O Sonho de Rafaela Maio 6, 2009
Posted by Ramon Silva in Amor, Família, Reflexão, Sonhos.Tags: amar, Amor, Anjo, crianças, desdobramento, filho, morte
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Rafaela era uma camponesa muito pobre que vivia em uma rústica região italiana. Ela tinha uma filha de nome Adda, a qual desencarnara com aproximadamente três anos de idade.
Decorridos seis meses do falecimento, a mãe não se conformava e se sentia injustiçada pelos céus. Mas, certa noite, ela teve um sonho que reformulou sua percepção a respeito do ocorrido. No sonho, ela fora convidada para uma festa que se realizaria em um local próximo do céu. Muitas crianças compareceriam no evento para se divertir. Quando ela chegou, ficou extasiada. Tudo era muito belo e as crianças dançavam e cantavam, bastante alegres. Todas as crianças tinham asas reluzentes e Rafaela as contemplava embevecida. Entretanto, ficou muito surpresa ao notar sua própria filha sentada em um canto. A menina estava triste e chorosa, com roupas e asas molhadas, pesadas e sem brilho. A mãe indagou à filha o que aquilo significava, pois ela sempre fora muito alegre. A pequena Adda disse que não poderia brincar com as outras crianças, mesmo se quisesse. A pobre camponesa ainda argumentou que a filha tinha asas, era um anjo e deveria voar com alegria. A menina esclareceu que não podia voar, pois estava toda molhada, com as asas pesadas e coladas no corpo. A mãe se dispôs a ajudar, como fosse possível, pois queria que a filha fosse feliz e pudesse brincar.
Adda afirmou que a culpada de tudo era a própria Rafaela. Com sua grande tristeza e suas blasfêmias contra Deus, a mãe a mantinha colada a si e a impedia de voar. O excesso de mágoas de Rafaela aprisionava a pequena Adda e as lágrimas que vertia sem cessar molhavam suas asas.
Aterrada, a pobre camponesa compreendeu que estava prejudicando a filha, ao não acatar a Vontade Divina. Prometeu que não mais choraria e nem reclamaria, pois queria que a menina fosse livre e feliz.
Ao acordar, tomou-se de grande felicidade pela certeza de ter visto e falado com sua filha. Chamou as amigas e relatou o sonho. Também tratou de relatá-lo a outra mãe que havia perdido um filho recentemente.
* * *
Essa bela história traduz uma realidade. O amor e os vínculos não se extinguem apenas porque alguém desencarnou. Os Espíritos desencarnados recebem os pensamentos e as vibrações dos que ficaram na Terra. É preciso que esses cuidem de manter pensamentos e sentimentos equilibrados, a fim de não prejudicar quem se foi.
Quando retorna à pátria espiritual, o Espírito vive momentos delicados e precisa de paz e tranquilidade para se adaptar à nova situação. A pretexto de muito amar, não é viável causar dor nos amores que nos precederam na viagem para o verdadeiro lar.
Pense nisso.
Um Nascimento Maio 5, 2009
Posted by Ramon Silva in Liderança, Revolução.Tags: jesus
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Aquele nascimento singular, num momento de grande alucinação coletiva na Terra, deveria dividir os fatos da História, assinalando o Seu como o período de preparação da paz. Não era um conquistador odiento, que vinha armado para os combates destrutivos, mas um vencedor, que viera somente para amar. Por isso, não foi reconhecido, ou melhor, não O quiseram conhecer. Porque estavam preparados para a guerra, para o ódio, para o desforço, longe dos sentimentos da compaixão e da misericórdia, da compreensão e da caridade. Israel era soberba e seu povo, ingrato. Por isso, Roma a esmagava com as suas legiões impiedosas, ameaçando sempre com a força e a arrogância dos seus administradores de um dia. Não havia lugar, naqueles corações, para a compreensão da fragilidade humana, da temporalidade de todas as coisas, para o esforço de solidariedade.
