jump to navigation

A família em primeiro lugar Agosto 19, 2008

Posted by Ramon Silva in Amor, Diálogo, Família, Tempo.
Tags: ,
add a comment

O administrador Stephen Kanitz, colunista da revista Veja, escreveu em edição de fevereiro de 2002 mais ou menos o seguinte:

Há vinte anos presenciei uma cena que modificou radicalmente minha vida. Foi num almoço com um empresário respeitado e bem mais velho que eu.

O encontro foi na própria empresa. Ele não tinha tempo para almoçar com a família em casa, nem com os amigos num restaurante. Os amigos tinham de ir até ele.

Seus olhos estavam estranhos. Achei até que vi uma lágrima no olho esquerdo. “Bobagem minha”, pensei. Homens não choram, especialmente na frente dos outros.

Mas, durante a sobremesa, ele começou a chorar copiosamente. Fiquei imaginando o que eu poderia ter dito de errado. Supus que ele tivesse se lembrado dos impostos pagos no dia.

“Minha filha vai se casar amanhã”, disse sem jeito, “e só agora a ficha caiu. Percebo que mal a conheci.

Conheço tudo sobre meu negócio, mal conheço minha própria filha. Dediquei todo o tempo à minha empresa e me esqueci de me dedicar à família.”

Voltei para casa arrasado. Por meses, me lembrava dessa cena e sonhava com ela. Prometi a mim mesmo e a minha esposa que nunca aceitaria seguir uma carreira assim.

Colocar a família em primeiro lugar não é uma proposição tão aceita por aí. Normalmente, a grande discussão é como conciliar família e trabalho. Será que dá?

O cinema americano vive mostrando o clichê do executivo atarefado que não consegue chegar a tempo para a peça de teatro da filha ou ao campeonato mirim de seu filho.

Ele se atrasou justamente porque tentou conciliar trabalho e família. Só que surgiu um imprevisto de última hora, e a cena termina com o pai contando uma mentira ou dando uma desculpa esfarrapada.

Se tivesse colocado a família em primeiro lugar, esse executivo teria chegado a tempo. Teria levado pessoalmente a criança ao evento.

Teria dado a ela o suporte psicológico necessário nos momentos de angústia que antecedem um teatro ou um jogo.

A questão é justamente essa. Se você, como eu e a grande maioria das pessoas, tem de conciliar família com amigos, trabalho, carreira ou política, é imprescindível determinar quem você coloca em primeiro lugar.

Colocar a família em primeiro lugar tem um custo com o qual nem todos podem arcar. Implica menos dinheiro, fama e projeção social.

Muitos de seus amigos poderão ficar ricos, mais famosos que você e um dia olhá-lo com desdém. Nessas horas, o consolo é lembrar um velho ditado que define bem por que priorizar a família vale a pena:

“Nenhum sucesso na vida compensa um fracasso no lar.”

Qual o verdadeiro sucesso de ter um filho drogado por falta de atenção, carinho e tempo para ouvi-lo no dia-a-dia?

De que adianta ser um executivo bem-sucedido e depois chorar durante a sobremesa porque não conheceu sequer a própria filha?

* * *

O lar constitui o cadinho redentor das  almas. Merece nosso investimento em recursos de afeto, compreensão e boa vontade, a fim de dilatar os laços da estima.

Os que compõem o lar são os marcos vivos das primeiras grandes responsabilidades do Espírito encarnado.

Assim, acima de todas as contingências de cada dia, compete-nos ser o cônjuge generoso e o melhor pai, o filho dedicado e o companheiro benevolente.

Afinal, na família consangüínea, temos o teste permanente de nossas relações com toda a Humanidade.

A criança e o segredo Agosto 17, 2008

Posted by Ramon Silva in Diálogo, Família, Liderança, Sabedoria.
Tags: ,
1 comment so far

Num bonde de Botafogo, Rio de Janeiro, conversam uma jovem senhora, mãe de uma menininha que a acompanha, e sua amiga.

