente se aplica a criaturas já existentes antes da criação do mundo, mas igualmente criadas por Deus. Distinguem-se do homem pela superioridade da inteligência, sabedoria e poder. Alguns críticos julgam ser influência dos povos vizinhos a Israel, sobretudo a Pérsia, a idéia de anjos substituindo os deuses.
É assim que eles aparecem, em descrições bíblicas, falando aos homens na forma e linguagem humana. E são mostrados com graus hierárquicos entre si. Observa-se que, no Novo Testamento, as referências aos anjos são menos freqüentes do que no Antigo Testamento.
A existência de seres humanos exercendo as funções de mensageiros da Divindade aos homens é admitida como realidade entre religiões não bíblicas, também. É assim que vemos descrições de anjos no maometismo, nas mitologias gregas e orientais e em algumas formas do budismo. O Corão é extraordinariamente rico em referências aos anjos.
A Doutrina Espírita ensina que os anjos são seres criados como todos os Espíritos. Por já terem percorrido todos os graus e reunirem em si todas as perfeições, se tornaram Espíritos puros. Como existem Espíritos dessa categoria, muito anteriores ao homem, este acreditou que eles haviam sido criados assim, perfeitos.
Entre os anjos, existem aqueles que se dedicam a proteger: são os anjos da guarda. São sempre superiores ao homem. Estão ali para aconselhar, sustentar, ajudar a escalar a montanha escarpada do progresso. São amigos mais firmes e mais devotados do que as mais íntimas ligações que se possam contrair na Terra. Esses seres ali estão por ordem de Deus, que os colocou ao lado dos homens. Ali estão por Seu amor. Cumprem junto aos homens uma bela mas, ao mesmo tempo, penosa missão.
Seja nos cárceres, nos hospitais, nos antros do vício, na solidão, eles se encontram ao lado dos seus protegidos. É deles que a nossa alma recebe os mais doces impulsos e ouve os mais sábios conselhos. Eles nos auxiliam nos momentos de crise. Para os que pensam ser impossível os Espíritos verdadeiramente elevados se restringirem a uma tarefa tão laboriosa, e de todos os instantes, é bom lembrar que eles nos influenciam a milhões de léguas de distância.
Para eles, o espaço não existe. Podem estar vivendo em outros mundos e conservar a ligação com os seus protegidos. Gozam de faculdades que não podemos compreender. Cada anjo da guarda tem o seu protegido e vela por ele, como um pai vela pelo filho. Sente-se feliz quando o vê no bom caminho, chora quando os seus conselhos são desprezados.
O anjo da guarda é ligado ao indivíduo desde o nascimento até a morte. Freqüentemente o segue depois da morte e mesmo através de numerosas existências corpóreas. Para o Espírito imortal, essas existências não são mais do que fases bem curtas da vida.
* * *
Foi Gregório Magno o primeiro a introduzir a concepção da angelologia na teologia cristã no Ocidente. Surgiram assim, além dos anjos e arcanjos, duas outras classes: a dos querubins e serafins, jamais mencionadas em toda a Bíblia como seres angelicais. No Novo Testamento, os anjos são apresentados como sujeitos a Cristo, o Espírito perfeito.