Forte, então, era aquele que esmagava, mesmo que fosse vencido logo depois, pela doença, pela desgraça política, pela morte… O fraco era odiado, porque não revidava, nem disseminava o desprezo ao inimigo, em face da sua situação subalterna.
* * *
Jesus… Sim, este Seu nome, foi a força do amor que modificou as estruturas do pensamento e da razão, alterando, por definitivo, a face do planeta. Nunca mais a Terra seria a mesma depois Dele…
Antes, sofria o peso do carro da guerra perversa e das devastações do ódio. É certo que ainda não cessaram os combates do homem e da mulher contra os seus irmãos, no entanto, permanece o sentimento de fraternidade em memória e em homenagem a Ele.
Combatido, permaneceu amando.
Odiado, continuou amando.
Crucificado, persistiu amando,
E morto, ressuscitou do túmulo, a fim de prosseguir amando…
* * *
Nestes tempos de incertezas momentâneas, de crises morais graves, não há como sobreviver, se não continuarmos amando.
Exemplos, bons exemplos, existem para serem seguidos, e não apenas catalogados nos anais da História e admirados distantemente pela grande massa popular.
Jesus precisa ser a referência primeira de nossas vidas, mas não o Jesus distante, crucificado nas alturas, mas o Jesus amigo, conselheiro amoroso de todo dia.
Lembremos mais de Seu nascimento do que de Seu assassínio, de Sua presença do que de Sua ausência. O Consolador já está entre nós, abraçando-nos a todos cada dia mais forte. Não se pode fugir da verdade. Não se pode continuar sem amor no coração. Todo nascimento é motivo de alegria, e este, em especial, representa o nascer do amor maduro, do amor ágape, na intimidade fértil do Espírito imortal.
Lembremos Jesus… Sempre.
E se a morte chegasse agora? Abril 9, 2009
Posted by Ramon Silva in Paciência, Reflexão, Sabedoria, Tempo.Tags: morte, Paz
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Se você soubesse que hoje iria morrer – o que faria?
Esta pergunta foi feita a um homem, no século XIII. Era um homem iluminado. Nascido em berço de ouro, conheceu as delícias da abastança. Filho de rico mercador, trajava-se com os melhores tecidos da época. Sua adolescência e juventude foram impregnadas das futilidades daqueles dias, em meio a expressivo número de amigos. Assim transcorria sua vida, quando um chamado se deu a esse jovem. Então, ele se despiu dos trajos da vaidade e se transformou no Irmão Francisco, o Irmão dos Pobres.
Sua alma se encheu de poesia e ele passou a compor versos para as coisas pequeninas, mas muito importantes, da natureza. Chamou irmãos à água, ao vento, ao sol, aos animais. Sua alma exalava o odor da alegria que lhe repletava a intimidade. Muitos amigos o seguiram, abraçando os lemas da obediência, pobreza e castidade. Amigos na opulência, amigos na virtude.
Certo dia, enquanto arrancava do jardim as ervas daninhas, Frei Leão, que o observava, lhe perguntou:
Irmão Francisco, se você soubesse que morreria hoje, o que faria?
Francisco descansou o ancinho, por um instante. Seus olhos, apagados para as coisas do mundo passageiro, pareceram contemplar paisagens interiores de beleza. Suspirou, pareceu mergulhar o olhar para o mais profundo de si e respondeu, sereno:
Eu? Eu continuaria a capinar o meu jardim.
E retomou a tarefa, no mesmo ritmo e tranquilidade. Quantos de nós teríamos condições de agir dessa forma? A morte nos apavora a quase todos. Tanto a tememos que existem os que sequer pronunciamos a palavra, porque pensamos atraí-la. Outros, nem comparecemos ao enterro de colegas, amigos, porque dizemos que aquilo nos deprime, quando não nos atemoriza. Algo como se ela nos visse e se recordasse de nos vir apanhar. E andamos pela vida como se nunca fôssemos morrer. Mas, de todas as certezas que o mundo das formas transitórias nos oferece, nenhuma maior que esta: tudo que nasce, morre um dia.