As duas vão falando animadamente sobre assuntos diversos, e no meio delas, a criança se sente um tanto desnorteada. Volta a cabeça de um lado para outro, ao mesmo tempo que sublinha cada frase com uma expressão de inteligência ou incompreensão. Quando o assunto está em plena efervescência, a criança intervém com um aparte. E daí em diante a conversa, passando de um lado para o outro, inevitavelmente pára, a uma objeção da pequena interlocutora.

A certa altura da conversa, a mamãe começa a ficar um tanto inquieta em relação às observações da menina. Mais adiante, já aponta para a paisagem, a ver se ela se distrai. Mas a menina está muito interessada no assunto, e a amiga da mãe parece estar muito satisfeita com isso.

O bonde anda mais um pouco, enquanto a criança faz seu comentário pertinente.

Então, a mamãe sorri para a amiga, como quem diz: Você sabe, é preciso calar a boca desta tagarela…; e pondo a mão em concha no ouvido da menina, diz qualquer coisa para a amiga, acompanhada de um olhar muito confidencial.

Como é? - a menina não entendeu bem.

E torna a mãe a repetir o segredinho, enquanto a mão enluvada diz que não, com o indicador autoritário e irritado.

Como conclusão do armistício, um beijinho rápido e inesperado nos caracoizinhos dourados enrolados na testa.

A amiga sorri, a mamãe sorri, e a menina olha para uma e para outra, meio desconfiada e desapontada, sem dizer mais nada.

A criança pode ter uns cinco anos.

Quando tiver mais dez a mamãe um dia lhe perguntará, entristecida: Mas, minha filha, que segredo é esse que você me esconde? Já não se lembrará que ela mesma lhe ensinou a calar… Que dividiu a vida em duas partes: uma que se pode, outra que não se pode mostrar.

E a menina, que antigamente assistia aos exemplos de casa, está praticando, agora, aqueles exemplos…

Quem nos traz tais preocupações com a educação infantil é a ilustre poetisa brasileira, Cecília Meireles, em uma de suas muitas crônicas sobre educação.

A autora é muito feliz em apontar um costume muito comum nas famílias, e que gera conseqüências desastrosas, em muitas ocasiões.

Por vezes, sem perceber, pais e educadores ensinam os filhos a calar, a esconder sentimentos e a mentir. Seus exemplos ensinam sempre mais do que qualquer retórica inflamada. As crianças fitam a conduta dos pais, e se inspiram nela, já que são sempre seu primeiro e maior referencial.

Precisamos redobrar o cuidado, e manter com os filhos, desde tenra idade, uma relação franca, sem segredos e sem mistérios.

Explicar sempre a razão dos não e dos sim, que serão freqüentes e naturais, faz-se condição indispensável para construir uma boa relação de respeito e amizade.

O caminho do porque sim e pronto, ou do porque não e chega, é mais cômodo para os educadores, porém, é perda de oportunidade de educar com profundidade.

Cultivar o diálogo aberto e franco sempre, é cultivar o amor em sua expressão mais bela e luminosa.

Meu filho e as manhãs Agosto 16, 2008

Posted by Ramon Silva in Amor, Família.
Tags: ,
add a comment

Hoje pela manhã, como de costume, antes de sair para trabalhar, visitei o quarto de meu filho.

Considero uma espécie de ritual sagrado de todas as manhãs: chegar bem perto de seu berço, ajeitar sua coberta com cuidado, aninhá-lo com carinho para que não se descubra. Passo então minhas mãos, algumas vezes, sobre seus cabelos macios, e digo em pensamento: “Como eu te amo!”

Ele normalmente se move com suavidade, como se reagisse de alguma forma ao estímulo externo durante o sono. Continua ali, em silêncio, em paz, preparando seu corpinho e sua alma para mais um dia de descobertas felizes.

Despeço-me, procurando não fazer ruídos, e saio porta afora com a alma leve, pronto para enfrentar mais um dia no mundo.

Da próxima vez que o vir, mais tarde, ele já estará desperto, correndo pela casa, brincando com seus carrinhos, e irá me conceder mais uma alegria: a de receber seu sorriso, que sem dizer nada, diz tudo.

Por mais que alguns dias sejam difíceis, por mais que as batalhas sejam ferrenhas e desgastantes, tudo se acalma, tudo se conforta naquele sorriso. Os sorrisos de criança têm um poder quase mágico, e os de nossos filhos mais ainda. Eles parecem querer nos fazer perceber que, por mais que a vida seja tormentosa, cheia de pequenos e grandes espinhos que provocam dor, muita alegria ainda existe.

Por mais que neste exato instante existam “n” pessoas desejando não mais viver, se enfraquecendo nas lutas, desejando desistir, existem outras tantas almas agradecendo pela vida, num júbilo contagiante.

E tenho certeza de que “ser pai” é mais um desses motivos de alegria plena, de gratidão a Deus, e mais uma das muitas razões que temos para continuar sempre, sem desistir.

Meu filho e as manhãs me ensinam sempre esta lição preciosa, a da renovação, do renascimento da água e do Espírito.

* * *

Muitos pais se queixam de não terem visto seus filhos crescerem. Passa tão rápido! Não me lembro mais! – são expressões que ouvimos com freqüência.

Será que estamos atentos aos nossos filhos como deveríamos estar? Será que passa tão rápido assim, a ponto de guardarmos tão poucas lembranças? Ou há alguma coisa errada com o tempo, ou há alguma coisa errada conosco.

Seria tão bom poder ouvir de um pai, de uma mãe: Lembro-me de cada nova conquista, de cada dia da infância, de cada nova palavra… Seria tão bom poder ouvir: Curti cada dia ao seu lado, meu filho, quando você era pequenino, como se fosse o último. Não perdi oportunidade alguma junto a você.

Aproveitemos o tempo junto a eles, em qualquer idade, em qualquer condição de vida. Curtamos a existência ao seu lado, anotando no coração cada beleza, cada nova descoberta, tirando fotografias com a alma – registrando no íntimo do ser cada sorriso em seu rosto.

Dicas para um casamento feliz Agosto 16, 2008

Posted by Ramon Silva in Amor, Diálogo, Família.
Tags:
1 comment so far

O que faz com que alguns casais vivam anos e anos juntos e desfrutem felicidade? Natural que não seja a felicidade plena e absoluta. Mas uma vida de alegrias, de compartilhamento. Casais que superam dificuldades as mais árduas e prosseguem juntos. Os reveses financeiros, a saúde comprometida, os filhos-problema, tudo é enfrentado a dois, de mãos dadas, consolidando sempre mais a relação.

Alguns que não conseguiram manter o próprio relacionamento conjugal, afirmam que, em verdade, isso é resultado de submissão de um ao outro. Anulação da personalidade. Comodismo. São variadas as explicações. No entanto, os que vêem se multiplicar os anos na durabilidade de seu matrimônio, têm seus segredos.

Cada casal tem sua fórmula especial. Mas algumas dicas, com certeza, auxiliam. Como o casamento feliz é um porto seguro onde se pode relaxar e recuperar das tensões do dia-a-dia, algumas frases não devem ser esquecidas.

Você recorda quando foi a última vez que olhou para sua esposa e lhe disse: Você está deslumbrante hoje?

Quantas vezes vocês se preparam para ir a uma festa, colocam sua melhor roupa, se alinham. E nem olham um para o outro? Pensem: antes de parecerem bem apresentáveis para os outros, vocês estão no lar, um frente ao outro.

Observe como ele continua um gato, um rapaz saradão. Veja como os fios de prata lhe conferem um ar de maturidade.

Aproveite para dizer: Estou feliz por ter me casado com você.

Já pensou em despertar pela manhã, olhar para o seu cônjuge e dizer: É bom acordar a seu lado!

Que tal uma surpresa no meio do dia com um telefonema breve para dizer: Você sempre será o meu amor!

No jantar em família, olhem nos olhos um do outro. Agora, é o momento de falar: Adoro ver o brilho em seus olhos quando você sorri.

E, assim por diante. Não perca a chance de dizer como é bom estarem juntos, compartilharem a mesma casa, as alegrias, as dores. Tenha sempre em sua mente, frases como:

O que você fez foi muito bom.

Não posso imaginar viver sem você.