Assim, embora a queiramos distante, essa megera ameaçadora que chega sempre em momentos impróprios, ela vem e arrebata os nossos amores, os desafetos, nós mesmos. Por isso, importante que vivamos cada dia com toda a intensidade, como se nos fosse o derradeiro. Não no sentido de angústia, temor, mas de sabedoria. Viver cada amanhecer, cada entardecer e cada hora, usufruindo o máximo de aprendizado, de alegria, de produção. Usar cada dia para o trabalho honrado, que nos confira dignidade. Estar com a família, com os amigos. Sorrir, abraçar, amar. Realizar o melhor em tudo que façamos, em tudo que nos seja conferido a elaborar. Deixar um rastro de luz por onde passemos. Façamos isso e, então, se a morte nos surpreender no dobrar dos minutos, seguiremos em paz, com a consciência de Espíritos que vivemos na Terra doando o melhor e, agora, adentraremos a Espiritualidade, para o reencontro com os amores que nos antecederam.
Pensemos nisso.
A Operosa Providência Divina Março 26, 2009
Posted by Ramon Silva in Liderança, Reflexão, Sabedoria.Tags: Deus
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O Espiritismo ensina que Deus é a Inteligência Suprema do Universo e a causa primária de todas as coisas. Além de ser a origem de tudo, Ele sustenta o equilíbrio universal.
A Divindade não é uma personalidade, manchada pelas paixões humanas. O Ser Supremo não tem favoritos ou perseguidos, não se ofende ou sofre. A regência do Universo não se dá ao acaso de gostos ou opiniões de momento. Deus rege o Cosmo com base em leis imutáveis e perfeitas, plenas de justiça e misericórdia. O maravilhoso Estatuto Divino preside à evolução de todas as criaturas e ao gigantesco balé dos astros, em sua trajetória milenar. Entretanto, Deus não se limita a observar o concerto cósmico a que deu início e que Suas leis perfeitas impulsionam e sustentam. Ele se faz presente e operante na vida dos seres em evolução, em forma de Providência.
Jesus inovou o pensamento religioso ao apresentar Deus como um Pai amoroso. O amor divino é essencialmente ativo. Afinal, o Cristo afirmou que Ele e o Pai sempre estão a trabalhar. O labor de Deus manifesta-se na forma de misericórdia na vida de Seus filhos. É inerente a seres imperfeitos o cometimento de equívocos. Apenas quem atingiu a perfeição não mais se equivoca.
No planeta Terra, somente Jesus apresentou-Se em estado de pureza espiritual. Todos os outros Espíritos que aqui aportaram, por grandes que tenham sido, cometeram erros. Se os Espíritos são livres em seu agir, respondem por tudo o que fazem. Entretanto, a Providência Divina constantemente minora as conseqüências dos atos infelizes. Essa atuação pode ser percebida nas mais variadas circunstâncias.
É freqüente que motoristas se distraiam no trânsito, mas poucas distrações têm consequências graves. Na maior parte das vezes, os envolvidos apenas levam sustos que os incentivam a serem mais atentos.
Frases infelizes nem sempre captam a atenção dos destinatários. Importantes descuidos com a saúde raramente geram enfermidades com o potencial previsível. Nesses pequenos lances de sorte tem-se a Providência atuando.
Preste atenção na importância da compaixão Divina em sua vida. Perante situações desagradáveis que lhe aconteçam, reflita se o seu agir não poderia ter gerado eventos ainda mais graves. Lembre-se de desatinos que cometeu e que não impactaram o seu viver. Mas principalmente entenda a finalidade da proteção que tem recebido. Ela é o acréscimo de misericórdia em sua vida, não um incentivo a que siga inconsequente.