Você é muito especial.

Sinto muito, o erro foi meu.

Confio em você.

Aprecio cada momento que passamos juntos.

E, quando ele errar o caminho, aproveite para brincar, para rir:

Este é o meu marido! Já sei porque você se perdeu de novo. Quer ficar mais tempo comigo a sós, seu danadinho!

Quando ele estiver muito quieto, pergunte:

Em que você está pensando?

Quando rusgas acontecerem, seja o primeiro a ceder admitindo: Eu gostaria de ser um companheiro melhor.

Finalmente, não esqueçam de um ao outro dizer a cada dia, quando se despedem, quando cada qual ruma para a sua atividade profissional:

Ore por mim. Vou orar por você.

E, mais importante que tudo, sejam gratos um ao outro, com frases como:

Obrigado por me amar.

Obrigado por me aceitar.

Obrigado por ser meu companheiro.

Você torna meus dias mais brilhantes.

Experimente. Tente. E veja sua relação conjugal frutificar em flores de amor e alegrias.

Parar para ouvir Agosto 15, 2008

Posted by Ramon Silva in Diálogo, Sabedoria.
Tags: ,
add a comment

Como anda sua habilidade para ouvir os outros? Você tem paciência de parar para escutar alguém? Eis algumas reflexões importantes sobre o tema:

* * *

Millie Esposito ouvia, com atenção, quando um de seus filhos tinha alguma coisa a lhe dizer. Certa noite, estava sentada na cozinha com o filho, Robert, e, após uma rápida discussão sobre uma idéia que ele alimentava, ele disse:

Mãe, sei que a senhora gosta muito de mim.

A Sra. Esposito comoveu-se e comentou: Naturalmente gosto de você. Duvidava disso?

Robert respondeu: Não, mas sei realmente que a senhora gosta de mim quando quero conversar sobre alguma coisa, e a senhora pára de fazer o que está fazendo, só para me ouvir.

* * *

Quantos de nós paramos para ouvir nossos filhos? Quantos de nós paramos para ouvir o outro, assumindo essa postura respeitosa de atenção ao semelhante? E quem não gosta de ser ouvido? E ser ouvido com atenção. Dialogar com alguém que nos ouve atentamente, que espera que concluamos uma idéia para, só então expor a sua, é um grande prazer.

Uma pessoa que só fala de si mesma, que só pensa em si mesma, é irremediavelmente deseducada. Aquela que sabe ouvir, por outro lado, faz-se simpática, querida, e inspira confiança plena nos outros.

Um homem que conheceu o célebre Sigmund Freud, descreveu sua maneira de ouvir da seguinte forma:

Fiquei tão fortemente impressionado, que não o esquecerei. Ele tinha qualidades que jamais encontrei em homem algum. Nunca, em toda minha vida, vi atenção tão concentrada. Seus olhos eram meigos e suaves. Sua voz era calma e macia. Fazia poucos gestos. Mas a atenção que dispensava a mim, seus comentários positivos sobre o que eu dizia, mesmo quando eu me expressava mal, eram extraordinários. Você não imagina o que significa ser ouvido daquela maneira.

* * *

Quem sabe ouvir já ajuda, sem precisar falar coisa alguma, muitas vezes. Assim, se desejarmos ser bons conversadores, bons amigos e bons conselheiros, sejamos ouvintes atentos.

Para ser interessante, seja interessado. Faça perguntas às quais o outro sinta prazer em responder. E aproveite para aprender também. Doando atenção, doando seu ouvir atento, certamente você estará ganhando, além da gratidão do outro, experiência, conhecimento e discernimento.

A falta de tempo jamais poderá ser desculpa para o não ouvir. Basta que sejamos disciplinados, organizados, e descobriremos que teremos tempo para ouvir.

Ouvir é doar-se ao outro, por isso, alegar escassez de tempo para se dar, para praticar esta nuança de caridade, é se autocondenar à estagnação espiritual. Tal gesto de amor poderá ser praticado por qualquer um, independente de idade, poder aquisitivo ou grau de instrução. Todos podemos nos doar, ouvindo.

* * *

Jesus, o grande exemplo para a Humanidade, era um excelente ouvinte. Prestemos atenção nas passagens evangélicas, analisando-as sob este prisma, e percebamos que Ele sempre se posicionou como bom ouvinte.
Escutava com paciência e ternura todos os que Dele se aproximavam, pedindo auxílio e consolo. Jamais interrompeu alguém, e sempre debruçou sobre eles olhar atencioso e amoroso de quem se interessa pela vida de seu semelhante.

Nosso verdadeiro lugar Agosto 1, 2008

Posted by Ramon Silva in Diálogo, Sabedoria.
Tags:
add a comment

Jesus era um educador de qualidades especiais. Ele não perdia oportunidade alguma para o ensino. Toda ação, palavra, feito que ocorresse onde Ele estivesse, era motivo de observações precisas.

Como nosso Modelo e Guia, tinha plena consciência de que a vida é dada ao homem para o seu progresso. E todos os momentos na vida são oportunidades de crescimento.

Narra o Evangelista Lucas que, em dia de sábado, entrou Jesus na casa de um fariseu. O nome do fariseu não é mencionado, no entanto, o Mestre fora ali convidado à refeição. Quando adentrou o local, foi observado pelos que lá se encontravam. Por sua vez, observou Jesus que os convidados escolhiam os primeiros lugares, em quase atropelo. Todos desejavam ficar o mais próximo possível do anfitrião.

Recordemos que, ao tempo do Cristo, as refeições não eram realizadas em torno de uma mesa. Os convidados se acomodavam em poltronas, sofás que eram distribuídos pelo ambiente, em mais ou menos semicírculo. As refeições eram tomadas com o convidado meio reclinado, apoiando a cabeça sobre o braço esquerdo e servindo-se com a mão direita. Por isso, a grande disputa pelos lugares mais próximos ao dono da casa.

Talvez porque desejassem ser vistos por ele, porque isso lhes constituiria um ponto a mais no relacionamento interpessoal, o que poderia ter valor para negociações de futuro. Talvez estivessem interessados em estar mais próximos para não perderem nenhuma das palavras que o anfitrião proferisse. Assim, poderiam participar do diálogo, tanto quanto teriam possibilidades de tudo avaliar. E, possivelmente, formular críticas mais tarde, sobre esse ou aquele ponto.

Relanceando o olhar pela sala, Jesus tomou da palavra e propôs uma parábola, dizendo:

Quando fordes convidados para bodas, não tomeis o primeiro lugar, para que não suceda que, havendo entre os convidados uma pessoa mais considerada do que vós, aquele que vos haja convidado venha a dizer-vos:

“Dai o vosso lugar a este.”

E vos vejais constrangidos a ocupar, cheios de vergonha, o último lugar.

Quando fordes convidados, ide colocar-vos no último lugar, a fim de que, quando aquele que vos convidou chegar, vos diga:

“Meu amigo, venha mais para cima.” Isso será para vós um motivo de glória, diante de todos os que estiverem convosco à mesa. Porquanto todo aquele que se eleva será rebaixado e todo aquele que se abaixa será elevado.

As palavras de Jesus eram, primeiramente, uma lição de etiqueta. Porque ninguém que seja convidado para um banquete, deve ir se assentando onde bem queira. A etiqueta estabelece que se aguarde o direcionamento do mestre de cerimônias ou de quem às vezes lhe faça.

Era a exortação do Mestre, também, um ensino essencialmente voltado ao Espírito.

Somente quem abriga em si a humildade, cresce de forma autêntica, progredindo.

Não foi diversa a postura do Modelo e Guia da Humanidade que Se credenciou como o servidor de todos. São Suas as palavras: Estou entre vós como aquele que serve.

* * *

Pensemos nisso: se o Senhor das Estrelas, o Cristo, assim se posicionou, por que ainda nos magoamos tanto quando não recebemos as deferências dos homens?

Sirvamos sempre. Deus, que a tudo vê e tudo sabe, conhece exatamente o lugar onde precisamos estar. Ele é a justiça suprema e nunca Se engana.