A título de gratidão, esforce-se em ser melhor e mais prudente a cada dia.
Pedras Preciosas Março 24, 2009
Posted by Ramon Silva in Reflexão.add a comment
Conta-se que um homem caminhava pelo deserto, sentindo a inclemência do sol a castigar-lhe a pele e a sede a atormentá-lo. Em meio ao imenso areal, embora totalmente só, pôde ouvir com nitidez uma voz que lhe dizia: Pega umas pedras. Coloca-as no teu bolso e amanhã sentirás ao mesmo tempo tristeza e alegria. O homem obedeceu. Inclinou-se, recolheu um punhado de pedras e as colocou no bolso.
Concluiu a travessia e, na manhã seguinte, quando despertou, constatou que as pedras haviam se convertido em diamantes, rubis e esmeraldas. Então, como predissera a voz, sentiu-se feliz e triste ao mesmo tempo.
Feliz, por ter recolhido as pedras que agora lhe eram um grande tesouro. Triste por não ter recolhido outras tantas e ser ainda mais rico.
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Assim ocorre com o processo da educação. Os homens de sabedoria nos convidam a investir alto nela, a nos esmerarmos com as gerações novas, os nossos rebentos que apenas enflorescem os nossos jardins. A educação é processo delicado que requer investimento constante.
É na convivência diária, nos pequenos exemplos do cotidiano que a criança se educa, para o bem ou para o mal. Porque, em verdade, quer queiramos ou não, todos somos educadores. Educamos pela palavra, pelo exemplo, pela ação. Lamentamos, hoje, o estado da nossa infância e da nossa juventude, muita vez bem distante dos ideais de nobreza e elevação, mais interessada em atender aos seus próprios interesses, imediatistas e egoístas. Mas os culpados por esta situação somos nós mesmos, os que nos encontramos a caminho com elas. Em vez de estabelecermos limites, disciplina, ordem, tememos o julgamento dos nossos pares, amigos e parentes e deixamos que tudo corra à matroca.
Ora, criança sem limites será o adolescente sem limites e o homem inconsequente do amanhã, que pensará que tudo o que existe no mundo lhe é devido. Que as pessoas existem para servi-lo e a vida para ser usufruída de forma alucinada.
Por isso mesmo, em todo processo educativo a mensagem do Cristo deve se fazer presente. Graças a ela, aprendemos que todos somos filhos do mesmo Pai, herdeiros, portanto, da mesma fortuna que é o mundo e a vida, com direitos à saúde, ao ensino, ao respeito. É Jesus que nos convida ao amor, à doação, à fraternidade, graças aos quais alcançaremos verdadeiramente melhores condições de vida na Terra.
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Os ideais são como as estrelas. Parece-nos que jamais os alcançaremos, mas, à semelhança dos marinheiros em alto-mar, traçamos os nossos caminhos, seguindo-os. Seja um dos nossos ideais o esmero na educação, própria e dos que nos rodeiam, sempre atentos às nossas atitudes.
O Jovem Rico Fevereiro 27, 2009
Posted by Ramon Silva in Diálogo, Reflexão, Reforma Íntima.Tags: Decágolo, jesus, Mandamentos
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Narram os Evangelhos que um moço rico buscou o jovem Rabi da Galiléia, em certa tarde em que os acordes da natureza soavam belezas na paisagem. O moço rico, cujo nome os evangelistas não registraram, vinha em busca de uma resposta para a sua indagação. Indagação que lhe corroía a alma, desde há muito.
Que devo fazer para herdar a vida eterna?
O Mestre falou-lhe dos mandamentos, mas o moço rico afirmou que esses, ele os seguia desde a sua mocidade. Voltou-se o Mestre para ele, fitou-o profundamente, com Seus olhos da cor do céu, e fez o convite: Vem, e segue-Me.