Pensemos nisso e vivamos melhor, menos preocupados com o olhar dos homens. E mais atentos ao que o Senhor da Vida tem a ofertar a cada um de nós.

Vivendo a felicidade Julho 31, 2008

Posted by Ramon Silva in Amor, Tempo.
Tags:
add a comment

Era um dia quente. O ônibus estava repleto de pessoas. Algumas levavam sacolas, pacotes. Outras seguravam bebês ao colo, enquanto outras mais procuravam acalmar as crianças inquietas, que tentavam atrapalhar a tranqüilidade de passageiros sisudos.

Fazia calor. Senhoras conversavam, dizendo das dificuldades de suas vidas, os problemas com os filhos, a falta de dinheiro, o desemprego do marido. Jovens falavam em tom animado da festa projetada para o final de semana.

Um cenário comum. Todos os dias, as cenas eram mais ou menos semelhantes. Que se pode esperar de momentos assim, tão comuns? Mas, enquanto o ônibus ia sacolejando ao longo da estrada, num dos bancos havia um velhinho magricela segurando, com todo cuidado, um ramo de flores. Eram flores lindas, frescas ainda. Deviam ter sido colhidas em um jardim muito bem cuidado, no alvorecer, beijadas pelo orvalho.

Do outro lado do corredor, uma garota não desviava os olhos das flores. Eram lindas, exuberantes. Então, chegou a hora do homem saltar do ônibus. Ele se levantou, caminhou em direção à porta. Quando passou pela jovem, em um rompante, lhe ofereceu as flores.

Posso ver que você adorou as flores. – ele explicou.

Acho que minha esposa iria gostar de que ficasse com elas. Vou dizer para ela que dei as flores para você.

A garota aceitou o buquê, com um sorriso tímido, e nem teve tempo de agradecer. O homem desceu do ônibus. Então, ela o viu atravessar a rua e adentrar os portões de um pequeno cemitério.

* * *

Para os que amam, a vida não se interrompe quando o corpo do amado desce ao túmulo. Os que amam têm certeza de que o amor não morre nunca e continuam a levar em frente as suas vidas. Naturalmente, com uma pequena ponta de tristeza, pela ausência física do ser amado. Mas, sempre em frente. A cada dia, oferecem àquele que se foi o melhor de si.

Lembram os dias de felicidade, os passeios, os risos, as viagens. Oferecem flores que, necessariamente não precisam ser depositadas sobre o túmulo. Podem ser dispostas num vaso, em casa, e ofertadas. Ou mesmo, deixadas nos ramos, colorindo o jardim, bastando que se diga:

Amor, vê como estão lindas as rosas? Continuo a cuidar delas. Em algum momento, quando lhe for possível, quando o Senhor dos Céus lhe permitir vir me visitar, você encontrará o jardim como você gostava: cheio de flores, perfumado. Também cuido dos gerânios. Não esqueço de aguar as samambaias.

Um dia, quando o tempo esgotar a contagem das minhas horas na Terra, espero poder ir ao seu encontro.Até lá, receba as flores das minhas lembranças. E as do nosso jardim. Tenho certeza de que você não se importará que eu colha vez ou outra, algumas margaridas para ofertar aos vizinhos, aos amigos.

Como eu, eles não a esquecem.

Até breve, meu amor!

*   *   *

Pense nisso e, mesmo que sinta o coração faltando um pedaço pela dor da separação pela morte, viva! Viva intensamente porque quem o ama deseja que você seja feliz, hoje, amanhã e depois… Até o reencontro.

Pense nisso!

A suavidade consegue esculpir Julho 30, 2008

Posted by Ramon Silva in Amor, Reflexão, Sabedoria.
Tags:
add a comment

O Mosteiro na margem do Rio Piedra está cercado por uma linda vegetação, verdadeiro oásis nos campos estéreis daquela parte da Espanha. Ali, o pequeno rio transforma-se numa caudalosa corrente, e se divide em dezenas de cachoeiras. Quem caminha por aquele lugar escuta a música das águas e encontra, de repente, uma gruta, debaixo de uma das quedas d´água.