Sabemos, pela narrativa evangélica, que o moço rico voltou as costas para o meigo Nazareno e foi buscar as glórias efêmeras, nas corridas de bigas, com seus cavalos árabes, na tentativa de conquistar para as cores de Israel mais uma vitória.
O jovem rico tinha conhecimento das leis e as seguia. Temeu, no entanto, abandonar o que mais prezava: o aplauso das multidões e os louros das vitórias nas arrojadas corridas de bigas, em que era um ás.
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Toda vez que a cena evangélica nos é reavivada na memória, lamentamos a escolha do moço rico. No entanto, será que nós, ao menos seguimos os mandamentos?
O Decálogo prescreve: Não matar!
Diremos, possivelmente, que nunca matamos. Será mesmo? Será que nunca matamos as esperanças de alguém, falando afoitamente? Será que não matamos os sentimentos, os ideais de alguém, a alegria, agindo de forma leviana e inconsequente?
O Decálogo ensina: Não roubar!
Afirmamos depressa que jamais tomamos algo que não nos pertencesse de forma legítima. Mas, será que nunca roubamos a felicidade, o equilíbrio de alguém, com nossas palavras ou com nossas atitudes? Será que nunca roubamos a liberdade do nosso próximo, sua paz?
Nas normas recebidas por Moisés, no Monte Sinai, encontra-se: Não dirás falso testemunho!
De imediato, diremos que jamais dissemos algo nesse sentido, de quem quer que seja. Será que não medimos e apontamos as atitudes do próximo, será que não vemos e relacionamos, com prazer, erros e defeitos alheios? Não nos comprazemos com as gafes de alguém ou não menosprezamos valores alheios?
Honrarás pai e mãe!
Será que honramos nossos pais com nosso carinho, respeito e atenção? Temos tido com eles paciência, em especial com aqueles de idade avançada? Neste breve exame, com certeza, descobriremos muitas falhas em nós, demonstrando a nossa imaturidade espiritual e a nossa inconsequência. Por isso mesmo, as lições devem ser repetidas para nós inúmeras vezes. Para que as incorporemos na intimidade e as coloquemos em prática. É por essa mesma razão que Jesus prossegue de braços abertos, a nos convidar ao bem, através dos versos harmoniosos traduzidos nas páginas dos Evangelhos.
Amai-vos … Sede perfeitos… Vinde a mim…
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Ao homem compete sempre a opção do melhor caminho a seguir. Contudo, será sempre responsável pelos seus atos, pois como se lê no Velho Testamento, no livro do Eclesiastes:
Há tempo de plantar e tempo de colher…
Há tempo de espalhar pedras, há tempo de recolher pedras…
Há tempo de chorar, há tempo de sorrir…
Os dois mares Fevereiro 24, 2009
Posted by Ramon Silva in Reflexão.Tags: amar, Evangelho, jesus, Mar da Galiléia, Mar Morto
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Narra o escritor Bruce Barton que, na Palestina, existem dois mares bem distintos.
O primeiro deles é fresco e cheio de peixes. Possui margens adornadas com bonitas plantas e muitas árvores as rodeiam, debruçando seus galhos em suas águas, enquanto deitam as raízes nas águas saudáveis para se dessedentarem. Suas praias são acolhedoras e as crianças brincam felizes e tranquilas. Esse mar de borbulhantes águas é constituído pelo rio Jordão. Ao redor dele, tudo é felicidade. As aves constroem os seus ninhos, enchendo com seus cantos a paisagem de paz e de risos. Os homens edificam suas casas nas redondezas para usufruírem dessa classe de vida.
Mas, o rio Jordão prossegue para além, em direção ao sul, em direção a outro mar. Ali tudo parece tristeza. Não há canto de pássaros, nem risos de crianças. Não há traços de vida, nem murmúrio de folhas. Os viajantes escolhem outras rotas, desviando-se desse mar de águas não buscadas por homens, nem cavalgaduras, nem ave alguma. Se ambos os mares recebem as águas do mesmo rio, o generoso Jordão, por que haverá entre ambos tanta diferença?
Num, tudo canta a vida, noutro parece pairar a morte.
Não é o rio Jordão o culpado, nem causa é o solo sobre o qual estão, ou os campos que os rodeiam. A diferença está em que o Mar da Galiléia recebe o rio, mas não detém as suas águas, permitindo que toda gota que entre, também saia, adiante. Nele, o dar e receber são iguais. O outro é um mar avarento. Guarda com zelo todas as gotas que nele ingressam. A gota chega e ali fica. Nele não há nenhum impulso generoso.
O Mar da Galiléia dá de forma incessante e vive de maneira abundante.
O outro nada dá e é chamado de Mar Morto.
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Tecendo um paralelo entre o coração humano e os dois mares descritos, podemos logo reconhecer se temos uma alma generosa igual ao Mar da Galiléia ou avarenta e ciosa qual o Mar Morto.
Os que estamos habituados a distribuir os dons e talentos que a Divindade nos concede, somos os seres agraciados com a alegria de viver, farto círculo de amigos, flores de carinho e folhagens de ternura.
Se nos habituamos a viver sós, sem nada repartir, dividir ou partilhar, estamos semeando solidão à nossa volta, tristeza e desamparo, porque a vida é qual imensa seara que retribui a sementeira, de acordo com os grãos cultivados.
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O Mar da Galiléia também é conhecido, no Antigo Testamento, como o Mar de Kinneret ou Lago de Tiberíades.
Às margens do Mar da Galiléia é que se estendiam as cidades de Magdala, Cafarnaum, Tiberíades e Betsaida, onde os Evangelhos registram a atuação de Jesus, quando de Seu ministério entre os homens.
Exemplos Vivos Fevereiro 23, 2009
Posted by Ramon Silva in Amor, Família, Perseverança.add a comment
Possivelmente você já ouviu falar, mais de uma vez, a respeito de Anne Frank. Seu diário, escrito durante os dois anos em que permaneceu escondida dos nazistas, durante a Segunda Guerra Mundial, em um minúsculo anexo, no sótão do prédio em que funcionava o escritório de seu pai, em Amsterdã, foi publicado e transformou-se em peças de teatro e filmes famosos.
Anne Frank viveu como um canário na gaiola e apesar de tudo o que sofreu, acreditava que as pessoas, no fundo, são realmente boas. Com seus pais, a irmã mais velha, um dentista e a família Van Daan foi finalmente apanhada pelos nazistas e confinada em um campo de concentração, onde veio a morrer.
O que poucos sabem, possivelmente, é que seu pai, Otto Frank, após a morte da filha, recebeu cartas de jovens do mundo inteiro e tornou-se mentor, orientador de muitas vidas.
Assim foi que uma jovem americana, de nome Cara Wilson, teve reacendida sua esperança por ele. Observando a triste figura do mundo, após o assassinato de John e Bobby Kennedy, de Martin Luther King Jr., ela acreditava que o mundo estava perdido. Afinal, todos eles haviam sido baleados por homens perturbados. Como ela poderia gerar um filho num mundo assim?
Otto Frank lhe escreveu, em resposta: Mesmo que o fim do mundo fosse iminente, eu plantaria hoje uma árvore. A vida continua, e talvez seu filho faça o mundo avançar um passo.
Graças a essa perspectiva de esperança, ela teve coragem para se tornar mãe. Teve dois filhos.
De Atenas, uma outra jovem lhe escreveu narrando seu horripilante passado – o modo como o pai, envolvido no movimento de Resistência aos nazistas, fora morto na sua frente. A jovem perdera o interesse por tudo, pela vida em si. Foi então que ela assistiu à peça O diário de Anne Frank. Escreveu a Otto e ele lhe respondeu que, embora houvessem impedido Anne de ver suas metas realizadas, ela tinha diante de si toda uma vida de esperanças. A garota ateniense superou a depressão.