Observando cuidadosamente as pedras gastas pelo tempo, as formas que a natureza cria com paciência, vê-se escrito numa placa, os seguintes versos de Rabindranath Tagore:

Não foi o martelo que deixou perfeitas estas pedras, mas a água, com sua doçura, sua dança, e sua canção. Onde a dureza só faz destruir, a suavidade consegue esculpir.

* * *

A lição do poeta é de extrema profundidade.

Somente com suavidade, paciência e calma, conseguimos esculpir o nosso íntimo, realizando a reforma de nossas almas com o objetivo de encontrar felicidade.

Somente com suavidade, paciência e calma, conseguimos esculpir o nosso mundo, realizando sua modificação para melhor.

O martelo que destrói está nas críticas cruéis, nas palavras grosseiras que saem de nossas bocas e ferem a auto-estima das pessoas à nossa volta.

Enquanto a doçura da água está nos conselhos edificantes, na atenção e paciência com que ouvimos a alguém, nas palavras de estímulo, no elogio animador.

O martelo destruidor está no acúmulo da culpa em nosso coração, na auto-exigência desequilibrada, na falta de amor próprio.

A docilidade da água está na compreensão de nossas dificuldades, no auto-perdão, e na disposição constante para corrigir os nossos erros.

Em nossos dias, na análise de nosso comportamento, de nossas ações, lembremos sempre da delicadeza da água moldando as rochas através dos tempos. Procuremos conquistar a paciência e a tranqüilidade, certos de que são virtudes dinâmicas, que nos fazem seres pacíficos. Que as palavras do poeta indiano nos sirvam de guia, de inspiração:

Não foi o martelo que deixou perfeitas estas pedras, mas a água, com sua doçura, sua dança, e sua canção. Onde a dureza só faz destruir, a suavidade consegue esculpir.

* * *

A suavidade, a delicadeza, são o amor expresso nas pequenas coisas, nos gestos aparentemente simples, mas que revelam nossa preocupação com o próximo.

Irmão Lobo Julho 21, 2008

Posted by Ramon Silva in Amor.
Tags: ,
add a comment

No ano de 1226, na floresta de Gubbio, na Europa medieval, um bandido se fizera um tipo de monstro aterrador. Mais astuto do que uma fera, havia se tornado um terrível salteador. Espalhava pavor e medo por todo lado e matava qualquer homem desarmado. Seu nome ninguém sabia, mas sua fama fez com que o denominassem O lobo. Lobo de Gubbio.

Francisco de Assis, também conhecido como o Cristo da Idade Média, certo dia foi procurá-lo. Ao encontrá-lo, em vez de chamá-lo lobo, como todos faziam, chamou-o irmão.

Venho em paz, disse Francisco. Venho falar-te da bondade, do amor, da caridade, do carinho. Em nome de Jesus, venho pedir-te que alteres o teu caminho e abraces o caminho da fraternidade.

E convidou-o, finalmente, a morar com ele, no convento.

O homem-fera optou por seguir Francisco. Mudou de atitude e, feliz, se entregou ao trabalho do bem, nas tarefas de Assis. Onde quer que Francisco fosse, o ex-bandido o seguia. Carregava cestos, buscava pão, trabalhava incansável. Como guarda-noturno era um dos melhores.

No entanto, Francisco necessitava viajar. E, por vezes, se detinha por semanas ou meses longe do convento, em serviço. Saía em peregrinação, com Frei Leão, a fim de semear o ensino do Senhor.

Nessas ocasiões, o Irmão Lobo sentia a carência de amor e a fome de alegria. Longe do Irmão Francisco, o que recebia nas estradas eram insultos e pedradas. Chamavam-no de covarde, lobo maldito, carniceiro feroz.

De tanto agüentar o tratamento vil, vendo-se a sós na vida, o Irmão Lobo decidiu retornar à antiga lida. Embrenhou-se na floresta e cedeu aos instintos da fera.

Quando retornou Irmão Francisco de sua jornada, teve notícia da ocorrência. Embora cansado, lastimou o acontecido e foi procurar o Irmão Lobo. Encontrou-o perseguindo uma vítima indefesa.