Um rapaz de nome John Neiman, depois de reler o livro de Anne Frank na Faculdade, escreveu a Otto e ele o orientou, dizendo que se ele quisesse honrar a memória de Anne e dos outros que morreram, cumprisse aquilo que Anne tanto desejava – fazer o bem aos outros. John se tornou sacerdote e em Redondo Beach, Califórnia, passou a estender a mão aos sobreviventes do Holocausto.
Talvez não se consiga jamais saber quantas vidas o exemplo de Anne Frank e os conselhos de seu pai influenciaram positivamente. Contudo, o que se guarda é a certeza de que cada ser, onde se encontre, com quem esteja, pode se tornar uma carta viva do amor a serviço do bem.
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Anne Frank tinha somente 13 anos quando sua vida se transformou radicalmente. Deixou a casa grande e ensolarada de Amsterdã para viver no único local que lhe garantiria a vida.
Durante dois anos, ela somente podia contemplar o céu azul de primavera ou as noites estreladas, de uma pequena abertura na água-furtada onde se escondia, sem jamais poder abrir uma janela.
Seu diário revela uma fé inabalável e a nobreza fora do comum de um Espírito amadurecido no sofrimento.
Anne Frank morreu em fevereiro de 1945, no Campo de Concentração de Bergen-Belsen.
Advertência Fevereiro 22, 2009
Posted by Ramon Silva in Amor, Diálogo, Reflexão, Sabedoria.1 comment so far
Existem jóias raras na literatura mundial, por vezes até de autor considerado anônimo. Há alguns dias, em uma obra, colhemos a seguinte advertência, exatamente nesses moldes de que falamos:
Um dia chegará em que, num determinado momento, um médico comprovará que meu cérebro deixou de funcionar e que, definitivamente, minha vida neste mundo chegou ao seu fim.
Quando tal coisa acontecer, não digas que me encontro em meu leito de morte.
Estarei em meu leito de vida e cuida para que esse corpo seja doado para contribuir de forma que outros seres humanos tenham uma vida melhor.
Dá meus olhos ao desgraçado que jamais tenha contemplado o amanhecer, que não tenha visto o rosto de uma criança ou, nos olhos de uma mulher, a luz do amor.
Dá meu coração a alguma pessoa cujo coração só lhe tenha valido intermináveis dias de sofrimento.
Meu sangue, dá-o ao adolescente resgatado de seu automóvel em ruínas, a fim de que possa viver até poder ver seus netos brincando ao seu lado.
Dá meus rins ao enfermo, que deve recorrer a uma máquina para viver de uma semana à outra.
Para que um garoto paralítico possa andar, toma toda a totalidade de meus ossos, todos os meus músculos, as fibras e os nervos todos de meu corpo.
Mexe em todos os recantos de meu cérebro. Se for necessário, toma minhas células e faze com que se desenvolvam, de modo que, algum dia, um garoto sem fala consiga gritar com entusiasmo ao assistir a um gol, e uma garotinha surda possa ouvir o repicar da chuva contra o vidro da janela.
O que sobrar do meu corpo, entrega-o ao fogo e lança as cinzas, ao vento, para contribuir com o crescimento das flores.
Se algo tiveres que enterrar, que sejam os meus erros, minhas fraquezas e todas as minhas agressões contra o meu próximo.
Se acaso quiseres recordar-me, faze-o com uma boa obra e dizendo alguma palavra bondosa ao que tenha necessidade de ti.
* * *
As palavras de advertência desse anônimo nos convidam a meditar no tesouro que possuímos, que é nosso corpo físico.
Tantos esquecemos de render graças a Deus por essa maquinaria maravilhosa, tanto quanto nos olvidamos de lhe providenciar, após a morte física, o devido destino.