Irmão Lobo, o que é isto? Já não te lembras dos ensinos do Cristo?

Ah, santo amigo, disse o Lobo, não pude agüentar tanta humilhação. Ainda trago no corpo as marcas dos maus tratos dos homens.

Irmão, tornou Francisco, a presença do Cristo é o sol de nossa vida.

Volta comigo, irmão. Eu também já sofri calúnia e provação. As tuas cicatrizes são feridas irmãs das úlceras que tenho.

Continua, Irmão Lobo, ao meu lado.

O Lobo, cabisbaixo, acompanhou o amigo e se fez guardião fiel, guardando-lhe as palavras desde então. Aprendeu a amar perdoando e a viver com Jesus no coração.

* * *

Nem sempre é claro o céu do cristão decidido, quando servindo a Jesus. Contudo, o cristão decidido se entrega a Jesus, Nele confia e a Ele se dá.

Preciosa Dádiva Julho 16, 2008

Posted by Ramon Silva in Amor, Diálogo, Família.
Tags:
add a comment

A mulher bateu à porta da rica casa. Estava grávida e já se avizinhavam os dias de dar à luz. A dona da casa veio atender, portando no olhar a serenidade dos dias vencidos e das dores suportadas.

Dona, lhe falou a gestante, quer ficar com o meu bebê?

E antes que a outra se recobrasse do susto da inesperada oferta, prosseguiu:

Não o quero. Não tenho lugar para ele em minha vida. Engravidei sem querer e não posso sustentar outra boca. Pesa-me a barriga e anseio por liberar-me da carga. Se a senhora não o quiser, não sei o que farei. Já o ofereci a mais de duas dezenas de pessoas. Ninguém o quer.

A mulher bondade convidou a ofertante a entrar. Fê-la sentar-se. Serviu-lhe um café reconfortante.

Instigada, aquela lhe narrou sua história de desacertos, desde a juventude mais tenra. A síntese é de que via no filho em gestação um estorvo, um problema a mais. A mulher carinho falou-lhe da bênção da maternidade e da reencarnação. Maternidade é uma das mais nobres missões conferidas ao ser humano. O Pai e Criador confia uma das estrelas do Seu Universo à guarda de um outro ser.

Pela lei da reencarnação, o Espírito imortal tem a possibilidade de resgatar erros, crescer, ascender.

A mulher ternura lhe falou de como o Espírito, preso ao corpinho em formação, tudo percebe, tudo sente, tudo sofre. Ele suspira oportunidade, tempo e atenção. Precisa de carícias, de ouvir a voz de quem o gera a lhe murmurar acalantos, aguarda a mão da ternura a lhe rociar a pele frágil. Ele espera tanto. E tão pouco.

A mulher renúncia lhe falou das noites insones e dos sorrisos empós. Dos choros da febre, da manha e dos balbucios dos vocábulos primeiros. Dos chutes quando ainda no ventre, em seus movimentos de acomodação. E da insegurança dos primeiros passos. Ele tem tanto para dar.

Por que confiá-lo a outrem, se a Divindade lho oferta?

A mãe foi despertando na gestante. Num gesto quase mecânico, acariciou o ventre bojudo e sentiu os movimentos do bebê. Que desejaria ele dizer? Não me abandone, cuide de mim. Estreite-me em seus braços. Venho para com você aprender o alfabeto do amor. Não me dê a ninguém. É do seu carinho que preciso.

Quando a tarde morreu, a gestante retornou ao seu lar, com a esperança a tremeluzir no olhar. A mulher doação a auxiliaria e ela teria o seu filho, conduzindo-o no mundo. Dividiriam as dificuldades e somariam esforços. Permitiriam que se multiplicassem as oportunidades de regeneração, para que diminuíssem as dores. E se a soma dos problemas parecesse suplantar as forças, sempre poderiam contar com o amor da mãe pelo filho, do filho pela mãe.

* * *

Os filhos não são realizações fortuitas. São filhos de Deus em jornada evolutiva, seguindo hoje ao seu lado, sob a direção das suas experiências.

Quando um filho enriquece um lar, traz com ele os valores indispensáveis à própria evolução.