Tantas são as campanhas em prol da doação de córneas, de rins e vamos protelando sempre para mais tarde a decisão de prescrever nossa doação.
Sem nos esquecermos de que, enquanto ainda dispondo do corpo de carne, podemos nos tornar regulares doadores do valioso líquido, que representa a vida e se chama sangue.
Meditemos se não estamos sendo demasiado egoístas em não disponibilizar esse tesouro para que outros vivam e vivam de forma abundante.
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A retirada das córneas, após a morte, de forma alguma deforma ou mutila o cadáver. Essa é a preocupação de alguns possíveis doadores, que não desejam agredir a família.
Os rins podem ser retirados do cadáver até seis horas após ter ocorrido a morte.
Para o Espírito do doador não ocorre mutilação, ao contrário, tais atitudes revelam desprendimento e grandeza d’alma.
Sempre com Deus Fevereiro 21, 2009
Posted by Ramon Silva in Paciência, Perseverança, Reflexão.Tags: consolo, Deus
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Lembra-te de Deus para que saibas agradecer os talentos da vida.
Se te encontras cansado, pensa Nele, o Eterno Pai que jamais descansa. Como nos ensinou o próprio Jesus, o Pai trabalha constantemente.
Se te encontras triste, eleva a Deus os teus sentimentos, meditando na alegria solar com que, todas as manhãs, a Infinita Bondade do Pai dissolve as trevas, anunciando um dia novo de oportunidades.
Se estás doente pensa em como Deus, na Sua compaixão e equilíbrio, reajusta os quadros da natureza. Pensa em como, após a tempestade, que arranca árvores centenárias e destrói montanhas, tudo se asserena.
Se te sentes incompreendido, ainda assim volta-te para Deus. Ele, o Eterno Doador de todas as bênçãos, quantas vezes é incompreendido pelas criaturas que criou e sustenta. Mesmo assim, a Sua paciência inesgotável não desanima, aguardando que nos decidamos por abandonar nossas imperfeições.
Se te sentes humilhado, entrega a Deus as dores da tua sensibilidade ferida ou do orgulho menosprezado, refletindo no anonimato com que Ele esconde a Sua imensa grandeza, servindo-nos todos os dias.
Se te sentes sozinho, busca a companhia sublime de Deus na pessoa daqueles que seguem na retaguarda, cambaleantes de sofrimento.
Os mais solitários que tu mesmo, que se encontram em provações mais difíceis que as tuas. Procura aqueles que a miséria encara todas as horas e necessitam da tua ajuda para matar a fome, a sede, acalmar a dor.
Sai de ti mesmo e procura-os. Eles se encontram nas favelas, nas praças, nos hospitais, nos asilos, nas prisões. Talvez, ao teu lado, nos familiares que te esperam um gesto de carinho, uma palavra amiga, um pouco de atenção.
Se estás aflito, confia a Deus as tuas ansiedades. Fala-Lhe de tudo aquilo que te vai na intimidade e Nele, que é o Amor, todas as tuas tormentas haverão de se acalmar.
Enfim, seja qual for a dificuldade, recorda o Todo Misericordioso que não nos esquece.
Na oração haverás de encontrar a força a fim de te ergueres e superares os problemas, pequenos ou grandes que te estejam a supliciar.
Na oração, que é rota de luz, não haverá de te faltar o ânimo para enfrentar mais este dia, com coragem, bom ânimo e alegria, porque, afinal de contas, dia como este nunca houve e nem haverá igual.
* * *
Na vida, auxilia quanto puderes. Faze o bem sem olhar a quem.
Imagina que és o lavrador e o teu próximo é o campo. Tu plantas e o outro produz. Tu és o celeiro, o outro é o cliente.
Se desejas seguir para Deus, pensa que entre Deus e tu mesmo, o próximo é a ponte.
O Criador atende às criaturas através das criaturas.
Por isso mesmo, é preciso viver e servir.